Eu sempre me questionei como poderia ter dezenas de milhares de Boddhisattvas presenciando as palavras do Buddha nas assembleias de diversos sutras Mahayana. Até que eu me dei conta que até hoje existem Boddhisattvas ouvindo as palavras dos Buddhas.
Todos os Buddhas e Boddhisattvas nas dez direções
quinta-feira, 4 de julho de 2019Postado por Jōken às 22:24 0 comentários
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Engolindo sapos
quinta-feira, 9 de setembro de 2010É relevante também a seguinte menção (acho que do Sutra Avatamsaka): "Um bodhisattva se preocupa com o que faz, não com o que recebe. Um homem comum se preocupa com o que recebe, e não com o que faz."
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Monges do Deserto
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010Nesse ponto o "Illuminatio" ou em Grego "theoria" começava. Durante esse período o monge aprendia os caminhos para a santidade revelada no Evangelho. Durante o "Illuminatio" muitos monges aceitavam visitantes e estudantes, e cuidavam dos pobres o tanto o quanto seus parcos recursos permitiam. Eles se identificavam fortemente com Cristo quando Ele ensinava o Sermão da Montanha, registrado em Mateus capítulos 5, 6 e 7. O monge continuava sua vida de humildade no Espírito de Deus; sua aceitação estóica do sofrimento frequentemente fazia dele o único homem capaz de tomar responsabilidades heróicas ou difíceis para a comunidade Cristã local. Muitos monges morriam sem nunca ter passado além dessa etapa.
O estágio final era o "Unitio", ou em grego, "theosis", um período no qual a alma do monge e o Espírito de Deus se ligavam em uma união frequentemente descrita como o casamento da Canção de Salomão (também chamada de "Canção das Canções" ou "Cântico do Cânticos"). Monges mais velhos frequentemente debandavam para o deserto profundo ou para florestas remotas para encontrar a solidão e a paz que esse nível de consciência mística demandava. Nesse estágio, o monge se identificava com o Cristo transfigurado, que após a ressurreição permanecia frequentemente oculto de seus discípulos. Ascetas que atingiam esse nível de iluminação ascética são chamados de Schema.
de http://en.wikipedia.org/wiki/John_Cassian
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A estranha linha entre o aprendizado e o ensino (II)
domingo, 27 de setembro de 2009Estou escrevendo esse texto pois reli A estranha linha entre o aprendizado e o ensino, e achei que aquele pode possivelmente ser interpretado de algumas formas que eu não havia intencionado. Gostaria de tentar minimizar possíveis interpretações não intencionadas.
Primeiro, aquele texto não quer dizer que não há importância na relação professor-aluno / mestre-discípulo. Pelo contrário, gostaria de mostrar (talvez hesitante e tortuosamente) como é importante e sutil essa relação.
Segundo, o conteúdo daquele texto jamais deverá servir de pretexto para que um aluno não respeite o professor. Pelo contrário, o melhor é que o aluno sempre tenha o máximo respeito pelo professor. Se o aluno for orgulhoso o suficiente para não respeitar o professor, certamente será orgulhoso demais para aprender qualquer coisa.
Como eu sou somente um aluno, tenho muito pouco entendimento sobre o que um professor deve ensinar. Aquele texto tenta somente elaborar um pouco o que o aluno deve aprender.
Já li em algum lugar uma citação atribuída a Boddhidharma, que diz que somente uma pessoa em um milhão têm as condições necessárias para alcançar a iluminação sem um professor. A não ser que se queira jogar numa loteria de vida ou morte, o melhor a fazer é encontrar um professor o mais rapidamente o possível.
Quando eu digo que de certa forma nem o professor ensina, nem o aluno aprende, não quero dizer que não há trabalho da parte dos dois. Pelo contrário, o trabalho é ainda mais árduo por causa disso. O que eu quero dizer é que o aluno tem diversas visões errôneas, pré-concepções e pré-conceitos, muito difíceis de desfazer (desaprender). O trabalho do professor é ensinar técnicas e métodos para que o aluno possa desfazer esses nós. O trabalho do professor não é nem um pouco fácil. Isso porque diferentes alunos podem ter diferentes e complicados nós para desatar. O trabalho do aluno é desfazer os nós ele mesmo, pois os nós ficam dentro dele, onde o professor não pode alcançá-los.
