Suspeito que esse assunto seja algo mais importante do que eu consigo compreender.
Anotação aleatória (XXX)
terça-feira, 30 de junho de 2009Suspeito que esse assunto seja algo mais importante do que eu consigo compreender.
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Do crescimento das plantas
quinta-feira, 25 de junho de 2009Não dá pra dizer que ela cresceu errado (nem certo). Não dá pra dizer que ela cresceu pouco (nem muito). Um agrônomo pode até traçar metas de crescimento para a planta, mas isso será somente o que ele acha que deve ser. A planta cresce do seu próprio jeito.
Observe que a planta, ao mesmo tempo que cresce somente sob certas condições (por exemplo com a presença da luz do sol e de água suficientes), não deixa de crescer livremente. Uma planta que tenha pouco sol pode crescer menos que uma planta com muito sol, mas não se sentirá oprimida com isso, nem inferior (nem superior). Ela cresce aquilo que é capaz de crescer, exatamente aquilo que é capaz, sem preguiça, sem pressa e sem competição. Pode-se dizer que ela cresce plenamente. Livremente.
Não sei se me fiz entender. Acho que eu também não entendi! Provavelmente estou escrevendo mais uma besteira.
Veja que ela cresce, aparentemente, com restrições, mas ao mesmo tempo, aparentemente, sem restrições. Isso é meio esquisito, não? Mas ao mesmo tempo, misteriosamente belo.
Vide também: Chuva e Anotação aleatória (XIV).
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Diálogo artístico
quarta-feira, 24 de junho de 2009Dois tolos conversam:
- Quem é você?
- (...)
- Não vai responder nada? Quem é você?
- Até o silêncio serve de resposta.
Versão Alternativa
Dois tolos conversam:
- Quem é você?
- (...)
- Não vai responder nada? Quem é você?
- Falando ou não falando, você confunde as palavras com a resposta.
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Crianças Selvagens (Meninos Lobos)
segunda-feira, 22 de junho de 2009Muitas das histórias de meninos lobos são provavelmente falsas, e algumas são até caso de criminoso charlatanismo usando crianças com deficiências mentais. Mas algumas das histórias de crianças ferais são, até assustadoramente, verdadeiras. A criança criada por animais adquire diversas características comportamentais daquelas espécie, como por exemplo, andar sobre quatro membros e emitir ruídos característicos daquele tipo de animal. Quando essas crianças são encontradas, muitas vezes já como indivíduos adultos, é extremamente difícil integrá-las à sociedade, ensiná-las uma língua ou até mesmo a usar o banheiro.
Boa parte do que entedemos como "ser humano", é na verdade, uma construção cultural. É verdade que muitos atributos recebemos de nossa carga genética, como características físicas e até parte de nosso temperamento, mas nossa língua, nossas expressões, nossa postura, nossas histórias e até nossas religiões são eminentemente culturais.
Essas características só obtemos de outras pessoas, isto é, quase tudo que entedemos que somos, são na verdade, partes, esquemas e camadas mentais de milhões e milhões de pessoas ao longo de milhares de anos da história da humanidade.
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Quem é Você?
sábado, 20 de junho de 2009Há uma cena interessante do filme, em que o psicólogo chama o paciente para uma terapia de grupo de pessoas explosivas, no estilo Alcoólicos Anônimos. Depois de diversos depoimentos melosos, o psicólogo pede o paciente se apresentar, respondendo à seguinte pergunta, aparentemente simples: "Quem é Você?"
Segue um diálogo mais ou menos assim (modificado e incrementado pela minha mente, pois faz tempo que vi o filme e não me lembro muito bem):
Psicólogo: Quem é Você?
Paciente: Meu nome é ... (interrompido)
Psicólogo: Espere, espere. Eu não estou perguntando qual o seu nome, e sim, Quem é Você?
Paciente: ... trabalho na empresa ...
Psicólogo: Eu não estou perguntando onde você trabalha, e sim, Quem é Você?
