
Folha flutuando rio abaixo
Apenas descendo o rio
Sem nenhum objetivo em particular
É livre para continuar
Nem certo nem errado
Apenas continua rio abaixo
Bolha aqui, bolha acolá
Que problema poderia haver?
Gentilmente descendo o rio
Somente flutuando
Para a esquerda ou para a direita
Não há preferências.
Separada porém não separada
A folha flutua na água
A água flui ao redor da folha
É a água que move a folha
Ou a folha que move a água?
Por que se preocupar?
Espuma aqui, espuma acolá
Nada a ganhar, nada a perder,
O que perda e ganho significam?
Tudo está no seu devido lugar:
espumas e folhas flutuantes
descendo rio abaixo.
Folha flutuando rio abaixo
quinta-feira, 11 de abril de 2019Postado por Jōken às 18:23 0 comentários
Anotação aleatória (XLI)
quarta-feira, 11 de novembro de 2009Optar pela não-liberdade pode ser também um exercício da liberdade.
Postado por Jōken às 20:29 0 comentários
Marcadores: karma, liberdade, originação_dependente, tolices
Anotação aleatória (XL)
terça-feira, 10 de novembro de 2009Postado por Jōken às 20:56 0 comentários
Marcadores: aparências, condicionamentos, karma, koan, liberdade, originação_dependente
Mini-estudo sobre as possíveis ações de uma pessoa livre das amarras de seu próprio ego
sábado, 7 de novembro de 2009Uma pessoa que não é amarrada aos desmandos de seu próprio ego dificilmente irá roubar / tomar o que não lhe é dado. Isso porque a ação "roubar" geralmente é causada por uma motivação egóica (eu quero isso, eu quero aquilo, preciso de dinheiro para comprar aquilo para mim, etc.)
Porém, é possível que a pessoa não roube por uma motivação egóica. Por exemplo, ela não rouba para obter alguma vantagem divina.
De fato, tecnicamente para a pessoa livre de amarras, "roubar" não existe, pois esse é um conceito totalmente artificial, baseado em relações de posse virtuais, de egos virtuais. A ação de cometer o roubo, no entanto, é altamente improvável, visto que não há qualquer motivação para a mesma.
Pelo contrário, há a motivação contrária ao roubo: se roubar, outras pessoas poderão sofrer (pois elas são apegadas aos conceitos "roubo, posse"), e além disso a pessoa que rouba com razoável probabilidade irá sofrer punições desnecessárias pelo roubo.
Não sendo amarrada ao próprio ego, a pessoa percebe que ferir outra pessoa é equivalente a ferir a si mesma. Assim, ela evita o que causa sofrimento a si ou aos outros.
Similarmente, uma pessoa que não é amarrada aos desmandos de seu próprio ego dificilmente irá mentir, ou prestar falso testemunho, ou falar algo que cause sofrimento a alguém. Isso porque essas ações geralmente são cometidas visando alguma vantagem para si mesmo, coisa que uma pessoa não amarrada ao ego dificilmente faria.
Também, uma pessoa livre das amarras de seu próprio ego dificilmente irá assassinar outra pessoa ou outro animal. Isso porque na quase totalidade das vezes essa ação é cometida por algum motivo egóico (como vingança, paixão, obtenção de vantagens, livrar-se de um incômido, gana alimentar e até autodefesa).
Estendendo esse raciocínio, quase todas as ações consideradas não-virtuosas pelo budismo e também por outras religiões tem sua origem em motivos egóicos, ou seja, motivos ilusórios.
Ações consideradas virtuosas, também surgem naturalmente da inexistência de amarras ao próprio ego. Por exemplo, a pessoa não amarrada ao próprio ego não têm dificuldade alguma em ser generosa, já que para ela não há diferença alguma se o dinheiro ou qualquer outra coisa estiver com ela ou com outra pessoa.
