Praticando o tempo todo

domingo, 23 de novembro de 2008

Não adianta eu sentar em zazen todos os dias, mas durante o resto do dia esquecer do Buddhismo, de Buddha, da prática. Uma hora me esforçar completamente na prática, e no momento seguinte abandoná-la completamente.

Diz o provérbio de Salomão (Provérbios 9:10): "O temor a Deus é o princípio da sabedoria". Isso tem a ver com se autovigiar o tempo todo, cada passo e respiração. Não necessariamente num sentido repressor, mas de auto-observação mesmo. O interessante é que quando me observo, muitas vezes me envergonho naturalmente de coisas que faço ou quase faço, porém que facilmente faria se não estivesse prestando atenção. Vergonha talvez não seja o termo exato, mas sim uma constatação gritantemente evidente de inadequação daquele ato com aquele momento. É como a criança que apronta quando o pai não está olhando, porém se contém naturalmente quando o pai está por perto, mesmo que o pai não fale nada.

Nas religiões teístas, essa autovigília se dá por respeito à uma autoridade divina superior. No Buddhismo, segue-se o ensinamento de Atenção Plena. De certa forma, agir displicentemente e sem atenção também é como desrespeitar o Buddha. Afinal, o Buddha ensinou a agir conscientemente e com atenção.

"O temor do Senhor é uma fonte de vida, para o homem se desviar dos laços da morte." (Provérbios 14:27)

"Que estejamos profundamente agradecidos pela oportunidade de estarmos serenos na prática incessante do Dharma e nos lamentemos profundamente se tivermos tal oportunidade tão rara e não praticarmos." (Mestre Dogen - Prática Incessante)

“E qual, praticantes, é o caminho que conduz ao incondicionado? Atenção plena no corpo: isso é chamado o caminho que conduz ao incondicionado." (Buddha - Kayagatasati Sutra, SN 43)

Inspirado por Living with the self by Rich Taido.

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