Inclui comentário sobre o caso 29 do Mumonkan "É a mente que se move" de Huineng, sob a ótica de Dogen Zenji.
Zazen is good for nothing
domingo, 7 de junho de 2020Inclui comentário sobre o caso 29 do Mumonkan "É a mente que se move" de Huineng, sob a ótica de Dogen Zenji.
Postado por Jōken às 12:04 0 comentários
Marcadores: koan, originação_dependente, shikantaza
Coisas naturais
terça-feira, 30 de março de 2010A mãe ama o filho,
O olho vê a imagem,
O peixe nada no lago,
O pássaro voa no céu,
O ouvido escuta o som,
O matemático faz contas,
O cozinheiro faz o almoço,
O motorista dirige o carro,
O amante abraça a amada,
O discípulo pergunta ao mestre,
O mestre responde ao discípulo,
A amiga bate papo com o amigo.
Postado por Jōken às 21:51 0 comentários
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Anotação aleatória (XLIV)
terça-feira, 29 de dezembro de 2009(Veneno por todo o lado)
Você tem certeza que é o mesmo que era há um segundo atrás?
Anotação aleatória (XL)
terça-feira, 10 de novembro de 2009Postado por Jōken às 20:56 0 comentários
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Qual é o Buddha?
sábado, 7 de novembro de 2009Digamos que eu não conheça nenhum dos dois. Ambos estão sentados perfeitamente imóveis, na mesma posição. Não conheço seus pensamentos. Não posso atrapalhar a meditação deles.
Qual dos dois é o Buddha?
Os dois estão exatamente na mesma posição. Os dois estão fazendo exatamente a mesma coisa (apenas sentados, em meditação). Não há absolutamente nada que distingua um do outro naquele momento.
O que resta? Na mente deles, pode haver alguma diferença... Mas qual diferença? Um pode pensar que é um Buddha, outro pode pensar que não é um Buddha (o que não garante nada, pois ambos podem até estar enganados), ou podem até não pensar nada - de qualquer forma eu não sei, e se soubesse, poderia estar até enganado. Será que importa mesmo o que eles estejam pensando ou não estejam pensando?
Não me resta nenhuma alternativa senão aceitar, que naquele momento, para mim, ambos são igualmente e verdadeiramente Buddha.
Postado por Jōken às 22:09 0 comentários
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O Grande Novelo sem Explicação
sexta-feira, 25 de setembro de 2009- Conceitos abstratos (justiça, amor);
- Sensações (frio, calor, cores, sons);;
- Percepções estéticas (belo, feio);
- Julgamentos (certo, errado);
- Opiniões (bom, ruim);
- Qualquer coisa que possa ser descrita ou nomeada. De fato, nomear ou descrever é uma maneira de 'criar' uma forma complexa.
A principal característica da forma é que ela não têm uma existência independente, própria, inerente. Mudando a área colorida da forma que foi dada como exemplo, vemos que ao definirmos a forma, definimos também a não-forma (Figura 2):

Vejamos outro exemplo que não seja uma forma geométrica, digamos, uma cor. Ao definirmos o vermelho, definimos também o não-vermelho. O não-vermelho inclui todas as cores que não são o vermelho: preto, amarelo, azul, rosa, branco, verde, marrom, etc. Quando vemos a cor amarela, automaticamente sabemos: não é o vermelho. É não-vermelho. Assim o conceito de vermelho depende de todas as outras cores, e o conceito de todas as outras cores depende do vermelho.
Outra peculiaridade da forma é que ela é dependente de uma mente que 'enxergue', 'crie', nomeie a forma. Ou seja, a forma não é independente da mente. No entanto, a relação entre a mente e a forma é muito parecida com a da forma e a da não-forma. Ou seja, uma é dependente da outra - a mente é dependente da forma, e a forma é dependente da mente.
A característica ou atributo das formas é de não terem existência independente, inerente. Essa característica é chamada frequentemente de vazio, ou vacuidade (sunyata).
Porém, a relação entre a forma e o vazio é muito parecida com a relação entre a forma e a não-forma. Isto é, a forma não é independente do vazio, e o vazio não é independente da forma. Ou, forma é em si, vazio; e vazio é em si, forma. Forma é vazio e vazio é forma.
A partir desse momento fica muito difícil continuar tentando explicar qualquer coisa conceitualmente (é receita certa de falar uma tolice atrás da outra - mas continuemos mais um pouco). Dizer que a forma não é independente do vazio (e vice-e-versa) significa dizer algo como
"a independência não é independente da dependência",
ou
"a dependência é dependente da independência",
ou diretamente
"dependência é independência", "independência é dependência".
Por isso é dito que a compreensão clara, verdadeira e profunda da vacuidade não pode ser conceitual, mas deverá ser experimental. Isso por que é impossível ou inútil conceitualizar propriamente a vacuidade e as suas relações entre a forma, a não-forma, a mente e a não-mente - chamo isso de "o grande novelo sem explicação".
