Eu não posso inspirar profundamente após inspirar profundamente. Só posso inspirar profundamente após expirar.
Anotação aleatória (IX)
sábado, 31 de janeiro de 2009Postado por Jōken às 12:54 0 comentários
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Anotação aleatória (VIII)
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009Tudo que está ao meu redor e que eu intimamente desprezo é infinitamente mais importante do que eu imagino.
Meios hábeis
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009Fazia tempo que eu queria traduzir esse pequeno texto... Aí vai:
Unidade obtida:
Quem ousa igualá-lo
Quem cai nem em ser nem em não-ser!
O poema de Shih-t'ou Hsi-ch'ien, "A Harmonia da Diferença e da Uniformidade - Sandokai" é uma importante expressão dos primeiros dias do Zen Buddhismo e é cantado nos templos Soto até hoje. Outro poema de Tung-shan Liang-chieh sobre esse e outros temas relacionados, "A Canção da Consciência Jóia-Espelho", também é cantada diariamente nos templos Soto.
Outras expressões desse ensinamento incluem o koan:
Um discípulo perguntou, "Qual a diferença entre um homem iluminado e um homem não-iluminado?"
O Mestre respondeu, "O homem não-iluminado vê a diferença, mas o homem iluminado não vê."
e também o koan pessoal de Dogen Zenji,
"Por que o treinamento e a iluminação seriam diferentes, se a Verdade é universal?" (Fukanzazengi, Instruções para Meditação)
(Traduzido do artigo "Monismo" da Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Monism)
Postado por Jōken às 19:08 0 comentários
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Projeto Paralelo
domingo, 25 de janeiro de 2009Assim, aceito sugestões de citações e novos contribuidores para aquele blog.
Postado por Jōken às 23:42 0 comentários
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Anotação aleatória (VII)
Buddha é alguém que pratica o bem e evita o mal.
Postado por Jōken às 23:40 0 comentários
Altos e baixos
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009Certamente os textos que tem maiores chances de ficarem bons são aqueles que vem do coração, da minha própria experiência limitada. Essa é a "melhor das hipóteses" do texto Avisos. Poucos textos do blog tem essa característica. Não é difícil saber quais eles são.
Se esse blog puder resultar em algo auspicioso, quase certamente será fazer alguém perdido resolver começar a fazer zazen ou procurar um centro Buddhista. Já com muita, muita sorte pode ser que o relato de meus próprios erros possa indicar para alguém como não ser um mau praticante como eu. Mas isso seria o mesmo que tirar leite de pedra. Ou o mesmo que uma flor saindo incólume do chorume.
Postado por Jōken às 21:24 0 comentários
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Chuva
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009Está chovendo muito hoje.
Muitas pessoas da cidade não gostam da chuva. Outras gostam da chuva. Mas a chuva não se importa com o que as pessoas pensam ou não pensam dela. A chuva apenas chove.
Para a chuva, não há certo e errado. Algumas pessoas podem até achar que a chuva choveu na hora certa ou choveu na hora errada. Mas a chuva não sabe nada disso: a chuva somente chove.
Às vezes, a chuva causa enorme destruição. Outras vezes, a falta de chuva causa seca e fome na terra. Mas a chuva não faz essas coisas baseada em julgamentos. A chuva apenas chove.
Às vezes chove, às vezes não chove. Se não fosse assim, a chuva não poderia trazer benefícios. Se não chovesse, as plantas não teriam água. Se chovesse o tempo todo, as plantas não teriam sol. Mas a chuva não pensa em benefícios ou não-benefícios: ela só chove.
A chuva não ouve opiniões. Ou melhor, até pode ouvir pacientemente a opinião de quem queira falar com ela (como numa dança da chuva), mas certamente não vai agir baseada nessas opiniões. A chuva chove livremente.
Quando chove, as pessoas da cidade tem pressa em ir para casa ou para o trabalho. Se não tivessem tanta pressa, seriam mais gentis e cuidadosas no trânsito. Como não são, muitas batidas ocorrem. Então acusam: a chuva causa congestionamentos. Mas a chuva não se importa com as acusações. A chuva só chove.
A chuva não chove em busca de recompensas. Ela não almeja glória alguma. Ela não tem medo de acabar. Ela não teme mudanças. A chuva é livre para chover.