Não basta ao aluno aprender a técnica de desatar os nós. Ele tem que aplicar a técnica com sucesso, desatando os nós, isso é o mais difícil. Depois disso ele poderia até jogar a técnica fora. Mas aí pode chegar a hora de um trabalho ainda mais nobre (e interminável): ensinar a técnica para outros.
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Poema da fuga sem significado
sábado, 19 de setembro de 2009Eu posso tentar fugir, mas eles irão me alcançar
Não há onde me esconder.
Eu posso tentar me enganar,
Mas no fim eles abrirão meus olhos.
Eu posso ir até a montanha mais alta do planeta
Eles estarão lá.
Mesmo no fundo do oceano,
Não tenho como escapar.
Ainda que eu esteja completamente sozinho,
A presença deles será refulgente.
Quando eu finalmente cansar de minha fuga sem sentido,
Inevitavelmente irei conhecê-los.
Todos os boddhisatvas, mahasatvas
Não há nada que esteja além de seu alcance.
Seus votos são irrevogáveis.
Pode a ilusão ser superada com a ajuda de outra ilusão?
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O Coração do Sutra Prajna Paramita - Versão muda (hanzi/kanji)
quinta-feira, 10 de setembro de 2009Postado por Jōken às 23:27 2 comentários
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Canto (não-tradicional) do Coração do Sutra Prajna Paramita (em japonês)
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Kanji zai bosatsu. Gyojin hannya haramita ji. Shoken go onkaku. Do i issaï ku yaku.
Sharishi. Shiki fu i kû. Kû fu i shiki. Shiki soku zékû. Kû soku zé shiki. Jusô gyo shiki. Yakubu nyozé.
Sharishi. Zécho hokû sô. Fushô fumetsu. Fuku fujô. Fuzô fugen. Zékokû chû. Mu shiki mu ju sô gyo shiki.
Mugen ni bi zesshin. Mu shiki shokô mi soku ho. Mugen kai nai shimu i shiki kai. Mu mu myô yaku mu mu myô jin. Naishi murô shiyaku murô shinjin. Muku shû metsu dô. Muchi yaku mu toku. I mushotoku ko.
Bodai sat ta. E hannya haramita ko. Shinmu kégému kégéko. Mu û ku fu. On ri issaï tendô musô. Kugyô néhan. Sanzé shobutsu. E hannya haramitako. Toku a nokuta rasan myaku san bodaï. Kochi Hannya haramita. Zédai jin shû. Zédai myô shû. Zému jô shû. Zému todo shû. Nojo issaï ku. Shin jitsu fu. Koko ketsu hannya haramita shû. Soku setsu shû watsu.
Gyatei, gyatei, hara gyatei, hara sô gyatei, Boji sowaka. Hannya shingyô
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Canto (não-tradicional) do Coração do Sutra Prajna Paramita (em Sânscrito)
terça-feira, 8 de setembro de 2009Vyavalokiti Smaa Panca-skanda Asatta Sca Svabhaba Sunyam Pasyati Smaa
Iha Sariputra, Rupam Sunyam Sunyata iva Rupam.
Rupa Na. Vrtta Sunyata, 'Sunyataya Na Vrtta Sa Rupam Yad Rupam-Sa-sunyata, Yad Sunyata Sa-rupam Evam Eva. Vedana, Samjna Sam-skara Vijnanam
Iha Sariputra Sarva Dharma Sunyata-Laksana Anutpanna Aniruddha, Amala A-vimala, Anuna A-paripurna
Tasmat Sariputra Sunyatayam Na Rupam, Na Vedana, Na Samjna, Na Samskara, Na Vihnanam. Na Caksu Srotra Ghrana Jihva Kaya Manasa, Na Rupam Sabda Gandha Rasa Sparstavya Dharma
Na Cakso-dhatu Yavat Na Manovijnam-dhatu Na Avidya, Na Avidya Kasayo. Yavat Na Jara-maranam, Na Jara Marana Ksayo. Na Dukha Samudaya, Nirodha, Marga
Na Jnana, Na Prapti, Na Abhi-samaya, Tasmat Na Prapti Tva Bodhisattvanam, Prajna-paramitam Asritya Viharatya Citta Avarana, Citta Avarana Na Shitva Na Trasto, Vi-paryasa Ati Kranta Nistha Nirvanam.
