Até a maré subir

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Crédito da imagem: Barcroft / GB Media

Andres Amador cria obras de arte intricadas na areia da praia. Elas duram apenas o período da maré baixa, sendo devastadas pelo mar imparcialmente e irrevogavelmente. A idéia é promover a auto-consciência, e a apreciação da beleza de cada segundo.

Haiku 5

domingo, 26 de julho de 2009

Um novo dia -
Saúde renovada
Melhor levantar.

Doença

quarta-feira, 22 de julho de 2009

É imaturo que eu só valorize a saúde quando estou doente. De fato eu deveria valorizá-la sempre, mesmo estando saudável. E aproveitar quando estou com saúde para fazer o que tem que ser feito, da melhor forma possível. Quando doente tenho menos opções de ações possíveis.

SESSHIN PARA INICIANTES (31, 1 e 2 de agosto) - Florianópolis

terça-feira, 21 de julho de 2009


Num retiro zen budista, tentamos criar as condições exteriores e interiores que nos permitem afastar a agitação e dispersão da nossa mente. Num ambiente envolvente, observamos e praticamos o silêncio, procurando falar somente o indispensável durante as atividades coletivas. A rotina de um sesshin envolve períodos de zazen (meditar sentado), intercalados com períodos de kinhin (meditar caminhando), teisho (palestras formais), oryoki (refeição em plena atenção), samu (atividades de limpeza do dojô), caminhadas meditativas e de leitura de sutras.

Um retiro oferece à oportunidade de experienciar a vida de uma forma mais leve e receptiva. Ao estarmos mais atentos e conscientes de tudo, das nossas relações de interdependência com os outros, refinamos a nossa habilidade de vivermos no "aqui e no agora".

Valores: 120,00 - membros / 140,00 - contribuintes / 160,00 - não contribuintes

Inscrições e informações com Juliana: juliana@chalegre.com.br - (48) 9971.1323 ou (48) 3225.8896

Orgulho e Salvação

sábado, 18 de julho de 2009

Crédito da imagem: Gail Atkins

Pode haver um certo orgulho embutido na idéia de ser capaz de "salvar" a si mesmo e "salvar a todos os seres" (se o budismo tem um objetivo, esse seria a libertação, às vezes chamada meio livremente de salvação). Isso se eu pensar que eu teria algum mérito por causa disso. Mas de fato, qualquer suposto mérito nesse sentido teria que ser dividido com todos do mundo. Cada ação que eu tomo só é possível com o auxílio de toda uma rede interconectada de pessoas e seres. Por exemplo, milhares de pessoas trabalham para que eu tenha água e comida. Sem o auxílio delas, eu não poderia fazer nada, quanto mais tentar ajudar a mim mesmo e aos outros. Se milhares de pessoas no passado não tivessem tomado certas ações, eu não poderia estar aqui hoje. Se milhares de pessoas não tivessem carregado o Dharma desde o tempo do Buddha, eu não poderia estudá-lo hoje.

Portanto, cada pessoa tem que contribuir para sua própria "salvação" e salvação dos outros, sozinha e por si mesma, porém com todos, e graças a todos. Todos do mundo.

Cabe aqui também a seguinte história Zen, muito famosa, que cortarei pela metade:

Cerca de mil e quatrocentos anos atrás na China, o Imperador Wu se converteu ao Budismo. Ele começou mandando construir templos, encomendando a tradução de escrituras budistas e enviando missionários. Após muitos anos propagando o Budismo, ele ouviu falar de Bodhidharma, e convocou-o a uma reunião. Quando se encontraram, o Imperador Wu indagou:

- Eu fiz do Budismo a religião nacional. Eu construí inúmeras stupas e templos. Eu fiz com que as escrituras fossem traduzidas e sou responsável pela conversão de milhares de pessoas ao Budismo. Qual o mérito que eu obtive então?

Bodhidharma respondeu:

- Absolutamente nenhum mérito.
(...)

(De)Hierarquização das Coisas

quarta-feira, 15 de julho de 2009


Não faz sentido dizer que uma coisa é melhor que outra. Não faz sentido eu dizer que uma grande árvore é melhor do que uma simples violeta. Cada uma tem a sua característica própria, bem diferente, porém nem inferior nem superior.

Eu posso até achar um árvore frutífera cheia de folhas mais bonita que um cacto. Porém isso é só minha opinião. A árvore e o cacto são o que são. Cada um tem sua função e características próprias. A natureza própria de um cacto é ser um cacto, e não uma outra coisa que alguém possa querer.

Não há como dizer que um ovo é melhor ou mais importante que uma galinha, ou vice-e-versa. Cada um tem seu espaço e importância. Cada um tem o seu papel específico, cada um a seu tempo e de seu jeito, tendo sido originado com causas e condições específicas.

Mesmo duas coisas, aparentemente de mesma categoria, não merecem ser comparadas. Eu poderia comparar dois pares de sapatos, um par novo e um par velho, e achar o par novo melhor. Porém isso seria uma absoluta bobagem. O par novo de hoje será o par velho de amanhã. E o par velho é velho pois me serviu por muito tempo. Por que ele seria pior?

