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O Simbolismo da Cruz

sábado, 3 de abril de 2010


Nesse momento para mim o principal significado da Cruz é o do perdão. Na cruz o Senhor Jesus Cristo falou:

"Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Lucas 23:34

Os atos ruins, que causam sofrimento, surgem da Ignorância. Por isso todos os erros são perdoáveis. Até o pior criminoso não faria o que fez se realmente compreendesse o que estava fazendo.

O perdão é um ato que tem a capacidade de transformar algo ruim em algo bom.

Uma ofensa não precisa ser seguida de outra ofensa. O perdão pode transformar uma ofensa em uma palavra doce.

O ódio não precisa ser seguido de ódio. O perdão pode transformar ódio em amor. O perdão e o amor se confundem.

O ato de perdoar parece não precisar de nenhuma pré-condição para poder acontecer. É uma característica inata nossa, é uma capacidade humana. Somos verdadeiramente capazes de perdoar, seja qual for a situação.

O Perdão verdadeiro é um ato puro que ignora quaisquer compensações passadas ou futuras. É por isso que Ele ressoa eternamente.

Esse para mim é o grande simbolismo da Cruz.


Vide também: Quebrando seqüências de atos ruins

Dia da Impermanência

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Monges do Deserto

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Os Monges do Deserto do Egito seguiam um caminho de três passos para o misticismo. O primeiro passo era chamado de "Purgatio", no qual o jovem monge lutava através de ações e práticas ascéticas para ganhar controle "da carne" - especificamente gula, luxúria e desejo de posses. Durante esse período, o jovem monge deveria aprender que qualquer força que ele tivesse para resistir a esses desejos (graça) vinha diretamente do Espírito Santo. No fim do "Purgatio", ou em grego "Catharsis", um período que frequentemente durava muitos anos, o monge havia aprendido a acreditar pacificamente no Senhor para todas as suas necessidades. Enquanto o monge atravessava essa etapa de purgação, ele se identificava com a tentação de Cristo no deserto (Mateus 4:1-11, Marcos 1:12-13, Lucas 4:1-13).

Nesse ponto o "Illuminatio" ou em Grego "theoria" começava. Durante esse período o monge aprendia os caminhos para a santidade revelada no Evangelho. Durante o "Illuminatio" muitos monges aceitavam visitantes e estudantes, e cuidavam dos pobres o tanto o quanto seus parcos recursos permitiam. Eles se identificavam fortemente com Cristo quando Ele ensinava o Sermão da Montanha, registrado em Mateus capítulos 5, 6 e 7. O monge continuava sua vida de humildade no Espírito de Deus; sua aceitação estóica do sofrimento frequentemente fazia dele o único homem capaz de tomar responsabilidades heróicas ou difíceis para a comunidade Cristã local. Muitos monges morriam sem nunca ter passado além dessa etapa.

O estágio final era o "Unitio", ou em grego, "theosis", um período no qual a alma do monge e o Espírito de Deus se ligavam em uma união frequentemente descrita como o casamento da Canção de Salomão (também chamada de "Canção das Canções" ou "Cântico do Cânticos"). Monges mais velhos frequentemente debandavam para o deserto profundo ou para florestas remotas para encontrar a solidão e a paz que esse nível de consciência mística demandava. Nesse estágio, o monge se identificava com o Cristo transfigurado, que após a ressurreição permanecia frequentemente oculto de seus discípulos. Ascetas que atingiam esse nível de iluminação ascética são chamados de Schema.

de http://en.wikipedia.org/wiki/John_Cassian

(De)Hierarquização das Pessoas e Seres

quarta-feira, 8 de julho de 2009

"Jesus Cristo ou Buddha, qual seria o maior, ou mais importante?". Na minha opinião, e pelo que sei do budismo, não há necessidade de se fazer nenhuma comparação desse tipo. Quem é maior ou menor, quem é mais importante ou menos importante, quem é superior ou inferior; essas são questões desnecessárias, não-importantes, e no fundo, sem sentido. Tem uma entrevista da Monja Coen Sensei em que ela conta sobre um sonho que teve sobre esse assunto.

