Dependência Íntima
quarta-feira, 10 de março de 2010Postado por Jōken às 21:35 0 comentários
Marcadores: originação_dependente, sunyata, taoísmo
Princípios da Não-Ação
sábado, 26 de setembro de 2009- Quando você não interfere em algo, você interfere por não interferir.
- Quando você não faz nada, você age em tudo. Isso porque você poderia ter optado em mexer em várias coisas diferentes. Como você não mexe, está mexendo nas coisas em relação ao que poderia ter sido. Conseqüentemente, quando não mexe em nada, está mexendo em tudo.
- Quando você mexe um objeto para a esquerda, está deixando de mexê-lo para a direita, e está deixando de não-mexer. Quando não mexe, está deixando de mexê-lo para a esquerda e para a direita. Ou melhor, quando não-mexe, está deixando de mexê-lo em todas as direções: esquerda, direita, para cima, para baixo, para frente, para trás. Assim, deixar de mexer também é mexer.
- Quando você levanta o braço, o mundo inteiro se move. Quando você fica imóvel, o mundo inteiro se move.
- A terra composta de pó age por não-agir. Se agisse de outra maneira, modificaria tudo. Porém todos esperam que a terra se comporte não-agindo. Assim ela cumpre seu papel exato por não-agir.
- [Conselho para mim mesmo: Porém não espere que os outros ajam como você quer. Pelo contrário, aja como os outros querem que você aja, ou aja como você gostaria que os outros agissem. Assim estará cumprindo seu papel. Mas não se preocupe demasiadamente com erros ou acertos: entre dois limites pode haver mais de uma possibilidade.]
- Talvez seja por isso que é dito que o sábio vive eternamente. Quando seu corpo virar pó, ele agirá como pó.
A Queda de Adão
domingo, 16 de agosto de 2009(Atenção! O texto a seguir é potencialmente inapropriado, vide algumas ressalvas em Avisos.)
A Queda de Adão, ou A Queda do Homem, ou simplesmente 'a Queda' é talvez o símbolo e o ponto fundamental da Bíblia. Muitos levam a história de Adão e Eva ao pé da letra, outros a descartam como mitologia inventada arbitrariamente, ou pura historinha de criança. Eu já gosto de interpretá-la simbolicamente, o que é somente meu ponto de vista. De um certo modo, todos estão certos. De outro certo modo, todos estão errados.
Minha interpretação particular é de que a Queda do Homem simboliza simplesmente a separação do homem de Deus, ou separação de sua Natureza Original, ou em outras palavras, a dualidade inicial. Na Bíblia isso ocorre quando Adão e Eva comem da fruta da 'Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal'. Mais genericamente, poderia-se dizer que é a Árvore do Conhecimento de todas as dualidades e diferenciações: Bem e Mal, Sujeito e Objeto, Dentro e Fora, Eu e Não-Eu, Grande e Pequeno, Longe e Perto, etc. Poderia-se dizer que essas dualidades, ou separações, são a origem do sofrimento. (Desculpem-me pela fuga da interpretação tradicional de "pecado original", mas no momento estou querendo generalizar o máximo o possível.)
A Árvore é 'do Conhecimento' simplesmente porque essas diferenciações são meramente interpretativas/cogniscíveis, isto é, não são reais de um ponto de vista universal/absoluto, no máximo aparentemente reais de um ponto de vista particular/relativo, ou a partir de definições arbitrárias/axiomáticas.
Até onde sei, quase todas as religiões falam de algo parecido com a Queda de Adão de uma forma ou de outra.
No Taoísmo, eu diria que a Queda de Adão dá-se a partir da dualidade inicial, ou Yin e Yang. Antes da dualidade, há a Unicidade fundamental, ou Taiji. E antes da Unicidade, há o Nada fundamental ou Wuji.
No Budismo, a dualidade inicial é a Forma-Vazio. Mas diz o Sutra do Coração: forma é vazio, vazio é forma. A forma em si é vazio, o vazio em si é forma. Ou seja, ambos forma e vazio não possuem existência independente/inerente. Quando o Boddhisatva Avalokitesvara "viu" claramente que todos os agregados são vazios de existência independente/inerente, ele se libertou de todo o sofrimento.
O caso 23 da coleção de koans Mumonkan segue assim:
Eno, o Sexto Patriarca do C'han (Zen) Chinês, estava sendo perseguido pelo monge Emyo até Daiyurei. O patriarca, vendo que Emyo estava chegando, soltou o manto e a tigela em uma pedra, e disse a ele:
- Esse manto representa a fé. Por acaso ele deve ser disputado pela força? Você pode tomá-los agora.
Emyo foi até a tigela e o manto porém eles eram tão pesados quanto montanhas. Ele não conseguia movê-los. Hesitando e tremendo, ele perguntou ao Patriarca:
- Eu vim pelo ensinamento, não pelo manto. Por favor, me desperte!
O patriarca lhe perguntou:
- O que é primordialmente Emyo (isto é, sua Face Original), se você não pensar 'isto é o bem' nem pensar 'isto é o mal'?
Naquele momento, Emyo teve um grande despertar.
Meu comentário: O grande despertar de Emyo parece com a Queda de Adão, ao contrário.
P.S.:
Alguém pode dizer que eu estou forçando a barra, querendo dizer que coisas totalmente diferentes são semelhantes. E ele está certo, realmente eu estou forçando a barra, e estou querendo dizer que coisas totalmente diferentes são semelhantes. De qualquer forma é tudo uma questão de simbologia. Ou seja, tanto faz eu dizer que o gato está subindo na mesa, ou o cachorro descendo da mesa. Nesse caso, eu quero dizer que o cachorro é o gato e descer é subir. A mesa é mesa mesmo, para não complicar muito. Ou seja, o importante é estarmos falando da mesma coisa. Ou a mesma lua sendo apontada pelo dedo. Meditadores, programadores e linguistas talvez me entendam mais facilmente.
Postado por Jōken às 18:37 0 comentários
Marcadores: anatta, aparências, atenção_plena, boddhisatva, comparações, Deus, ego, koan, liberdade, mente, nada, perspectiva, signo, sunyata, taoísmo, tathata, upaya_paramita
Definições (II)
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009Diz o título da seção 21 do Sutra do Diamante:
AS PALAVRAS NÃO PODEM EXPRESSAR A VERDADE
AQUILO QUE AS PALAVRAS EXPRESSAM NÃO É A VERDADE
Similarmente a primeira frase do Tao Te Ching diz:
O tao que pode ser descrito
Não é o Tao eterno.
(Vide também Definições)