Todas as coisas tem seu devido lugar e importância. Nada é mais ou menos que a outra. Essas comparações são meramente opiniões e comparações arbitrárias, inventadas pelo meu ego. De fato até a divisão das coisas é arbitrária, gerando essas comparações artificiais. No fundo todas as coisas parecem ser igualmente importantes, por serem interdependentes, mas também diferentemente importantes, no sentido de serem incomparáveis em suas diferentes funções e causas e condições específicas.

Anotação aleatória (XXXIV)

domingo, 12 de julho de 2009

Eu sou feito de pele, ossos, gordura e músculos. Mas eu posso fazer coisas que uma pilha de pele, ossos, gordura e músculos não pode fazer.

Anotação aleatória (XXXIII)

sábado, 11 de julho de 2009

Tentando me encontrar -
Não me encontro.
Só encontro os outros.

Por que dou tanta atenção a mim mesmo
Se tudo o que importa está ao meu redor?

Por que quero me separar daqueles ao qual estou tão intimamente ligado?

(De)Hierarquização das Pessoas e Seres

quarta-feira, 8 de julho de 2009

"Jesus Cristo ou Buddha, qual seria o maior, ou mais importante?". Na minha opinião, e pelo que sei do budismo, não há necessidade de se fazer nenhuma comparação desse tipo. Quem é maior ou menor, quem é mais importante ou menos importante, quem é superior ou inferior; essas são questões desnecessárias, não-importantes, e no fundo, sem sentido. Tem uma entrevista da Monja Coen Sensei em que ela conta sobre um sonho que teve sobre esse assunto.

Não há necessidade de nenhuma competição ou comparação. Isso não só entre Cristo e Buddha, mas entre qualquer pessoa. Ninguém deve se considerar superior, maior ou menor a ninguém. Quando quiseram apedrejar a mulher adúltera, Jesus Cristo disse: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”(João 8:7). Acusados pela própria consciência, ninguém se atreveu a continuar com a barbárie. Tampouco Jesus Cristo o fez, não por ser pecador, mas por não julgar e por perdoar, não se considerando superior aos outros, mas igual como Homem que também era.

Jesus Cristo também disse: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39). Veja que Cristo não diz "Ama teu próximo mais que a ti mesmo" ou "Ama a teu próximo menos que a ti mesmo". Ele conclama que não nos consideremos mais ou menos que os outros. E assim Cristo também o fez: “O meu mandamento é este (disse Jesus): Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei”. (João 15:12)

Mais ainda que isso: Cristo diz “Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam. Falai bem dos que falam mal de vós e orai por aqueles que vos caluniam.” (Lc 6,27-28). Ou seja, não devemos nos considerar superiores a ninguém, ninguém mesmo. Ninguém deve ser deixado para trás. Já me vi inventando desculpas esfarrapadas para não levar esses ensinamentos em consideração. É verdade que é muito difícil de fazer isso. É muito mais fácil amar e gostar daqueles que nos amam. Mas como disse Santo Agostinho: "Se você acredita no que você gosta do evangelho, e rejeita o que você não gosta, não é no evangelho que você acredita, mas em você mesmo."

Ensinamentos análogos são encontrados no budismo, como no Karaniya Metta Sutta:

"Todos os seres vivos que existem,
fracos ou fortes, sem exceção,
compridos, grandes,
médios, curtos,
sutis, grosseiros,

Visíveis e invisíveis,
próximos e distantes,
nascidos e por nascer:
que todos os seres sejam felizes no coração.

Que ninguém engane
ou despreze outrem, em nenhum lugar,
ou devido à raiva ou má vontade
deseje que alguém sofra.

Tal qual uma mãe, colocando em risco a própria vida,
ama e protege o seu filho, o seu único filho,
da mesma forma, abraçando todos os seres,
cultive um coração sem limites.

Com amor bondade para todo o universo,
cultive um coração sem limites:
Acima, abaixo e em toda a volta,
desobstruído, livre da raiva e da má vontade."

Céu

terça-feira, 7 de julho de 2009

Melhor do que ler um blog, é olhar para o céu durante cinco minutos:

Procure a janela mais próxima!

Lições durante o zazen

segunda-feira, 6 de julho de 2009

- Tentar fugir das dificuldades é somente adiá-las. Devo encará-las prontamente quando aparecem.

- Quanto mais eu me debato, não aceitando a situação atual, querendo estar em outro lugar, mais difícil ela se torna.

- Quanto mais maleável eu seja, aceitando o momento presente, sendo um com o momento, mais fácil ele se torna.

- A dificuldade rejeitada é dificuldade. A dificuldade abraçada é não-dificuldade.

- O que ocorre na vida ocorre no zazen. O que ocorre no zazen ocorre na vida.

- Zazen é a própria vida. Essa eu devo ao professor Genshô.

Anotação aleatória (XXXII)

domingo, 5 de julho de 2009

O que quer que eu ache que seja - não é isso. O que quer que eu seja - é isso.

Anotação aleatória (XXXI)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Querer que a mente não se debata num certo instante é como tentar apagar o fogo jogando mais lenha.