Não há necessidade de nenhuma competição ou comparação. Isso não só entre Cristo e Buddha, mas entre qualquer pessoa. Ninguém deve se considerar superior, maior ou menor a ninguém. Quando quiseram apedrejar a mulher adúltera, Jesus Cristo disse: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”(João 8:7). Acusados pela própria consciência, ninguém se atreveu a continuar com a barbárie. Tampouco Jesus Cristo o fez, não por ser pecador, mas por não julgar e por perdoar, não se considerando superior aos outros, mas igual como Homem que também era.

Jesus Cristo também disse: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39). Veja que Cristo não diz "Ama teu próximo mais que a ti mesmo" ou "Ama a teu próximo menos que a ti mesmo". Ele conclama que não nos consideremos mais ou menos que os outros. E assim Cristo também o fez: “O meu mandamento é este (disse Jesus): Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei”. (João 15:12)

Mais ainda que isso: Cristo diz “Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam. Falai bem dos que falam mal de vós e orai por aqueles que vos caluniam.” (Lc 6,27-28). Ou seja, não devemos nos considerar superiores a ninguém, ninguém mesmo. Ninguém deve ser deixado para trás. Já me vi inventando desculpas esfarrapadas para não levar esses ensinamentos em consideração. É verdade que é muito difícil de fazer isso. É muito mais fácil amar e gostar daqueles que nos amam. Mas como disse Santo Agostinho: "Se você acredita no que você gosta do evangelho, e rejeita o que você não gosta, não é no evangelho que você acredita, mas em você mesmo."

Ensinamentos análogos são encontrados no budismo, como no Karaniya Metta Sutta:

"Todos os seres vivos que existem,
fracos ou fortes, sem exceção,
compridos, grandes,
médios, curtos,
sutis, grosseiros,

Visíveis e invisíveis,
próximos e distantes,
nascidos e por nascer:
que todos os seres sejam felizes no coração.

Que ninguém engane
ou despreze outrem, em nenhum lugar,
ou devido à raiva ou má vontade
deseje que alguém sofra.

Tal qual uma mãe, colocando em risco a própria vida,
ama e protege o seu filho, o seu único filho,
da mesma forma, abraçando todos os seres,
cultive um coração sem limites.

Com amor bondade para todo o universo,
cultive um coração sem limites:
Acima, abaixo e em toda a volta,
desobstruído, livre da raiva e da má vontade."

Transcedência poética da morte

sábado, 7 de março de 2009


Reza a tradição cristã que após Jesus Cristo ter sido crucificado, morto e sepultado, os seus discípulos reuniram-se em uma casa, onde Jesus Cristo apareceu vivo entre eles.

Eles se reuniram por causa de Cristo, em memória de Cristo, para realizar os ensinamentos de Cristo, para continuar a obra de Cristo, para praticar o amor de Cristo, em nome de Cristo.

Eu não tenho dúvidas que Jesus Cristo estava realmente entre eles.

Até hoje nas missas católicas o padre diz: - Que o Senhor esteja convosco.

E os fiéis respondem: - Ele está no meio de nós.

(...)

Até hoje nas cerimônias de diversas escolas budistas, em particular da Soto Zen, os praticantes recitam a tomada de refúgio nas Três Jóias:

- Tomo refúgio no Buddha, tomo refúgio no Dharma, tomo refúgio na Sangha.

Eles reúnem-se por causa do Buddha, em nome do Buddha, para realizar o Dharma de Buddha, para praticar a compaixão do Buddha, para continuar a obra do Buddha, tomando refúgio no Buddha.

Eu não tenho dúvidas que Buddha está verdadeiramente entre eles.

