Sobre aquilo que é meu e aquilo que não é meu

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

(Esse texto é uma outra forma de dizer: Nada disso sou Eu, ou Nada disso é Meu.)

O que é meu, de fato? O que me pertence? Pensando bem, nada é meu. Assim que eu morrer, tudo aquilo que eu achava que era meu vai pertencer a outro (ou melhor dizendo, alguém vai achar que aquilo lhe pertence, como eu achava antes!).

Alguém pode até achar que algo lhe pertença, ainda que temporariamente, mas até isso é uma ilusão. Digamos que uma pessoa rica tenha dez fazendas. Ela até pode dizer: "Eu tenho dez fazendas, dez fazendas são minhas". Isso pode estar registrado em cartório, em leis, em promulgações reais, seja o que for. Mas as fazendas são realmente dessa pessoa? Enquanto ela está em uma fazenda, nove outras fazendas estão com outras pessoas e animais, que nelas trabalham, vivem, e a usam para diversas coisas. Até na própria fazenda em que a pessoa está, ela não pode tê-la toda ao mesmo tempo. Em um lado da fazenda uma vaca é ordenhada pelo capataz. No outro canto um rio corre vagarosamente, peixes nadam. As árvores crescem, os pássaros cantam. O fazendeiro pode até pensar: "O canto do pássaro também me pertence", enquanto o filho do capataz pensa consigo "Que canto bonito!"

O sentimento de posse ocorre pras mais diversas coisas, desde amores, idéias, até mesmo a própria condição física. Eu posso pensar: esse corpo é meu, essa condição física é minha. Mas nada que eu faça irá evitar que o meu corpo envelheça. Até mesmo o maior atleta do mundo pode ter uma doença que abale sua condição física. Nem o cofre mais seguro do mundo pode impedir que alguém use a "minha" idéia, ou mesmo que tenha a mesma idéia que eu tive!

Em resumo, nada é meu.

Mas nada impede o filho do capataz de dizer: "O mundo todo é meu!" - e, de certa forma, ele não está errado!

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