Paciente: ... tenho uma esposa que se chama ... (cada vez mais nervoso e irritado)
Psicólogo: Eu não estou perguntando qual o nome da sua esposa, e sim, Quem é Você?
Paciente: ... eu gosto de fazer isso e aquilo...
Psicólogo: Eu não estou perguntando qual o seu hobby, e sim, Quem é Você?
Aparentemente, temos uma dificuldade quase infinita de nos separarmos das demais coisas ao tentar responder essa pergunta.
Existe um koan introdutório muito usado por professores do Dharma ocidentais, por não precisar necessariamente de um conhecimento de contextos aos quais estudantes ocidentais não estão acostumados.
O koan consiste em perguntar a si mesmo: "Quem sou Eu?"
De acordo com os professores, não adianta tentar responder a pergunta racionalmente, ou cairemos necessariamente em algum labirinto de palavras como no filme. A resposta tem que vir das entranhas, "do fundo da alma", como se uma bola de ferro incandescente estivesse saindo da garganta.
Ainda sem responder o koan, quem sou eu (o autor)? Nesse momento, aqui vos escrevo. No momento seguinte...
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Haiku Quatro
quarta-feira, 17 de junho de 2009dia de inverno -
preguiça de levantar
frio no joelho
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Pensamentos
terça-feira, 16 de junho de 2009Postado por Jōken às 21:32 0 comentários
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Haiku 3
segunda-feira, 15 de junho de 2009jardim pequeno -
algumas plantas crescem
outras falecem
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Anotação aleatória (XXVIII)
domingo, 14 de junho de 2009Desobedecendo minha própria vontade egoísta, me sinto mais livre.
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Diga: Eu sou Tu (um poema de Rumi)
sábado, 13 de junho de 2009(Um poema de Jalaluddin Rumi, místico sufi)
Sou as partículas de pó à luz do sol,
sou o círculo solar.
Ao pó digo: - Não te movas.
E ao sol: - Segue girando.
Sou a névoa da manhã
e a brisa da tarde.
Sou o vento na copa das árvores
e as ondas contra o penhasco.
Sou o mastro, o leme, o timoneiro e a quilha
e o recife de coral em que naufragam as embarcações.
Sou a árvore em cujo galho tagarela o papagaio,
sou silêncio e pensamento, e também todas as vozes.
Sou o ar pleno que faz surgir a música da flauta,
a centelha da pedra, o brilho do metal.
Sou a vela acesa e a mariposa girando louca ao seu redor.
Sou a rosa e o rouxinol perdido em sua fragrância.
Sou todas as ordens de seres,
a galáxia girante,
A inteligência imutável,
O ímpeto e a deserção.
Sou o que é e o que não é.
Tu, que conheces Jalaluddin.
Tu, o Um em tudo, diz quem sou.
Diga: Eu sou Tu.
Testemunho
sexta-feira, 12 de junho de 2009De fato, eu não sei nada. Ou como disse Sócrates: "Só sei que nada sei."
Tudo o que eu acho que sei, até mesmo a quase totalidade das hipóteses científicas e históricas, na verdade foram outras pessoas que pesquisaram e testaram. Eu acredito nelas somente, mas de fato eu não sei realmente, se por exemplo, a teoria da relatividade foi realmente vastamente testada e comprovada, ou se o homem um dia pisou na Lua (embora eu acredite, é claro).
Nem mesmo no que eu mesmo testemunhei no passado eu posso confiar, pois isso dependeria de minha memória, que na verdade não é uma cópia exata de todas as sensações e percepções e está sujeita às mais diversas falhas.
A única coisa que eu posso saber, é o que está diante de mim agora, o que eu estou testemunhando nesse exato momento. Todo o resto é como um sonho duvidoso.
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Anotação aleatória (XXVII)
quinta-feira, 11 de junho de 2009Para encontrar a si mesmo, deve-se perder a si mesmo.