Try-adhva Vyavasthita sarva, Buddha Prajna-paramitam A-sritya Anuttara-samyak-sambodhim Abhi-sambuddha.
Tasmat Jnatavyam Prajna Paramita Maha-mantra, Maha-vidhya Mantra, Anuttara Mantra, Asama-samati Mantra. Sarva Dukha Pra-samana Satyam Amithyatva
Prajna-paramita Mukha Mantra Tadyatha,
Gate Gate Para-gate Para-samgate Bodhi Svaha
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A Pizza e o Zen
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Alguns dos maiores "segredos" do universo podem ser explicados com uma metáfora muito simples: uma pizza e um cortador.A pizza inteira é o Mundo (o conjunto de todas as coisas, Tudo, todos os fenômenos, o Universo, ou como você quiser chamar). O cortador é a mente (e de fato o cortador não é separado da pizza, mas façamos uma licença poética, senão não haveria como pretender explicar qualquer coisa).
Usualmente o cortador faz aquilo que ele gosta de fazer: corta a pizza em pedaços (virtuais). A um dos pedaços (com o qual o cortador insiste em se identificar), ele chama de Eu. Assim ele começa dividindo a pizza entre o pedaço Eu (sujeito) e o outro pedaço (objeto). Porém ele não pára por aí: ele divide a pizza em uma miríade de outros pedaços, objetos, fenômenos e todas as dez mil coisas (alegoria chinesa para a infinita diversidade das coisas e fenômenos).
A metáfora é um pouco pobre pois de fato a pizza não é estática: ela é algo dinâmico, que muda o tempo todo (uma metamorfose ambulante, diria o Raul). Assim, para um certo desespero do cortador (a mente), as fatias também mudam o tempo todo, se transformam. Por exemplo, o que antes eram as fatias semente, gás carbônico, água, luz solar e nutrientes do solo, agora é uma fatia árvore. O que antes era uma fatia árvore, agora é uma fatia lenha. O que antes era uma fatia lenha, agora é a fatia carvão queimando na lareira, virando fatia gás carbônico, fatia vapor d'água e fatia luz novamente. E assim por diante.
Se a pizza é Um, as fatias são frações (como aprendemos no primário). Logo, as multiplicidades nada mais são do que frações do Um, ou Unicidade, cortadas pelo cortador (a mente). Toda multiplicidade começa com uma dualidade. Assim a maioria das coisas são dualidades de dualidades de dualidades... que para complicar um pouco mais, às vezes se sobrepõem umas às outras, em diversas camadas (como pizzas fatiadas em tamanhos diversos empilhadas umas sobre as outras).
Porém o cortador não precisa necessariamente continuar cortando tudo que vê pela frente, mantendo seus hábitos e pré-concepções. Através de um treinamento adequado, o cortador pode fazer algo diferente: Cortar em Um (mesmo nome do blog de meu amigo Seigaku - uma alusão à Manjusri, o boddhisatva da sabedoria, cuja espada corta em um). Cortar em Um é o próprio Zen (palavra japonesa), que vêm do chinês Chan, que por sua vez vem do sânscrito Dhyana, ou pali Jnana - que significa simplesmente meditação. Dhyana por sua vez nada mais é (também não escapa da Unicidade) que Prajna, ou Sabedoria (acho que essa é de Hui Neng).
Assim, "aprender o que é a Sabedoria" significa estar livre de pré-concepções: "estar livre de pré-concepções" é o que "estudar a Sabedoria" é - Dogen Zenji (Shobogenzo, capítulo 2 - Makahannya-haramitsu).