Uma pessoa sem amarras ao próprio ego não é influenciada por suas próprias preferências, ou até, não tem preferências. Assim, não discrimina uma pessoa da outra, não favorece uma pessoa em relação à outra, seja qual for o motivo: ela ajuda a quem precisa de ajuda, não importando o que possa ter acontecido no passado, ou a aparência da outra pessoa, ou seja o que for.
De alguns desses e de outros exemplos, e examinando minhas ações cotidianas, eu concluo que sou uma pessoa muito amarrada ao meu próprio ego, e portanto um prisioneiro de mim mesmo.
Vide também: Amarras
Postado por Jōken às 11:46 0 comentários
Marcadores: condicionamentos, ego, ilusão, liberdade
A Queda de Adão
domingo, 16 de agosto de 2009(Atenção! O texto a seguir é potencialmente inapropriado, vide algumas ressalvas em Avisos.)
A Queda de Adão, ou A Queda do Homem, ou simplesmente 'a Queda' é talvez o símbolo e o ponto fundamental da Bíblia. Muitos levam a história de Adão e Eva ao pé da letra, outros a descartam como mitologia inventada arbitrariamente, ou pura historinha de criança. Eu já gosto de interpretá-la simbolicamente, o que é somente meu ponto de vista. De um certo modo, todos estão certos. De outro certo modo, todos estão errados.
Minha interpretação particular é de que a Queda do Homem simboliza simplesmente a separação do homem de Deus, ou separação de sua Natureza Original, ou em outras palavras, a dualidade inicial. Na Bíblia isso ocorre quando Adão e Eva comem da fruta da 'Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal'. Mais genericamente, poderia-se dizer que é a Árvore do Conhecimento de todas as dualidades e diferenciações: Bem e Mal, Sujeito e Objeto, Dentro e Fora, Eu e Não-Eu, Grande e Pequeno, Longe e Perto, etc. Poderia-se dizer que essas dualidades, ou separações, são a origem do sofrimento. (Desculpem-me pela fuga da interpretação tradicional de "pecado original", mas no momento estou querendo generalizar o máximo o possível.)
A Árvore é 'do Conhecimento' simplesmente porque essas diferenciações são meramente interpretativas/cogniscíveis, isto é, não são reais de um ponto de vista universal/absoluto, no máximo aparentemente reais de um ponto de vista particular/relativo, ou a partir de definições arbitrárias/axiomáticas.
Até onde sei, quase todas as religiões falam de algo parecido com a Queda de Adão de uma forma ou de outra.
No Taoísmo, eu diria que a Queda de Adão dá-se a partir da dualidade inicial, ou Yin e Yang. Antes da dualidade, há a Unicidade fundamental, ou Taiji. E antes da Unicidade, há o Nada fundamental ou Wuji.
No Budismo, a dualidade inicial é a Forma-Vazio. Mas diz o Sutra do Coração: forma é vazio, vazio é forma. A forma em si é vazio, o vazio em si é forma. Ou seja, ambos forma e vazio não possuem existência independente/inerente. Quando o Boddhisatva Avalokitesvara "viu" claramente que todos os agregados são vazios de existência independente/inerente, ele se libertou de todo o sofrimento.
O caso 23 da coleção de koans Mumonkan segue assim:
Eno, o Sexto Patriarca do C'han (Zen) Chinês, estava sendo perseguido pelo monge Emyo até Daiyurei. O patriarca, vendo que Emyo estava chegando, soltou o manto e a tigela em uma pedra, e disse a ele:
- Esse manto representa a fé. Por acaso ele deve ser disputado pela força? Você pode tomá-los agora.
Emyo foi até a tigela e o manto porém eles eram tão pesados quanto montanhas. Ele não conseguia movê-los. Hesitando e tremendo, ele perguntou ao Patriarca:
- Eu vim pelo ensinamento, não pelo manto. Por favor, me desperte!
O patriarca lhe perguntou:
- O que é primordialmente Emyo (isto é, sua Face Original), se você não pensar 'isto é o bem' nem pensar 'isto é o mal'?
Naquele momento, Emyo teve um grande despertar.
