Explosão de raiva

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

"Ficar com raiva é como ficar segurando um pedaço de carvão ardente com a intenção de jogá-lo em alguém; você é que se queima."
Buddha


Minha última explosão de raiva ocorreu há quatro dias e durou aproximadamente uma hora.

Num acesso de raiva, atirei palavras duras e desnecessárias contra uma pessoa amada, deixando o egoísmo e o desejo pelo ganho artificial me dominarem e controlarem minhas ações. Falei palavras e realizei gestos impensados, e fiz até aquela malcriação clássica infantil: bater a porta. Fiquei muitos minutos pensando: "Eu estou certo e eles estão errados". Após algum tempo, me acalmei e pude perceber a besteira que havia acabado de fazer.

Como qualquer coisa ruim, minha explosão de raiva teve um lado bom. Pude ouvir conselhos verdadeiramente preciosos tais como: "Você não faz o que fala" e "Você fica assim quando fica sem meditar."

Pude perceber com mais clareza que a raiva surge do desejo que as coisas sejam exatamente como eu quero, de não aceitar as coisas tais como elas são. A raiva apareceu claramente como um artificialismo da mente, sem nenhum motivo real justificável.

Pude ver o dano e a dor que a raiva causa às pessoas a quem ela é dirigida, e também a mim mesmo.

Pude me lembrar, de maneira clara e nítida, que todos, absolutamente todos os acessos de raiva que tive durante toda a vida foram culpa exclusivamente de mim mesmo e de mais ninguém. Todas as brigas ou conflitos que tive poderiam ter sido evitados ou fortemente minimizados se eu tivesse me comportado de maneira equilibrada. Pude claramente discernir que não existe nenhuma situação em que evitar essa mente raivosa não seja benéfico para todas as partes, inclusive para mim mesmo. Pude enxergar que se eu agisse de forma equilibrada, tudo se comportaria mais harmoniosamente.

Apesar de eu já saber anteriormente de todas essas coisas sobre a raiva, apenas esse conhecimento racional não foi e não é suficiente para evitá-la. Algo mais é necessário. Me parece que é necessário o meu comprometimento contínuo e incessante de atenção a todos os meus atos, de atenção a minhas emoções e minha mente.

2 comentários:

Ticinha disse...

Como me identifiquei com o seu texto!
A teoria é infinitamente mais fácil, a prática nos cobra comprometimento, que por vezes esquecemos, em favor do nosso ego. As vezes até me assusto com o tamanho dele!
Preciso aprender a lidar com essa frustração...
É do caminho...abraço!

Monge Genshô disse...
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