Estranhamente, ainda insisto em me ver e agir como uma fatia de pizza. Assim, lamento pela falta de informações adicionais.
P.S.: Desculpe pelo excesso de parênteses nos textos. É mania de programador.
P.S.S.: O "pára" do segundo parágrafo ficou com acento de propósito. Apesar de meu português ser ruim, me recuso a aceitar a reforma ortográfica, ainda mais ao ler livros antigos e constatar que o português era muito mais bonito antigamente, antes de várias reformas.
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A Queda de Adão
domingo, 16 de agosto de 2009(Atenção! O texto a seguir é potencialmente inapropriado, vide algumas ressalvas em Avisos.)
A Queda de Adão, ou A Queda do Homem, ou simplesmente 'a Queda' é talvez o símbolo e o ponto fundamental da Bíblia. Muitos levam a história de Adão e Eva ao pé da letra, outros a descartam como mitologia inventada arbitrariamente, ou pura historinha de criança. Eu já gosto de interpretá-la simbolicamente, o que é somente meu ponto de vista. De um certo modo, todos estão certos. De outro certo modo, todos estão errados.
Minha interpretação particular é de que a Queda do Homem simboliza simplesmente a separação do homem de Deus, ou separação de sua Natureza Original, ou em outras palavras, a dualidade inicial. Na Bíblia isso ocorre quando Adão e Eva comem da fruta da 'Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal'. Mais genericamente, poderia-se dizer que é a Árvore do Conhecimento de todas as dualidades e diferenciações: Bem e Mal, Sujeito e Objeto, Dentro e Fora, Eu e Não-Eu, Grande e Pequeno, Longe e Perto, etc. Poderia-se dizer que essas dualidades, ou separações, são a origem do sofrimento. (Desculpem-me pela fuga da interpretação tradicional de "pecado original", mas no momento estou querendo generalizar o máximo o possível.)
A Árvore é 'do Conhecimento' simplesmente porque essas diferenciações são meramente interpretativas/cogniscíveis, isto é, não são reais de um ponto de vista universal/absoluto, no máximo aparentemente reais de um ponto de vista particular/relativo, ou a partir de definições arbitrárias/axiomáticas.
Até onde sei, quase todas as religiões falam de algo parecido com a Queda de Adão de uma forma ou de outra.
No Taoísmo, eu diria que a Queda de Adão dá-se a partir da dualidade inicial, ou Yin e Yang. Antes da dualidade, há a Unicidade fundamental, ou Taiji. E antes da Unicidade, há o Nada fundamental ou Wuji.
No Budismo, a dualidade inicial é a Forma-Vazio. Mas diz o Sutra do Coração: forma é vazio, vazio é forma. A forma em si é vazio, o vazio em si é forma. Ou seja, ambos forma e vazio não possuem existência independente/inerente. Quando o Boddhisatva Avalokitesvara "viu" claramente que todos os agregados são vazios de existência independente/inerente, ele se libertou de todo o sofrimento.
O caso 23 da coleção de koans Mumonkan segue assim:
Eno, o Sexto Patriarca do C'han (Zen) Chinês, estava sendo perseguido pelo monge Emyo até Daiyurei. O patriarca, vendo que Emyo estava chegando, soltou o manto e a tigela em uma pedra, e disse a ele:
- Esse manto representa a fé. Por acaso ele deve ser disputado pela força? Você pode tomá-los agora.
Emyo foi até a tigela e o manto porém eles eram tão pesados quanto montanhas. Ele não conseguia movê-los. Hesitando e tremendo, ele perguntou ao Patriarca:
- Eu vim pelo ensinamento, não pelo manto. Por favor, me desperte!
O patriarca lhe perguntou:
- O que é primordialmente Emyo (isto é, sua Face Original), se você não pensar 'isto é o bem' nem pensar 'isto é o mal'?
Naquele momento, Emyo teve um grande despertar.
Meu comentário: O grande despertar de Emyo parece com a Queda de Adão, ao contrário.