(Parafraseando Shakespeare em A Comédia dos Erros)
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Jôshin-san
terça-feira, 9 de junho de 2009
Hoje faz exatamente um ano que eu vi meu amigo Flávio (Jôshin) pela última vez. Foi no dia seguinte ao do meu casamento (na foto acima eu estou à esquerda e ele à direita). Lembro-me bem pois encontrei-o na Comunidade Zen Budista de Florianópolis, um dia antes de eu retornar ao Rio de Janeiro. No mês seguinte ele veio a falecer.Todas as pessoas que conheceram Jôshin sabem de sua generosidade. Os exemplos dessa generosidade são muitos, certamente a grande maioria desconhecida de mim, mas posso dar meu próprio testemunho com facilidade. Sendo eu muito iniciante, Flávio me ajudou bastante pelo seu exemplo. Sendo sua estatura imensa, era impossível não notar seus movimentos e aprender com eles.
Eu nunca poderei retribuir Flávio pelo que ele me ensinou, e tenho certeza que ele nem esperava nada em troca pela sua generosidade. Eu não terei outra escolha senão tentar retribuir o mundo da melhor forma que eu puder pela oportunidade de ter conhecido Jôshin-san. Se eu conseguir levar adiante um pouco dessa generosidade, uma parte dele continuará sempre viva no mundo. E tenho certeza que ele continua vivo em muitos outros.
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Haiku 2
domingo, 7 de junho de 2009Postado por Jōken às 23:32 1 comentários
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Pergunta importante (para mim), ou, Tudo simultâneo
A mente surge na dependência do mundo (não é independente do mundo). O mundo imprime a mente (como se fosse uma pergunta). A mente devolve algo ao mundo (como se fosse uma resposta). O que ela responde?
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Anotação aleatória (XXVI)
sexta-feira, 5 de junho de 2009Não há nenhuma humildade a ser obtida, mas há muito orgulho a ser abandonado.
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Calendário de Eventos - Soto Zen
terça-feira, 2 de junho de 2009
Link para o calendário:
http://www.google.com/calendar/embed?src=k28o7asg84mcp4le7veoftb0no%40group.calendar.google.com&ctz=America/Sao_Paulo
Tentarei mantê-lo atualizado.
Postado por Jōken às 22:38 0 comentários
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Anotação aleatória (XXV)
segunda-feira, 1 de junho de 2009Alguém pode dizer que o pássaro na gaiola está voando, e o pássaro voando está na gaiola. Mas seria apenas bobagem.
Quem é mais livre? O pássaro na gaiola, satisfeito tal como está, ou o pássaro voando, que gostaria de ser um peixe nadando?
Postado por Jōken às 00:38 0 comentários
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SESSHIN DE 12 À 14 DE JUNHO EM FLORIANÓPOLIS
Um sesshin (retiro) é uma oportunidade de clarificar e aprofundar o que é realmente essencial para cada um de nós. Num retiro zen budista, tentamos criar as condições exteriores e interiores que nos permitem afastar a agitação e dispersão da nossa mente. O ambiente envolvente, com práticas de zazen (meditação), orioky (refeições formais), voto de silêncio, palestras e caminhadas meditativas.Um retiro oferece à oportunidade de experienciar a vida de uma forma mais leve e receptiva. Ao Estarmos mais atentos e conscientes de tudo, das nossas relações de interdependência com os outros, refinamos a nossa habilidade de vivermos no "aqui e no agora".
Data: 12 à 14 de junho
Horário de Início: 19h (12/06) * Término: 13h (14/06)
Local: Sede Baha'i na Cachoeira do Bom Jesus (norte da ilha)
Coordenação: Monge Genshô
Valores:
120,00 membros
140,00 contribuintes
160,00 não contribuintes
O pacote inclui:
2 noites de hospedagem
3 refeições diárias (comida vegetariana)
Inscrições: Juliana Sussetsu
(48) 9971.1323 / 3337.6241
centrozenfloripa@gmail.com
www.daissen.org.br
Postado por Jōken às 00:13 0 comentários
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