Anotação aleatória (XL)
terça-feira, 10 de novembro de 2009Postado por Jōken às 20:56 0 comentários
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Qual é o Buddha?
sábado, 7 de novembro de 2009Digamos que eu não conheça nenhum dos dois. Ambos estão sentados perfeitamente imóveis, na mesma posição. Não conheço seus pensamentos. Não posso atrapalhar a meditação deles.
Qual dos dois é o Buddha?
Os dois estão exatamente na mesma posição. Os dois estão fazendo exatamente a mesma coisa (apenas sentados, em meditação). Não há absolutamente nada que distingua um do outro naquele momento.
O que resta? Na mente deles, pode haver alguma diferença... Mas qual diferença? Um pode pensar que é um Buddha, outro pode pensar que não é um Buddha (o que não garante nada, pois ambos podem até estar enganados), ou podem até não pensar nada - de qualquer forma eu não sei, e se soubesse, poderia estar até enganado. Será que importa mesmo o que eles estejam pensando ou não estejam pensando?
Não me resta nenhuma alternativa senão aceitar, que naquele momento, para mim, ambos são igualmente e verdadeiramente Buddha.
Postado por Jōken às 22:09 0 comentários
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O mercador de Tabriz
terça-feira, 6 de outubro de 2009Um mercador de Tabriz vendia magníficos tapetes persas por 14 peças de ouro, obtendo um lucro de 4 peças de ouro em cada peça. Certo dia um comprador aproximou-se de sua tenda no mercado lhe oferecendo um negócio:
- As'salaam Aleikum, akh. Vejo que o senhor vende esses fomidáveis tapetes por 14 peças de ouro. No entanto, há um novo comerciante na parte baixa do mercado que vende tapetes de qualidade equivalente por somente 13 peças de ouro, uma verdadeira barganha. O senhor não me venderia um de seus tapetes por 12 peças de ouro?
Assim acabaram fechando negócio por 12 peças de ouro.
Caso 1:
Após o comprador ter ido embora com o tapete, o mercador comenta com seu assistente:
- Maldito dia. Esse comprador acaba de me fazer perder 2 peças de ouro.
Caso 2:
Após o comprador ter ido embora com o tapete, o mercador comenta com seu assistente:
- Que dia maravilhoso! Esse comprador acaba de me fazer lucrar 2 peças de ouro!
Caso 3:
Após o comprador ter ido embora com o tapete, o mercador comenta com seu assistente:
- Ouvi falar que poderemos ter ótimas tâmaras na próxima estação de colheita. Insha'Allah!
Caso 4:
Conte o seu caso!
Postado por Jōken às 23:04 1 comentários
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A Pizza e o Zen
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Alguns dos maiores "segredos" do universo podem ser explicados com uma metáfora muito simples: uma pizza e um cortador.A pizza inteira é o Mundo (o conjunto de todas as coisas, Tudo, todos os fenômenos, o Universo, ou como você quiser chamar). O cortador é a mente (e de fato o cortador não é separado da pizza, mas façamos uma licença poética, senão não haveria como pretender explicar qualquer coisa).
Usualmente o cortador faz aquilo que ele gosta de fazer: corta a pizza em pedaços (virtuais). A um dos pedaços (com o qual o cortador insiste em se identificar), ele chama de Eu. Assim ele começa dividindo a pizza entre o pedaço Eu (sujeito) e o outro pedaço (objeto). Porém ele não pára por aí: ele divide a pizza em uma miríade de outros pedaços, objetos, fenômenos e todas as dez mil coisas (alegoria chinesa para a infinita diversidade das coisas e fenômenos).
A metáfora é um pouco pobre pois de fato a pizza não é estática: ela é algo dinâmico, que muda o tempo todo (uma metamorfose ambulante, diria o Raul). Assim, para um certo desespero do cortador (a mente), as fatias também mudam o tempo todo, se transformam. Por exemplo, o que antes eram as fatias semente, gás carbônico, água, luz solar e nutrientes do solo, agora é uma fatia árvore. O que antes era uma fatia árvore, agora é uma fatia lenha. O que antes era uma fatia lenha, agora é a fatia carvão queimando na lareira, virando fatia gás carbônico, fatia vapor d'água e fatia luz novamente. E assim por diante.