P.S.:
Alguém pode dizer que eu estou forçando a barra, querendo dizer que coisas totalmente diferentes são semelhantes. E ele está certo, realmente eu estou forçando a barra, e estou querendo dizer que coisas totalmente diferentes são semelhantes. De qualquer forma é tudo uma questão de simbologia. Ou seja, tanto faz eu dizer que o gato está subindo na mesa, ou o cachorro descendo da mesa. Nesse caso, eu quero dizer que o cachorro é o gato e descer é subir. A mesa é mesa mesmo, para não complicar muito. Ou seja, o importante é estarmos falando da mesma coisa. Ou a mesma lua sendo apontada pelo dedo. Meditadores, programadores e linguistas talvez me entendam mais facilmente.
Postado por Jōken às 18:37 0 comentários
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(De)Hierarquização das Pessoas e Seres
quarta-feira, 8 de julho de 2009Não há necessidade de nenhuma competição ou comparação. Isso não só entre Cristo e Buddha, mas entre qualquer pessoa. Ninguém deve se considerar superior, maior ou menor a ninguém. Quando quiseram apedrejar a mulher adúltera, Jesus Cristo disse: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”(João 8:7). Acusados pela própria consciência, ninguém se atreveu a continuar com a barbárie. Tampouco Jesus Cristo o fez, não por ser pecador, mas por não julgar e por perdoar, não se considerando superior aos outros, mas igual como Homem que também era.
Jesus Cristo também disse: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39). Veja que Cristo não diz "Ama teu próximo mais que a ti mesmo" ou "Ama a teu próximo menos que a ti mesmo". Ele conclama que não nos consideremos mais ou menos que os outros. E assim Cristo também o fez: “O meu mandamento é este (disse Jesus): Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei”. (João 15:12)
Ensinamentos análogos são encontrados no budismo, como no Karaniya Metta Sutta:
"Todos os seres vivos que existem,
fracos ou fortes, sem exceção,
compridos, grandes,
médios, curtos,
sutis, grosseiros,
Visíveis e invisíveis,
próximos e distantes,
nascidos e por nascer:
que todos os seres sejam felizes no coração.
Que ninguém engane
ou despreze outrem, em nenhum lugar,
ou devido à raiva ou má vontade
deseje que alguém sofra.
Tal qual uma mãe, colocando em risco a própria vida,
ama e protege o seu filho, o seu único filho,
da mesma forma, abraçando todos os seres,
cultive um coração sem limites.
Com amor bondade para todo o universo,
cultive um coração sem limites:
Acima, abaixo e em toda a volta,
desobstruído, livre da raiva e da má vontade."
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Anotação aleatória (XXX)
terça-feira, 30 de junho de 2009Suspeito que esse assunto seja algo mais importante do que eu consigo compreender.
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Anotação aleatória (XXI)
domingo, 5 de abril de 2009Às vezes parece ser necessário sacrificar minha própria alegria egoísta para possibilitar a felicidade de outro, engolindo o meu orgulho temporariamente. Talvez fosse melhor engolir esse orgulho sempre.
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Anotação aleatória (XII)
quarta-feira, 4 de março de 2009É mais fácil eu ajudar o mundo a realizar as suas vontades do que querer que o mundo realize as minhas vontades.
Embora ambas possam coincidir.
Postado por Jōken às 21:39 0 comentários
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Juntando partes (ou: Costurando retalhos)
terça-feira, 3 de março de 2009Thich Nhat Hahn
Não é raro que eu entre em um estabelecimento comercial ou público em que as pessoas pareçam não ter nenhuma vontade de me atender. Elas agem com aparente má-vontade, mal-humoradas, às vezes até grosseiramente. Isso é particularmente comum no Rio de Janeiro, mais do que em outras cidades que eu conheço.
Usualmente, ao menos comigo é assim, as pessoas externalizam o que estão sentindo por dentro. Se eu estou me sentindo amargurado, ajo amarguradamente. Logo, essas pessoas, como eu mesmo às vezes, agindo com aparente infelicidade, provavelmente estão se sentindo infelizes por dentro. Isso é digno de compaixão da minha parte, não de raiva ou rejeição.