Segue, a quem possa interessar, o Caso 29 do Mumonkan - A bandeira de Eno:
O vento estava tremulando a bandeira do templo, e dois monges estavam discutindo sobre ela. Um dizia:
- A bandeira está movendo.
O outro dizia:
- O vento está movendo.
Eles não conseguiam chega a um acordo, não importando o quão duramente debatessem. O sexto patriarca, Eno, passou coincidentemente por ali e disse:
- Nem o vento, nem a bandeira. É a mente que está movendo!
Os monges ficaram abismados.
Comentário de Mumon:
Não é o vento que move, não é a bandeira que move, não é a mente que move. Como devemos entender o sexto patriarca? Se você obtiver uma compreensão íntima desse significado, você verá por que os dois monges, querendo comprar ferro, obtiveram ouro. O patriarca não conseguiu refrear sua compaixão pelos dois monges, então tivemos essa cena lamentável.
O vento move, a bandeira move e a mente move,
Todos igualmente culpados.
Só sabe que a boca abriu,
Não sabe que o discurso saiu errado.
Postado por Jōken às 19:26 0 comentários
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A Queda de Adão
domingo, 16 de agosto de 2009(Atenção! O texto a seguir é potencialmente inapropriado, vide algumas ressalvas em Avisos.)
A Queda de Adão, ou A Queda do Homem, ou simplesmente 'a Queda' é talvez o símbolo e o ponto fundamental da Bíblia. Muitos levam a história de Adão e Eva ao pé da letra, outros a descartam como mitologia inventada arbitrariamente, ou pura historinha de criança. Eu já gosto de interpretá-la simbolicamente, o que é somente meu ponto de vista. De um certo modo, todos estão certos. De outro certo modo, todos estão errados.
Minha interpretação particular é de que a Queda do Homem simboliza simplesmente a separação do homem de Deus, ou separação de sua Natureza Original, ou em outras palavras, a dualidade inicial. Na Bíblia isso ocorre quando Adão e Eva comem da fruta da 'Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal'. Mais genericamente, poderia-se dizer que é a Árvore do Conhecimento de todas as dualidades e diferenciações: Bem e Mal, Sujeito e Objeto, Dentro e Fora, Eu e Não-Eu, Grande e Pequeno, Longe e Perto, etc. Poderia-se dizer que essas dualidades, ou separações, são a origem do sofrimento. (Desculpem-me pela fuga da interpretação tradicional de "pecado original", mas no momento estou querendo generalizar o máximo o possível.)
A Árvore é 'do Conhecimento' simplesmente porque essas diferenciações são meramente interpretativas/cogniscíveis, isto é, não são reais de um ponto de vista universal/absoluto, no máximo aparentemente reais de um ponto de vista particular/relativo, ou a partir de definições arbitrárias/axiomáticas.
Até onde sei, quase todas as religiões falam de algo parecido com a Queda de Adão de uma forma ou de outra.
No Taoísmo, eu diria que a Queda de Adão dá-se a partir da dualidade inicial, ou Yin e Yang. Antes da dualidade, há a Unicidade fundamental, ou Taiji. E antes da Unicidade, há o Nada fundamental ou Wuji.
No Budismo, a dualidade inicial é a Forma-Vazio. Mas diz o Sutra do Coração: forma é vazio, vazio é forma. A forma em si é vazio, o vazio em si é forma. Ou seja, ambos forma e vazio não possuem existência independente/inerente. Quando o Boddhisatva Avalokitesvara "viu" claramente que todos os agregados são vazios de existência independente/inerente, ele se libertou de todo o sofrimento.
O caso 23 da coleção de koans Mumonkan segue assim:
Eno, o Sexto Patriarca do C'han (Zen) Chinês, estava sendo perseguido pelo monge Emyo até Daiyurei. O patriarca, vendo que Emyo estava chegando, soltou o manto e a tigela em uma pedra, e disse a ele:
- Esse manto representa a fé. Por acaso ele deve ser disputado pela força? Você pode tomá-los agora.
Emyo foi até a tigela e o manto porém eles eram tão pesados quanto montanhas. Ele não conseguia movê-los. Hesitando e tremendo, ele perguntou ao Patriarca:
- Eu vim pelo ensinamento, não pelo manto. Por favor, me desperte!
O patriarca lhe perguntou:
- O que é primordialmente Emyo (isto é, sua Face Original), se você não pensar 'isto é o bem' nem pensar 'isto é o mal'?
Naquele momento, Emyo teve um grande despertar.
Meu comentário: O grande despertar de Emyo parece com a Queda de Adão, ao contrário.