Como eu deveria praticar

sábado, 28 de fevereiro de 2009

(essa figura deve ser entendida como apontando para o autor, e não para o leitor)

Não é de minha competência julgar se outra pessoa fez algo errado ou não. Eu não posso esperar que as pessoas ajam como eu gostaria que elas agissem, isso é bobagem. Eu não tenho a menor autoridade moral para julgar os outros, e mesmo se tivesse, a perderia ao julgá-los. Nem mesmo Jesus Cristo reinvindicou ou autorizou esse direito (João 8:15, Mateus 7), quem seria eu para fazê-lo?

Na verdade eu devo partir do princípio que tudo que as outras pessoas fazem já está correto, o que eu mesmo faço é que deve ser cuidado, como um aspirante a praticante. Cuidar das próprias ações talvez seja a diferença entre um praticante e um não-praticante. Isso certamente não significa que o praticante é melhor que o não-praticante. Enquanto alguém for um não-praticante, não faz sentido ele praticar, já que ele é justamente um não-praticante. Ele está praticando o não-praticar, agindo exatamente conforme sua natureza temporária de não-praticante. Já um suposto praticante que não pratica está só enganando a si mesmo. Para ele ser um verdadeiro praticante, ele deve somente cumprir o seu papel: praticar o tempo todo.

Avaliando a mim mesmo, vejo que eu sou um não-praticante 99,9% do tempo. Talvez 100% do tempo. Isso não é motivo de vergonha, muito menos de orgulho, mas certamente é motivo para eu me esforçar mais. Especialmente na prática de zazen.

Quebrando seqüências de atos ruins

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009



Não é incomum que eu me ofenda com algo que alguém me diz. Muitas vezes minha reação impulsiva é responder com uma outra ofensa do mesmo tipo. Se eu julguei que a pessoa cometeu um erro ao me ofender, eu passo a cometer exatamente o mesmo erro ao ofendê-la, ou até pior: se supostamente eu sou capaz de distinguir o certo e o errado, considerando aquela ofensa como um ato errôneo, eu cometo um erro ainda maior ao optar deliberadamente por um ato errado.

Depois de algumas experiências desse tipo, vejo que o melhor a fazer é "engolir" a ofensa sempre que possível, sem guardar rancor*. Pode até doer muito naquele momento, mas acaba passando. Por outro lado, se eu rebater a ofensa, ou guardá-la, aquela seqüência de atos ruins se perpetua indefinidamente, causando sofrimento para todas as partes envolvidas. O melhor a fazer é quebrar aquela seqüência não-saudável tão logo que possível (se eu conseguisse agir assim, seria quase como um buraco negro, um sumidouro de ações prejudiciais).

O tradicional texto zen conhecido como Canto da Libertação – Shodoka diz:
“Se as pessoas ofenderem e difamarem você, deixe-os:
eles estão brincando com fogo, tentando queimar o céu.
Quando eu os ouço, suas palavras são gotas de néctar
que me mostram que esse momento está livre de conceituação.
Palavras ofensivas são bençãos disfarçadas,
e meus ofensores bons professores.
Esta mente tem espaço para difamação e ofensa
e é ela mesma compaixão e paciência sem originação.”

Espero não estar cometendo uma heresia, mas acho que posso entender um pouco mais o símbolo cristão da Paixão de Cristo: Cristo é o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo. Cristo foi cruelmente crucificado num ato terrível, mas Cristo não reagiu contra seus agressores na mesma moeda, pelo contrário: ofereceu-lhes seu perdão e a Paz de Cristo.

"Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Lucas 23:34



* Pois se guardar rancor, ela pode retornar mais tarde ou até ser descontada em outra pessoa, que não tinha nada a ver com a situação original.

O Adversário

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Crédito da imagem: Miramax Films

Em determinado ponto do Evangelho (Mateus 4), Jesus Cristo retira-se para o deserto e é tentado pelo Adversário. O que o Adversário lhe oferece é exatamente aquilo que Jesus Cristo poderia ser por si mesmo, sendo o Filho de Deus: o domínio total de todos os reinos do mundo, ser literalmente o rei dominante sobre toda a terra. Jesus Cristo não cede à tentação e segue o seu destino.

