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O comportamento de um indivíduo é influenciado pelo comportamento do grupo (e ocasionalmente vice-versa)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

De modo geral, quando um indivíduo é imerso em um grupo mais ou menos homogêneo, ele tende a adquirir as características desse grupo. Essa constatação é feita baseada no senso comum, pesquisa histórica e observação própria.

Um exemplo: No Rio de Janeiro, há um costume popular nada louvável de jogar lixo na praia. A maioria das pessoas que frequentam a praia simplesmente jogam lixo no chão. Mas um desses indivíduos, se levado a uma praia em outra cidade em que ninguém joga lixo no chão, provavelmente não se sentirá tão "à vontade" para continuar jogando lixo no chão.

É por isso que é importante se associar com bons amigos. A associação com um grupo equilibrado tenderá a tornar a pessoa equilibrada. A associação com um grupo sem harmonia tenderá a afastar a pessoa da harmonia.

Se uma pessoa se associar com bandidos, dificilmente escapará de tornar-se um. Se a associação for com uma Sangha que segue o Caminho de Buddha, a tendência é que a pessoa passe a seguir o Caminho de Buddha.

(É verdade, no entanto, que existem indivíduos tão equilibrados que o comportamento de um grupo não é capaz de influenciá-los, pelo contrário, eles é que influenciam o comportamento do grupo.)

3+3+10 Preceitos

quinta-feira, 25 de março de 2010

Os 16 preceitos tomados na cerimônia de Jukai, mas é claro que qualquer pessoa e ser pode segui-los.

(As Três Jóias)

  1. Tomar refúgio no Buddha NAMU JIPPO BUTSU
  2. Tomar refúgio no Dharma NAMU JIPPO HÔ
  3. Tomar refúgio na Sangha NAMU JIPPO SÔ


(Os Três Preceitos Puros) OM SAMMAYA SATO BAN

  1. Não criar Mal
  2. Praticar o Bem
  3. Realizar Bem para Outros


(Os Dez Preceitos Solenes)

  1. Afirmar a vida; Não matar
  2. Ser generoso; Não roubar
  3. Honrar o corpo; Não usar incorretamente a sexualidade
  4. Manifestar a verdade; Não mentir
  5. Proceder claramente; Não enuviar a mente
  6. Ver a perfeição; Não falar das faltas e erros dos outros
  7. Perceber a si mesmo e aos outros como um só; Não elevar-se e culpar os outros
  8. Dar generosamente; Não ser avarento
  9. Realizar a harmonia; Não ser raivoso
  10. Experimentar a intimidade das coisas; Não manchar as Três Jóias

Bons amigos (II)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Trecho do excelente livro "Gestos de Equilíbrio", de Tarthang Tulku Rinpoche:

"O caminho espiritual tem muitos obstáculos, tais como os nossos diálogos interiores, as nossas emoções, os nossos medos e até os nossos amigos ou famílias. Daí que as boas influências sejam cruciais. Desde que estejamos interessados no caminho espiritual, a associação com os que têm uma natureza semelhante pode ajudar a suportar e a proteger-nos, e pode criar menos confusão para nós. O principiante tem muitos problemas, e por isso lhe é difícil focalizar o caminho sem esse tipo de ajuda. Será ótimo podemos tomar conta de nós mesmos mas, enquanto não o pudermos fazer, é importante escolher um ambiente espiritual e harmonioso que nos apóie. Isso não significa que devemos evitar o mundo - senão que devemos proteger-nos até certo ponto. À proporção que desenvolvermos nossa força interior, seremos talvez capazes de cuidar dos outros assim como de nós mesmos."

A perspectiva de terceira pessoa (Parte IV: Ainda sobre estar sozinho)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

São ainda relevantes sobre esse assunto (estar sozinho e praticar sozinho) dois textos publicados no blog do Monge Genshô:

O primeiro é um texto de Soyen Shaku (1859-1919) Mestre Zen da escola Rinzai - apelidado no blog do Genshô como Modo de Viver. Eu li esse texto pela primeira vez no blog de Michel Seikan, e muito me chamou a atenção. As sugestões desse texto atacam diretamente alguns dos meus principais defeitos: a falta de disciplina, agir na frente de outras pessoas diferentemente de quando eu estou sozinho, falar e não praticar, e excesso de preguiça ao acordar. Especialmente, quando estou na frente de outras pessoas, procuro agir melhor do que quando estou sozinho (o que denota insinceridade da minha parte).

O segundo é um ensinamento que o Monge Genshô gosta muito de passar, sobre o símbolo do pinheiro na escola Soto Zen. "Na Soto Zen o símbolo do monge é uma folha de pinheiro, porque os pinheiros crescem retos se estão juntos com outros, assim, com estes pode se fazer mastros de navios, retos e direitos, os pinheiros que nascem isolados ficam tortos." Daí a importância de praticar numa comunidade, daí a importância fundamental da Sangha.

Amigos do Dharma

segunda-feira, 2 de março de 2009


Eu sinto como se eu os conhecesse há um longo, longo tempo. Sinto falta deles. É uma pena não ter participado do Sesshin.

Veja mais fotos do Sesshin de Carnaval 2009 em Florianópolis aqui.

Bons amigos

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O que é um bom amigo? Será a definição de bom amigo aquele sempre pronto para me acompanhar em festas, jogos, qualquer diversão ou lazer? Aquele que sempre concorda com tudo que eu falo e penso? Ou aquele que gosta de tudo que eu gosto e não gosta de tudo que eu não gosto? Uma das definições mais antigas de um falso amigo é a do amigo de Jó: Na alegria ele aparece, na tristeza ele some.

Eu acho que a definição de um bom amigo é aquele que é um bom amigo, independente do que aconteça. É um bom amigo, simplesmente por ser. Lhe ajuda, não esperando absolutamente nada em troca. Ele lhe oferece ajuda nos momentos difíceis, é o mesmo na alegria e na tristeza, dá bons conselhos, é compassivo. Ele lhe acolhe nos momentos difíceis, o refreia de fazer coisas erradas (que possam causar seu próprio mal ou de outros), lhe encoraja a fazer o bem.

O engraçado é que muitas pessoas não buscam a amizade de verdadeiros bons amigos, e até se afastam deles - muitas vezes, por motivos bobos. Um bom e verdadeiro amigo pode não gostar muito de festas, pode nos dar conselhos dos quais não gostemos muito (por contrariar nossa vontade), pode não gostar do mesmo tipo de música, pode não corresponder às nossas expectativas sociais.

Agora, como posso eu mesmo ser um bom amigo? - Agindo da mesma forma, ou seja, sem condições, sem esperar nada em troca, sem ser interesseiro. Posso até mesmo retribuir a um bom amigo, sendo um bom amigo dele, não por ele esperar algo de mim, ou por eu esperar algo dele - simplesmente por ser um bom amigo.

Na verdade um excelente amigo, uma pessoa verdadeiramente admirável, é um bom amigo de qualquer pessoa, de todas as pessoas, sem distinção. É amigo até mesmo de seu inimigo. Ele não espera nada em troca para ser um bom amigo, absolutamente nada em troca, nem mesmo reconhecimento, nem ganho espiritual - age verdadeiramente incondicionalmente, a todo momento, em todos os lugares.

Ananda disse ao Buddha:
“Venerável senhor, isto é metade da vida espiritual, ter pessoas admiráveis como bons amigos.”
Respondeu-lhe o Buddha:
“Não diga isso, Ananda. Não diga isso, Ananda. Isso é toda a vida espiritual, Ananda, isto é, ter pessoas admiráveis como bons amigos."