Se a pizza é Um, as fatias são frações (como aprendemos no primário). Logo, as multiplicidades nada mais são do que frações do Um, ou Unicidade, cortadas pelo cortador (a mente). Toda multiplicidade começa com uma dualidade. Assim a maioria das coisas são dualidades de dualidades de dualidades... que para complicar um pouco mais, às vezes se sobrepõem umas às outras, em diversas camadas (como pizzas fatiadas em tamanhos diversos empilhadas umas sobre as outras).
Porém o cortador não precisa necessariamente continuar cortando tudo que vê pela frente, mantendo seus hábitos e pré-concepções. Através de um treinamento adequado, o cortador pode fazer algo diferente: Cortar em Um (mesmo nome do blog de meu amigo Seigaku - uma alusão à Manjusri, o boddhisatva da sabedoria, cuja espada corta em um). Cortar em Um é o próprio Zen (palavra japonesa), que vêm do chinês Chan, que por sua vez vem do sânscrito Dhyana, ou pali Jnana - que significa simplesmente meditação. Dhyana por sua vez nada mais é (também não escapa da Unicidade) que Prajna, ou Sabedoria (acho que essa é de Hui Neng).
Assim, "aprender o que é a Sabedoria" significa estar livre de pré-concepções: "estar livre de pré-concepções" é o que "estudar a Sabedoria" é - Dogen Zenji (Shobogenzo, capítulo 2 - Makahannya-haramitsu).
Estranhamente, ainda insisto em me ver e agir como uma fatia de pizza. Assim, lamento pela falta de informações adicionais.
P.S.: Desculpe pelo excesso de parênteses nos textos. É mania de programador.
P.S.S.: O "pára" do segundo parágrafo ficou com acento de propósito. Apesar de meu português ser ruim, me recuso a aceitar a reforma ortográfica, ainda mais ao ler livros antigos e constatar que o português era muito mais bonito antigamente, antes de várias reformas.
Postado por Jōken às 07:00 2 comentários
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A Queda de Adão
domingo, 16 de agosto de 2009(Atenção! O texto a seguir é potencialmente inapropriado, vide algumas ressalvas em Avisos.)
A Queda de Adão, ou A Queda do Homem, ou simplesmente 'a Queda' é talvez o símbolo e o ponto fundamental da Bíblia. Muitos levam a história de Adão e Eva ao pé da letra, outros a descartam como mitologia inventada arbitrariamente, ou pura historinha de criança. Eu já gosto de interpretá-la simbolicamente, o que é somente meu ponto de vista. De um certo modo, todos estão certos. De outro certo modo, todos estão errados.
Minha interpretação particular é de que a Queda do Homem simboliza simplesmente a separação do homem de Deus, ou separação de sua Natureza Original, ou em outras palavras, a dualidade inicial. Na Bíblia isso ocorre quando Adão e Eva comem da fruta da 'Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal'. Mais genericamente, poderia-se dizer que é a Árvore do Conhecimento de todas as dualidades e diferenciações: Bem e Mal, Sujeito e Objeto, Dentro e Fora, Eu e Não-Eu, Grande e Pequeno, Longe e Perto, etc. Poderia-se dizer que essas dualidades, ou separações, são a origem do sofrimento. (Desculpem-me pela fuga da interpretação tradicional de "pecado original", mas no momento estou querendo generalizar o máximo o possível.)
A Árvore é 'do Conhecimento' simplesmente porque essas diferenciações são meramente interpretativas/cogniscíveis, isto é, não são reais de um ponto de vista universal/absoluto, no máximo aparentemente reais de um ponto de vista particular/relativo, ou a partir de definições arbitrárias/axiomáticas.