Quando o príncipe Siddharta nasceu o seu pai, o Rei Suddhodana, consulta diversos sábios sobre o destino de seu filho. Suas previsões foram as seguintes: ou Siddharta se tornaria o maior rei que já surgiu no mundo, ou seria um grande líder espiritual. O rei, é claro, quis que o destino de seu filho fosse se tornar um grande rei, e por isso mantinha o filho o máximo possível dentro dos palácios. No entanto, Siddharta acaba descobrindo que precisava seguir a vida espiritual, e abandona o lar, se tornando mais tarde o Buddha.

Siddharta também foi tentado por Mara logo antes de sua iluminação. Mara tenta lhe atrair com suas belas filhas, com prazeres sensuais, tenta lhe causar medo com monstros e demônios horríveis.

Em determinado momento Siddharta reconhece Mara como sendo um ilusão de si mesmo. Nesse momento Mara é vencido, e Siddharta se torna o Buddha, o Desperto.

Tal cena é retratada no belíssimo filme "O Pequeno Buddha" de Bernardo Bertolucci:



Mara: "Você vai aonde os outros não se arriscam, Você quer ser meu Deus?; O arquiteto de minha casa?"
Siddhartha: "Finalmente eu encontrei a ilusão de mim mesmo, Sua casa não será mais construída."
Mara: "Mas você vive em mim; Eu sou a sua casa."
Siddhartha: "Oh, enganador; fantasma de meu próprio ego, você é pura ilusão. Você, a ilusão de mim mesmo, não existe. A terra é minha testemunha."

Generosidade sem condições (atualizado)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Entende-se como generosidade não só doações materiais, mas todo tipo de doação, seja a de trabalho voluntário até o próprio ensino do Dharma, considerada por Buddha como a forma de generosidade com maior alcance benéfico para os seres.

A generosidade realizada para obtenção de benefício próprio é considerada incompleta, não só no Buddhismo como também em outras tradições religiosas.

Jesus Cristo (Mateus 6, 1:4) adverte quanto a ser generoso para ser reconhecido por outras pessoas:
"Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; Para que a tua esmola seja dada em secreto"

O texto zen Shodoka - O Canto da Libertação adverte ainda quanto a ser generoso em busca de recompensa divina ou espiritual:
"A caridade feita condicionada a recompensas celestiais
é como atirar flechas no céu.
Quando sua força é gasta, a flecha cai
assim como os seres ascendem e decaem."


O Bhagavad Gita (Capítulo 5 verso 12), a exemplo de diversos ensinamentos Buddhistas, adverte contra qualquer ação feita em busca de recompensas:
"Renunciando ao fruto de suas ações, o karma Yogi atinge um estado sublime de paz mental. Mas aquele que trabalha com o intuito de aproveitar os frutos de suas ações, assim apegado, fica preso no emaranhado da vida profana."
[Observação: no Buddhismo, entende-se como karma somente a ação em si, e não o resultado da ação - chamado de vipaka]
Cristo (Lucas 6:35) também fala sobre fazer o bem sem esperar nada em troca:
"Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus."

O Buddha no Sutra do Diamante afirma a mesma idéia:
"Subhuti, Bodhisattvas que alcançam méritos não devem ser algemados com desejos por recompensas."

É claro que é melhor que eu tente ser generoso, mesmo ainda apegado a alguma idéia de recompensa, do que não ser generoso de forma alguma. Mas é preciso que eu esteja atento para minimizar a possibilidade dessa generosidade se tornar um motivo de orgulho para o ego, fortalencendo-o.