Meu comentário: O grande despertar de Emyo parece com a Queda de Adão, ao contrário.
P.S.:
Alguém pode dizer que eu estou forçando a barra, querendo dizer que coisas totalmente diferentes são semelhantes. E ele está certo, realmente eu estou forçando a barra, e estou querendo dizer que coisas totalmente diferentes são semelhantes. De qualquer forma é tudo uma questão de simbologia. Ou seja, tanto faz eu dizer que o gato está subindo na mesa, ou o cachorro descendo da mesa. Nesse caso, eu quero dizer que o cachorro é o gato e descer é subir. A mesa é mesa mesmo, para não complicar muito. Ou seja, o importante é estarmos falando da mesma coisa. Ou a mesma lua sendo apontada pelo dedo. Meditadores, programadores e linguistas talvez me entendam mais facilmente.
Postado por Jōken às 18:37 0 comentários
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Koans e Frases de sabedoria
sábado, 15 de agosto de 2009Alguns koans e "frases de sabedoria" no vídeo abaixo (em inglês). Mesmo para quem não saiba inglês, não há problema, pois a música e as imagens são tão excelentes quanto as frases!
Postado por Jōken às 22:16 0 comentários
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Do crescimento das plantas
quinta-feira, 25 de junho de 2009Não dá pra dizer que ela cresceu errado (nem certo). Não dá pra dizer que ela cresceu pouco (nem muito). Um agrônomo pode até traçar metas de crescimento para a planta, mas isso será somente o que ele acha que deve ser. A planta cresce do seu próprio jeito.
Observe que a planta, ao mesmo tempo que cresce somente sob certas condições (por exemplo com a presença da luz do sol e de água suficientes), não deixa de crescer livremente. Uma planta que tenha pouco sol pode crescer menos que uma planta com muito sol, mas não se sentirá oprimida com isso, nem inferior (nem superior). Ela cresce aquilo que é capaz de crescer, exatamente aquilo que é capaz, sem preguiça, sem pressa e sem competição. Pode-se dizer que ela cresce plenamente. Livremente.
Não sei se me fiz entender. Acho que eu também não entendi! Provavelmente estou escrevendo mais uma besteira.
Veja que ela cresce, aparentemente, com restrições, mas ao mesmo tempo, aparentemente, sem restrições. Isso é meio esquisito, não? Mas ao mesmo tempo, misteriosamente belo.
Vide também: Chuva e Anotação aleatória (XIV).
Postado por Jōken às 22:21 0 comentários
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Anotação aleatória (XXVIII)
domingo, 14 de junho de 2009Desobedecendo minha própria vontade egoísta, me sinto mais livre.
Postado por Jōken às 01:55 0 comentários
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Pergunta importante (para mim), ou, Tudo simultâneo
domingo, 7 de junho de 2009A mente surge na dependência do mundo (não é independente do mundo). O mundo imprime a mente (como se fosse uma pergunta). A mente devolve algo ao mundo (como se fosse uma resposta). O que ela responde?
Postado por Jōken às 01:10 0 comentários
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Anotação aleatória (XXV)
segunda-feira, 1 de junho de 2009Alguém pode dizer que o pássaro na gaiola está voando, e o pássaro voando está na gaiola. Mas seria apenas bobagem.
Quem é mais livre? O pássaro na gaiola, satisfeito tal como está, ou o pássaro voando, que gostaria de ser um peixe nadando?
Postado por Jōken às 00:38 0 comentários
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Amarras
domingo, 3 de maio de 2009
Se alguém me apontasse uma arma e me obrigasse a fazer somente o que fosse de sua vontade, e somente para seu próprio benefício, isso seria algo terrível, não é mesmo? Fazer coisas em busca de ganho e seguindo somente a minha vontade não é tudo o que eu posso fazer.
“Nós temos mais possibilidade disponíveis em cada momento do que imaginamos.”
Thich Nhat Hanh
Postado por Jōken às 23:13 0 comentários
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