Alguém pode dizer que a chuva é fria e indiferente. Eu já acho que a chuva não pode ser indiferente, ela só poderia ser indiferente se ela se visse como algo separado das outras coisas. Mas a chuva não se vê como algo separado das outras coisas, da mesma maneira que um feto no interior da barriga da mãe: ele pode até não saber que ela existe, por não se ver como algo separado dela, mas certamente ele não é indiferente a ela - ele é totalmente interdependente com ela.
A chuva não existe como uma coisa só: a chuva não é uma gota, mas milhões de gotas, caindo assincronamente. Ao mesmo tempo, a chuva é uma coisa só: não é chamada "milhões de gotas", e sim "chuva". A chuva não é chuva se não existir os espaços entre as gotas, o espaço também compõe a chuva. A chuva não é separada de sua função: a chuva é também o próprio chover.
A chuva não é possível se não for por uma nuvem, ela depende da nuvem para surgir. A nuvem por sua vez depende do mar, do lago e do sol para evaporar. Porém quando ela chove, ela não é nuvem, nem lago, nem sol, é somente chuva. A chuva também não é completa se ela não cair em algum lugar, seja na terra, no mar ou na palma de uma mão. A chuva é interligada com tudo.
Por fim, a chuva não é chuva se não tiver alguém para chamá-la de chuva.
Postado por Jōken às 22:34 1 comentários
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Time-out
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009O time-out evita que os pais briguem com a criança, o que pode ser bastante danoso para o seu desenvolvimento. A razão pela qual a criança está indo para o time-out deve ser enunciada de forma firme e clara (mas sem gritar ou brigar), de modo que a criança possa associar a causa (a falta) com ao efeito indesejado (o time-out). Deve ficar claro que não é o adulto que está castigando a criança: ela mesma que se colocou naquela situação.
O tempo usual de time-out é de cerca de 5 minutos, ou como regra aproximada, 1 minuto para cada ano de idade da criança. Em casos de faltas graves, como bater em um coleguinha ou irmãozinho, o tempo do time-out é dobrado, mas nunca excedendo cerca de 10 minutos. Após esse tempo, a criança para de pensar no que fez e viver aquele momento de castigo, passando a usar a imaginação para se divertir, o que diminui a efetividade do método.
O time-out é considerado muito mais efetivo para reduzir a agressividade e a desobediência das crianças do que o uso de agressividade por parte dos pais, o que pensando bem é algo quase óbvio.
Não é difícil traçar um paralelo entre o time-out e a prática de zazen. É claro que o zazen não é um castigo, mas devo confessar que a maioria das vezes eu tenho que me forçar a ir praticar zazen. Também muitas vezes o zazen parece durar um longuíssimo tempo, o que é exatamente o princípio do time-out: me lembro bem que quando criança meros 5 minutos sem fazer nada era o equivalente a uma eternidade.
O time-out obriga a criança a viver o momento, a pensar no que ela acabou de fazer. Não tem como ela escapar: ela não pode brincar, não pode conversar, nem assistir televisão. Assim também é o zazen. É claro que a criança pode tentar usar a imaginação para sair daquela situação, mas essa é exatamente a tática não-saudável que eu mesmo costumo usar no zazen para tentar fugir: minha mente vai parar bem longe...
O paradoxo de Galileu
domingo, 18 de janeiro de 2009
"Simplicio: Aqui está uma dificuldade que me parece insolúvel. É claro que podemos ter uma linha maior que a outra, cada uma delas contendo um número infinito de pontos, de forma que somos obrigados a admitir que, dentro de uma mesma classe, podemos ter algo maior que o infinito, pois o numero de pontos infinitos na linha longa é maior que o número de pontos infinitos na linha curta. Essa atribuição a uma quantidade infinita de um valor maior que o infinito é bem além de minha compreensão.
Salviati: Essa é uma das dificuldades que surgem quando tentamos, com nossas mentes finitas, discutir o infinito, atribuindo a ele propriedades que damos ao finito e limitado; mas eu penso que isto está errado, pois não podemos falar de quantidades infinitas como sendo uma maior ou menor ou igual a outra."
