Rio de Janeiro

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008


Não gosto do Rio de Janeiro. A cidade do Rio de Janeiro é triste, nela existem mazelas extremas e contrastes gritantes.

Me parece que isso é muito egoísta de minha parte.

Deve a mãe amar mais o filho saudável que o filho doente? Deve o pai rejeitar o filho desvirtuado? Na parábola do filho pródigo, o pai recebe com festa o filho que abandonou a família e torrou sua herança.

Como disse Chesterton, a questão não é que este mundo é triste demais para ser amado ou alegre demais para não o ser; a questão é que, quando se ama alguma coisa, a sua alegria é a razão para amá-la, e a sua tristeza é a razão para amá-la ainda mais.

No Rio de Janeiro existem diversos extremos: não só o repetido e pisado contraste da riqueza e da pobreza, como também: o da sujeira e da limpeza, o da feiúra e da beleza, o da malandragem e da honestidade, o da maldade e da bondade, o da violência e da paz, o do orgulho e da humildade, o do preconceito e da compreensão.

De fato eu sou muito egoísta. Não gosto da cidade porque parte do que vejo me incomoda. Parte do que vejo não é exatamente como eu quero. Porém é esta cidade que me alimenta, que me dá abrigo e sustento. São as pessoas nela com quem eu compartilho a vida. Existem muitas coisas boas nessa cidade.

Se há algo na cidade que não gosto, o que devo fazer é agir da melhor forma possível para torná-la melhor. É isso o que eu posso fazer.

Porém, ao fim de tudo, resta uma questão um pouco estranha: será mesmo o "belo" algo separado do "feio"?

1 comentários:

Fabricia disse...

Olá, João!!!
Você conseguiu colocar em palavras o mesmo sentimento que eu tinha quando morava no Rio!
Gasshô,
Fabrícia Kenshô Joly