Até onde sei, quase todas as religiões falam de algo parecido com a Queda de Adão de uma forma ou de outra.
No Taoísmo, eu diria que a Queda de Adão dá-se a partir da dualidade inicial, ou Yin e Yang. Antes da dualidade, há a Unicidade fundamental, ou Taiji. E antes da Unicidade, há o Nada fundamental ou Wuji.
No Budismo, a dualidade inicial é a Forma-Vazio. Mas diz o Sutra do Coração: forma é vazio, vazio é forma. A forma em si é vazio, o vazio em si é forma. Ou seja, ambos forma e vazio não possuem existência independente/inerente. Quando o Boddhisatva Avalokitesvara "viu" claramente que todos os agregados são vazios de existência independente/inerente, ele se libertou de todo o sofrimento.
O caso 23 da coleção de koans Mumonkan segue assim:
Eno, o Sexto Patriarca do C'han (Zen) Chinês, estava sendo perseguido pelo monge Emyo até Daiyurei. O patriarca, vendo que Emyo estava chegando, soltou o manto e a tigela em uma pedra, e disse a ele:
- Esse manto representa a fé. Por acaso ele deve ser disputado pela força? Você pode tomá-los agora.
Emyo foi até a tigela e o manto porém eles eram tão pesados quanto montanhas. Ele não conseguia movê-los. Hesitando e tremendo, ele perguntou ao Patriarca:
- Eu vim pelo ensinamento, não pelo manto. Por favor, me desperte!
O patriarca lhe perguntou:
- O que é primordialmente Emyo (isto é, sua Face Original), se você não pensar 'isto é o bem' nem pensar 'isto é o mal'?
Naquele momento, Emyo teve um grande despertar.
Meu comentário: O grande despertar de Emyo parece com a Queda de Adão, ao contrário.
P.S.:
Alguém pode dizer que eu estou forçando a barra, querendo dizer que coisas totalmente diferentes são semelhantes. E ele está certo, realmente eu estou forçando a barra, e estou querendo dizer que coisas totalmente diferentes são semelhantes. De qualquer forma é tudo uma questão de simbologia. Ou seja, tanto faz eu dizer que o gato está subindo na mesa, ou o cachorro descendo da mesa. Nesse caso, eu quero dizer que o cachorro é o gato e descer é subir. A mesa é mesa mesmo, para não complicar muito. Ou seja, o importante é estarmos falando da mesma coisa. Ou a mesma lua sendo apontada pelo dedo. Meditadores, programadores e linguistas talvez me entendam mais facilmente.
Postado por Jōken às 18:37 0 comentários
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Koans e Frases de sabedoria
sábado, 15 de agosto de 2009Alguns koans e "frases de sabedoria" no vídeo abaixo (em inglês). Mesmo para quem não saiba inglês, não há problema, pois a música e as imagens são tão excelentes quanto as frases!
Postado por Jōken às 22:16 0 comentários
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Anotação aleatória (XXX)
terça-feira, 30 de junho de 2009Suspeito que esse assunto seja algo mais importante do que eu consigo compreender.
Postado por Jōken às 20:39 1 comentários
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Quem é Você?
sábado, 20 de junho de 2009Há uma cena interessante do filme, em que o psicólogo chama o paciente para uma terapia de grupo de pessoas explosivas, no estilo Alcoólicos Anônimos. Depois de diversos depoimentos melosos, o psicólogo pede o paciente se apresentar, respondendo à seguinte pergunta, aparentemente simples: "Quem é Você?"
Segue um diálogo mais ou menos assim (modificado e incrementado pela minha mente, pois faz tempo que vi o filme e não me lembro muito bem):
Psicólogo: Quem é Você?
Paciente: Meu nome é ... (interrompido)
Psicólogo: Espere, espere. Eu não estou perguntando qual o seu nome, e sim, Quem é Você?
Paciente: ... trabalho na empresa ...
Psicólogo: Eu não estou perguntando onde você trabalha, e sim, Quem é Você?