P.S.:
Alguém pode dizer que eu estou forçando a barra, querendo dizer que coisas totalmente diferentes são semelhantes. E ele está certo, realmente eu estou forçando a barra, e estou querendo dizer que coisas totalmente diferentes são semelhantes. De qualquer forma é tudo uma questão de simbologia. Ou seja, tanto faz eu dizer que o gato está subindo na mesa, ou o cachorro descendo da mesa. Nesse caso, eu quero dizer que o cachorro é o gato e descer é subir. A mesa é mesa mesmo, para não complicar muito. Ou seja, o importante é estarmos falando da mesma coisa. Ou a mesma lua sendo apontada pelo dedo. Meditadores, programadores e linguistas talvez me entendam mais facilmente.
Postado por Jōken às 18:37 0 comentários
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Koans e Frases de sabedoria
sábado, 15 de agosto de 2009Alguns koans e "frases de sabedoria" no vídeo abaixo (em inglês). Mesmo para quem não saiba inglês, não há problema, pois a música e as imagens são tão excelentes quanto as frases!
Postado por Jōken às 22:16 0 comentários
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Quem é Você?
sábado, 20 de junho de 2009Há uma cena interessante do filme, em que o psicólogo chama o paciente para uma terapia de grupo de pessoas explosivas, no estilo Alcoólicos Anônimos. Depois de diversos depoimentos melosos, o psicólogo pede o paciente se apresentar, respondendo à seguinte pergunta, aparentemente simples: "Quem é Você?"
Segue um diálogo mais ou menos assim (modificado e incrementado pela minha mente, pois faz tempo que vi o filme e não me lembro muito bem):
Psicólogo: Quem é Você?
Paciente: Meu nome é ... (interrompido)
Psicólogo: Espere, espere. Eu não estou perguntando qual o seu nome, e sim, Quem é Você?
Paciente: ... trabalho na empresa ...
Psicólogo: Eu não estou perguntando onde você trabalha, e sim, Quem é Você?
Paciente: ... tenho uma esposa que se chama ... (cada vez mais nervoso e irritado)
Psicólogo: Eu não estou perguntando qual o nome da sua esposa, e sim, Quem é Você?
Paciente: ... eu gosto de fazer isso e aquilo...
Psicólogo: Eu não estou perguntando qual o seu hobby, e sim, Quem é Você?
Aparentemente, temos uma dificuldade quase infinita de nos separarmos das demais coisas ao tentar responder essa pergunta.
Existe um koan introdutório muito usado por professores do Dharma ocidentais, por não precisar necessariamente de um conhecimento de contextos aos quais estudantes ocidentais não estão acostumados.
O koan consiste em perguntar a si mesmo: "Quem sou Eu?"
De acordo com os professores, não adianta tentar responder a pergunta racionalmente, ou cairemos necessariamente em algum labirinto de palavras como no filme. A resposta tem que vir das entranhas, "do fundo da alma", como se uma bola de ferro incandescente estivesse saindo da garganta.
Ainda sem responder o koan, quem sou eu (o autor)? Nesse momento, aqui vos escrevo. No momento seguinte...
Postado por Jōken às 19:08 2 comentários
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Pergunta importante (para mim), ou, Tudo simultâneo
domingo, 7 de junho de 2009A mente surge na dependência do mundo (não é independente do mundo). O mundo imprime a mente (como se fosse uma pergunta). A mente devolve algo ao mundo (como se fosse uma resposta). O que ela responde?
Postado por Jōken às 01:10 0 comentários
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Sem frio e calor (atualizado)
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009As pessoas reclamam muito do calor. Existe até um koan que usa esse tema:
Um monge perguntou a Tozan - "Como podemos escapar do frio e do calor?". Tozan respondeu - "Por que não ir a um lugar onde não há frio nem calor?". - "Existe tal lugar?" o monge perguntou. Tozan respondeu, "Quando frio, que seja frio completamente; quando calor, que seja calor profundamente ."
Eu não tenho coragem suficiente para tentar responder o koan, mas posso tentar entender a resposta de Tozan (o que é um erro, mas que seja).
Eu entendo assim: se é calor, que seja calor, somente calor, tão somente calor, e nada mais (atenção total no momento atual). Se eu pensar "poderia estar mais fresco", não vai ser somente calor, vai ser calor querendo ser frio. Nesse caso, é calor e frio, e não somente calor. Somente calor não é nem mesmo calor, pois calor não é calor sem frio. Somente calor deve ser o tal do lugar onde não há frio nem calor (desculpem-me por tanta bobagem).
Ou seja, quando estiver calor eu devo aceitar o calor, e não lutar contra ele. Mas isso não quer dizer que eu não possa ir para a sombra ou usar o ar-condicionado quando houver. Uma coisa é aceitar algo que está acontecendo e é inevitável e irremediável, outra coisa é poder agir para transformar as coisas conforme as possibilidades surgem.
Assim, não tem problema tirar a camisa e ligar o ventilador* quando estiver calor. Exceto quando eu estiver fazendo zazen, é claro.
* Nota de atualização: O Monge Genshô comentou aqui que não vê problemas em usar ventilador durante o zazen. Que bom!
Postado por Jōken às 20:47 2 comentários
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