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Anotação aleatória (LVI)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012


Todos os dias eu acordo um pouco mais velho, tendo esquecido um pouco dos dias anteriores. E se algum dia eu acordar bem mais novo, tendo esquecido quase tudo dos dias anteriores?

Testemunho

sexta-feira, 12 de junho de 2009

De fato, eu não sei nada. Ou como disse Sócrates: "Só sei que nada sei."

Tudo o que eu acho que sei, até mesmo a quase totalidade das hipóteses científicas e históricas, na verdade foram outras pessoas que pesquisaram e testaram. Eu acredito nelas somente, mas de fato eu não sei realmente, se por exemplo, a teoria da relatividade foi realmente vastamente testada e comprovada, ou se o homem um dia pisou na Lua (embora eu acredite, é claro).

Nem mesmo no que eu mesmo testemunhei no passado eu posso confiar, pois isso dependeria de minha memória, que na verdade não é uma cópia exata de todas as sensações e percepções e está sujeita às mais diversas falhas.

A única coisa que eu posso saber, é o que está diante de mim agora, o que eu estou testemunhando nesse exato momento. Todo o resto é como um sonho duvidoso.

Vórtices e engrenagens

quinta-feira, 12 de março de 2009

Certa vez eu estava meditando com um pouco de sono, e quando fechei os olhos tive um brevíssimo sonho. Nada de mais, só um sonho. Nesse sonho eu vi diversos vórtices, girando uns contra os outros. Esses vórtices eram como pequenos furacões, eram vórtices fluidos. O movimento de cada vórtice influenciava o outro. A fronteira dos vórtices não era muita definida, eles se misturavam. Às vezes um vórtice engolia o outro, uns desapareciam, outros surgiam. O movimento de um vórtice movia o outro, que movia o outro, que movia de volta o vórtice anterior. Assim todos os vórtices eram interligados.

Depois desse sonho espontâneo, eu infelizmente tratei de interpretá-lo com a minha mente analítica de engenheiro. Logo substituí os vórtices fluidos por engrenagens girando. É claro que a imagem é bem mais pobre, mas talvez seja mais fácil de entender:


Surgem algumas dúvidas:

- Qual engrenagem move qual (ou qual engrenagem se moveu primeiro)?
Eu posso tentar responder essa. O movimento de uma engrenagem influencia todas as outras. E o movimento de todas as outras engrenagens influencia cada engrenagem individual. Não dá pra dizer qual se moveu primeiro, e nem isso parece importar muito: elas todas simplesmente se movem, simultaneamente.

- Qual a significância de uma engrenagem sozinha e isolada?
Uma engrenagem sozinha e isolada parece não ter significância nenhuma. Ela fica parada, ou mesmo se ela girasse, ela giraria tolamente em torno de coisa nenhuma. Ela só faz sentido em conjunto com as outras, girando em relação às demais, exercendo a sua função própria de engrenagem.

- O que acontece com o conjunto se eu tirar uma engrenagem dele?
Depende do arranjo da engrenagens ou situação das engrenagens considerada, eu diria. Quando as engrenagens estão totalmente interligadas umas às outras, tirar uma engrenagem não acarreta absolutamente nada: as demais engrenagens continuam a girar normalmente, como se nada tivesse acontecido. Eu diria que a engrenagem que foi removida continua implícita no conjunto. Nessa interpretação cada engrenagem não tem uma importância individual inerente, pois ela está representada implicitamente no conjunto de todas as demais.

Porém numa outra situação (num conjunto parcial de poucas engrenagens por exemplo), ou numa outra interpretação diferente, estando as engrenagens fracamente interligadas, a remoção de uma única engrenagem pode parar todo o carretel. Nesse ponto de vista, a importância da engrenagem individual é total, pois do movimento ou da simples presença dela como transmissora de movimentos depende o movimento de todas as demais engrenagens.

- A engrenagem pode girar no sentido contrário às demais, ou levemente fora do eixo?
Ela pode até tentar, mas não vai conseguir e vai se desgastar desnecessariamente. O melhor é ajudar as outras engrenagens a girar corretamente, harmoniosamente, sem atritos.