Paciente: ... tenho uma esposa que se chama ... (cada vez mais nervoso e irritado)
Psicólogo: Eu não estou perguntando qual o nome da sua esposa, e sim, Quem é Você?
Paciente: ... eu gosto de fazer isso e aquilo...
Psicólogo: Eu não estou perguntando qual o seu hobby, e sim, Quem é Você?
Aparentemente, temos uma dificuldade quase infinita de nos separarmos das demais coisas ao tentar responder essa pergunta.
Existe um koan introdutório muito usado por professores do Dharma ocidentais, por não precisar necessariamente de um conhecimento de contextos aos quais estudantes ocidentais não estão acostumados.
O koan consiste em perguntar a si mesmo: "Quem sou Eu?"
De acordo com os professores, não adianta tentar responder a pergunta racionalmente, ou cairemos necessariamente em algum labirinto de palavras como no filme. A resposta tem que vir das entranhas, "do fundo da alma", como se uma bola de ferro incandescente estivesse saindo da garganta.
Ainda sem responder o koan, quem sou eu (o autor)? Nesse momento, aqui vos escrevo. No momento seguinte...
Postado por Jōken às 19:08 2 comentários
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Testemunho
sexta-feira, 12 de junho de 2009De fato, eu não sei nada. Ou como disse Sócrates: "Só sei que nada sei."
Tudo o que eu acho que sei, até mesmo a quase totalidade das hipóteses científicas e históricas, na verdade foram outras pessoas que pesquisaram e testaram. Eu acredito nelas somente, mas de fato eu não sei realmente, se por exemplo, a teoria da relatividade foi realmente vastamente testada e comprovada, ou se o homem um dia pisou na Lua (embora eu acredite, é claro).
Nem mesmo no que eu mesmo testemunhei no passado eu posso confiar, pois isso dependeria de minha memória, que na verdade não é uma cópia exata de todas as sensações e percepções e está sujeita às mais diversas falhas.
A única coisa que eu posso saber, é o que está diante de mim agora, o que eu estou testemunhando nesse exato momento. Todo o resto é como um sonho duvidoso.
Postado por Jōken às 20:05 0 comentários
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Anotação aleatória (XXV)
segunda-feira, 1 de junho de 2009Alguém pode dizer que o pássaro na gaiola está voando, e o pássaro voando está na gaiola. Mas seria apenas bobagem.
Quem é mais livre? O pássaro na gaiola, satisfeito tal como está, ou o pássaro voando, que gostaria de ser um peixe nadando?
Postado por Jōken às 00:38 0 comentários
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A Natureza de Buddha e Gasshô
segunda-feira, 27 de abril de 2009Quando meu professor se tornou o superior do tempo Higashi Honganji, ele criou o seguinte lema para aquele ano em particular: "A Paz Mundial Começa com Gasshô". Quanto mais pensei nisso, mais isso se tornou uma verdade para mim. A paz em casa também começa com gasshô. O gasshô não é necessariamente mostrado apenas na sua forma - colocando as mão juntas e reverenciando. Mesmo sem a forma ainda há o gasshô. O gasshô começa na mente de cada indivíduo - a mente que é capaz de respeitar os outros. Quando o marido respeita a esposa e vice-versa, e quando os pais respeitam os filhos e vice-versa, existe a fundação para a paz. A virtude não nos pertence; a virtude sempre tem vizinhos. Essa é a forma como a atitude do gasshô pode começar a vibrar em nosso ambiente. É pelo gasshô que podemos realizar a natureza de Buddha dentro de nós.
Postado por Jōken às 00:06 1 comentários
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Anotação aleatória (XX)
domingo, 5 de abril de 2009Me importar com o que os outros pensam de mim é inútil e me causa sofrimento. Isso vale para desejo de fama, sucesso, popularidade, qualquer tipo de reconhecimento, não querer passar vergonha e qualquer outro.
Postado por Jōken às 02:55 0 comentários
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