Galileu Galilei em Discorsi e dimostrazioni matematiche intorno a due nuove scienze
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Anotação aleatória (VI)
sábado, 17 de janeiro de 2009O que quer que seja que eu tenha a ilusão que seja eu vai morrer logo.
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Definições (II)
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009Diz o título da seção 21 do Sutra do Diamante:
AS PALAVRAS NÃO PODEM EXPRESSAR A VERDADE
AQUILO QUE AS PALAVRAS EXPRESSAM NÃO É A VERDADE
Similarmente a primeira frase do Tao Te Ching diz:
O tao que pode ser descrito
Não é o Tao eterno.
(Vide também Definições)
Piada
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
O que Bodhidharma falou para o Buddha?
- Quando você fala, eu nem pisco!
(Reza a lenda que onde as pálpebras de Bodhidharma caíram, nasceu a primeira planta de chá.)
Postado por Jōken às 20:34 0 comentários
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Anotação aleatória (V)
terça-feira, 13 de janeiro de 2009Se você for um paciente, no fundo você também é o médico.
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Anotação aleatória (IV)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009Um médico não é nada sem um paciente.
Postado por Jōken às 19:14 0 comentários
Conspiração Universal
domingo, 11 de janeiro de 2009O meu pai poderia ter se apaixonado por outra mulher. Minha mãe poderia ter se casado com outro homem. Uma guerra poderia ter acontecido, dificultando tudo. Poderia faltar comida e água, impedindo minha sobrevivência. Não fosse a ambição e destemor dos portugueses certamente eu não estaria aqui hoje. Sou um mestiço. Meu pai tem origem alemã e italiana, minha mãe tem origem portuguesa, italiana e até negra. Certamente tenho algo de mouro ou árabe também. Não fossem as condições difíceis na Europa certamente os imigrantes não teriam vindo. Mesmo se não fosse a cobiça e malvadeza dos comerciantes de escravos eu não poderia estar aqui.
Por que um meteoro não cai na minha cabeça? Por que Colombo descobriu a América? Por que meu avô casou com minha avó? Por que um dinossauro não comeu aquela família de mamíferos com aspecto de roedor?
Por que o Sol nasce, brilha e se põe todos os dias? O Sol certamente gosta muito de mim, permitindo que eu sobreviva. Ao mesmo tempo, o Sol nem sabe da minha existência. Ele trabalha continuamente para o benefício de milhares de seres, sem pedir nada em troca. Tal como o Sol, milhares de pessoas tiveram que cumprir o seu dever para que eu pudesse estar aqui. Ao mesmo tempo, elas provavelmente nem sabem que eu existo. Mas alguém planta a comida que eu como, mesmo que eu não a conheça e ela não me conheça. Ela faz isso sem esperar nada em troca de mim.
Que eu possa sentar em zazen é verdadeiramente um milagre. O Universo inteiro tem que permitir que eu sente em zazen. Se um gigante me pisotear, acabou o zazen. Se a minha esposa berrar que a casa está pegando fogo, acabou o zazen. É verdadeiramente um milagre, algo digno de gratidão. Bodhidharma teve que ir a pé da Índia até a China para que eu pudesse estar sentado em zazen. Eu não poderia estar escrevendo sobre Bodhidharma aqui hoje se ele não tivesse feito essa longa caminhada, mas quase certamente ele não sabia que eu iria escrever sobre ele. Ele fez isso por mim, mas ele não fez isso por mim. Dezenas de mestres e discípulos tiveram que preservar o ensino do Dharma até hoje para que eu pudesse praticá-lo. Eles cumpriram seu dever sem pedir nada em troca.
Certamente eu não fiz nada para merecer tudo isso. O que eu posso fazer para retribuir tantas benesses do Universo todo?
Minha esposa está pedindo que eu vá tomar banho logo. Melhor obedecer.
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Anotação aleatória (III)
sábado, 10 de janeiro de 2009A maneira mais rápida de escapar da culpa é assumi-la.
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Anotação aleatória (II)
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009Não ter escolha e ter escolha é quase a mesma coisa.
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Israelenses e Palestinos
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009Explosão de raiva
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
"Ficar com raiva é como ficar segurando um pedaço de carvão ardente com a intenção de jogá-lo em alguém; você é que se queima."
Buddha
Minha última explosão de raiva ocorreu há quatro dias e durou aproximadamente uma hora.