Essas pessoas provavelmente estão insatisfeitas com o seu trabalho ou com sua vida. Se sentem insatisfeitas por dentro. Assim, agem de maneira insatisfeita. Se agissem com felicidade, provavelmente se sentiriam internamente felizes. Muitas vezes uma situação extrema pode motivar a insatisfação, como um chefe hostil ou um salário insuficiente. Outras vezes, ao menos me parece, a própria pessoa inventa desculpas para estar continuamente insatisfeita. Isso eu deduzo de algumas ocasiões em que eu mesmo, estando me sentindo extremamente insatisfeito, ao examinar melhor a situação concluí que não havia absolutamente motivo algum para estar insatisfeito, aquela insatisfação era totalmente artificial. Parece ser uma certa dormência, na qual a pessoa se afunda e tem extrema dificuldade de sair.
Quando eu ajo com felicidade para com as outras pessoas, eu me sinto internamente feliz. Quando eu trato mal as outras pessoas, eu me sinto internamente triste.
Se uma pessoa me tratar mal, e eu respondê-la da mesma maneira, ambas vamos ficar tristes. Se uma pessoa me tratar mal, e eu respondê-la com ternura e bondade, há uma chance de ambas ficarmos felizes.
Se eu estou me sentindo triste, e continuar agindo com tristeza, vou continuar me sentindo triste. Porém se eu estou me sentindo triste, mas procurar agir com alegria, talvez logo passe a me sentir contente.
Assim, a maneira como eu ajo é refletida internamente. Porém, a maneira como eu me sinto internamente também reflete no modo como eu ajo. Como passar a agir de maneira diferente de como eu estou me sentindo internamente? A resposta parece estar nesse exato momento:
Postado por Jōken às 23:02 0 comentários
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Bons amigos
segunda-feira, 24 de novembro de 2008Eu acho que a definição de um bom amigo é aquele que é um bom amigo, independente do que aconteça. É um bom amigo, simplesmente por ser. Lhe ajuda, não esperando absolutamente nada em troca. Ele lhe oferece ajuda nos momentos difíceis, é o mesmo na alegria e na tristeza, dá bons conselhos, é compassivo. Ele lhe acolhe nos momentos difíceis, o refreia de fazer coisas erradas (que possam causar seu próprio mal ou de outros), lhe encoraja a fazer o bem.
O engraçado é que muitas pessoas não buscam a amizade de verdadeiros bons amigos, e até se afastam deles - muitas vezes, por motivos bobos. Um bom e verdadeiro amigo pode não gostar muito de festas, pode nos dar conselhos dos quais não gostemos muito (por contrariar nossa vontade), pode não gostar do mesmo tipo de música, pode não corresponder às nossas expectativas sociais.
Agora, como posso eu mesmo ser um bom amigo? - Agindo da mesma forma, ou seja, sem condições, sem esperar nada em troca, sem ser interesseiro. Posso até mesmo retribuir a um bom amigo, sendo um bom amigo dele, não por ele esperar algo de mim, ou por eu esperar algo dele - simplesmente por ser um bom amigo.
Na verdade um excelente amigo, uma pessoa verdadeiramente admirável, é um bom amigo de qualquer pessoa, de todas as pessoas, sem distinção. É amigo até mesmo de seu inimigo. Ele não espera nada em troca para ser um bom amigo, absolutamente nada em troca, nem mesmo reconhecimento, nem ganho espiritual - age verdadeiramente incondicionalmente, a todo momento, em todos os lugares.
Ananda disse ao Buddha:
“Venerável senhor, isto é metade da vida espiritual, ter pessoas admiráveis como bons amigos.”
Respondeu-lhe o Buddha:
“Não diga isso, Ananda. Não diga isso, Ananda. Isso é toda a vida espiritual, Ananda, isto é, ter pessoas admiráveis como bons amigos."
Postado por Jōken às 18:44 0 comentários
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