Generosidade

domingo, 30 de novembro de 2008

Dana é um importante conceito buddhista, sendo o nome em Sânscrito e Pali ao que chamamos de generosidade. No Buddhismo, Dana compõe um certo paradoxo: quanto mais doamos, e quanto mais doamos sem buscar algo em troca, mais "ricos" ficamos, num sentido mais amplo.

O Buddha disse (Dana Sutra):
"Se os seres soubessem, como eu sei, os resultados de dar e compartir, eles não comeriam sem antes ter dado, nem permitiriam que a mácula do egoísmo tome conta das suas mentes. Mesmo se fosse o seu último bocado, a sua última mordida, eles não comeriam sem ter compartido, se houvesse alguém com quem compartir. Mas porque os seres não sabem, como eu sei, os resultados de dar e compartir, eles comem sem ter dado. A mácula do egoísmo toma conta das suas mentes."

A generosidade é uma prerrogativa espiritual tão essencial que atravessa facilmente as barreiras entre as religiões. Disse Jesus Cristo (Lucas 12:33):

Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói.

Novamente o Buddha (Addita Sutra):

“Portanto, quando o mundo arde
Com [as chamas] do envelhecimento e morte,
Ele deveria remover [sua riqueza] sendo generoso:
Aquilo que é dado está bem salvo.

Aquilo que é dado produz bons frutos,
Mas não aquilo que não é dado.
Ladrões ou reis roubam-no,
É queimado pelo fogo ou perdido."

Eu deveria cultivar muito mais a generosidade.

O Leão e o Cordeiro

sábado, 22 de novembro de 2008

Um dos símbolos mais conhecidos do Cristianismo é o do Leão e o Cordeiro. Cristo é o Cordeiro, que toma sobre si mesmo os pecados do mundo. Ao mesmo tempo é o Leão, trazendo consigo a espada. Juntos, leão e cordeiro representam a paz de Cristo.


O símbolo do leão também é muito usado no Buddhismo. O próprio Buddha comparou seu ensinamento com o rugido do leão. O rugido do leão é talvez o mais poderoso da natureza, podendo ser ouvido a vários quilômetros de distância. Similarmente, a palavra do Buddha atravessa os séculos, beneficiando uma imensidão de seres.


Ao longo do Evangelho, Cristo é insultado repetidas vezes, porém em nenhum momento responde com ofensa ao seu acusador. Ele recebe todo tipo de ofensas, é torturado e crucificado. Recebe tudo sobre si, sem se defender, tão manso e frágil como um cordeiro. "Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, não lhe negues também a túnica." (Lucas 6:29)


No Akkosa Sutra do Tripitaka, Buddha é insultado ferozmente pelo brâmane Akkosaka Bharadvaja pois um membro da sua família deixou o lar para seguir a Sangha de Buddha. Buddha escuta todos os insultos, sem reclamar ou rebater, e depois lhe oferece um ensinamento do Dharma. O brâmane fica tão impressionado que também se torna um discípulo de Buddha.


O tradicional texto zen conhecido como Canto da Libertação – Shodoka diz:

“Se as pessoas ofenderem e difamarem você, deixe-os:

eles estão brincando com fogo, tentando queimar o céu.

Quando eu os ouço, suas palavras são gotas de néctar

que me mostram que esse momento está livre de conceituação.

Palavras ofensivas são bençãos disfarçadas,

e meus ofensores bons professores.

Esta mente tem espaço para difamação e ofensa

e é ela mesma compaixão e paciência sem originação.”


Mas qual será a espada de Jesus Cristo? Aonde está o Leão? “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.” (Mateus 10:34) Mas se Cristo veio para salvar, como não trouxe a paz, e sim a espada?


Tal como Cristo, Buddha também nos oferece uma espada – o seu ensinamento, o método de prática Buddhista. Não conquista a paz por nós, só nos empresta a espada. Cada um tem que conquistar sua própria paz, ninguém pode fazer isso por nós. Temos que lutar para ajudar aos outros e alcançar nossa própria paz.