Num acesso de raiva, atirei palavras duras e desnecessárias contra uma pessoa amada, deixando o egoísmo e o desejo pelo ganho artificial me dominarem e controlarem minhas ações. Falei palavras e realizei gestos impensados, e fiz até aquela malcriação clássica infantil: bater a porta. Fiquei muitos minutos pensando: "Eu estou certo e eles estão errados". Após algum tempo, me acalmei e pude perceber a besteira que havia acabado de fazer.
Como qualquer coisa ruim, minha explosão de raiva teve um lado bom. Pude ouvir conselhos verdadeiramente preciosos tais como: "Você não faz o que fala" e "Você fica assim quando fica sem meditar."
Pude perceber com mais clareza que a raiva surge do desejo que as coisas sejam exatamente como eu quero, de não aceitar as coisas tais como elas são. A raiva apareceu claramente como um artificialismo da mente, sem nenhum motivo real justificável.
Pude ver o dano e a dor que a raiva causa às pessoas a quem ela é dirigida, e também a mim mesmo.
Pude me lembrar, de maneira clara e nítida, que todos, absolutamente todos os acessos de raiva que tive durante toda a vida foram culpa exclusivamente de mim mesmo e de mais ninguém. Todas as brigas ou conflitos que tive poderiam ter sido evitados ou fortemente minimizados se eu tivesse me comportado de maneira equilibrada. Pude claramente discernir que não existe nenhuma situação em que evitar essa mente raivosa não seja benéfico para todas as partes, inclusive para mim mesmo. Pude enxergar que se eu agisse de forma equilibrada, tudo se comportaria mais harmoniosamente.
Apesar de eu já saber anteriormente de todas essas coisas sobre a raiva, apenas esse conhecimento racional não foi e não é suficiente para evitá-la. Algo mais é necessário. Me parece que é necessário o meu comprometimento contínuo e incessante de atenção a todos os meus atos, de atenção a minhas emoções e minha mente.
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Anotação aleatória
terça-feira, 6 de janeiro de 2009Reconhecer o papel de cada pequena coisa parece ser importante.
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Confessando minha hipocrisia
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009Buddha
Não sou um bom praticante. Posso falar muito e escrever muito sobre como ser um bom praticante (isso é um erro gravíssimo), mesmo mal e tortamente, mas ainda assim não sou um bom praticante. Não adianta eu saber o que fazer (ou achar que sei o que devo fazer) sem realmente fazer.
Recorrentemente uso palavras duras com as pessoas, mesmo com aquelas que eu amo. Repetidas vezes faço comentários maliciosos, apenas para obter aprovação de pessoas que gostam disso. Sou capaz de magoar muito as pessoas, até aquelas que mais amo. Ajo com desatenção, magoando, e só percebendo quando já é tarde demais. Ajo muito egoisticamente, muitíssimas vezes somente para meu próprio benefício e satisfação.
Também o fato de eu escrever essas coisas não me faz um praticante melhor. A única coisa que pode me fazer um melhor praticante, é justamente praticar melhor. Mesmo que seja impossível seguir perfeitamente um ensinamento, ao menos posso continuamente tentar. Falar em fazer algo ou agir de determinada forma de nada adianta, somente fazer e agir pode adiantar.
Mesmo que fosse possível compreender perfeitamente um determinado texto ou ensinamento (o que já é algo duvidoso), apenas compreender não parece ser suficiente. Eu posso até saber o que devo fazer (como, por exemplo, fazer o bem e evitar o mal, ou praticar zazen), a dificuldade é fazer realmente.
Peço desculpas a quem possa ler isso por minha hipocrisia e auto-contradição.
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Citação Buddhista
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009"A maior conquista é a ausência de egoísmo.
O maior valor é o autocontrole.
A maior qualidade é procurar servir aos outros.
O maior preceito é a atenção contínua.
O maior remédio é o vazio de tudo.
A maior ação é não conformar-se com os hábitos.
A maior mágica é transformar as paixões.
A maior generosidade é o não-apego.
A maior bondade é uma mente pacífica.
A maior paciência é a humildade.
O maior esforço é não preocupado com os resultados.
A maior meditação é uma mente que deixa passar.
A maior sabedoria é ver além das aparências."
Atisha
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