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Castelos no céu

terça-feira, 24 de agosto de 2010

René Magrite - Le Château des Pyrénées

Idéias
Construções mentais
Conceitos arbitrários
São meramente idéias
Como castelos no céu

Olhando no espelho (Quem eu sou?)

domingo, 28 de fevereiro de 2010


Olhar no espelho é um tema interessante; irei escrever aqui só umas poucas coisas sobre esse assunto inesgotável.

Às vezes me olho no espelho, e vejo somente coisas bobas: estou descabelado, estou com uma espinha, estou abatido, estou com olheira, estou feio, estou bonito, sou feio, sou bonito.

Mas já me peguei algumas vezes olhando para o espelho e tendo uma experiência muito estranha, e às vezes até assustadora: que aquela pessoa diante de mim não era "eu" mesmo. O que isso significa?

Essa parece ser uma pergunta de máxima importância, e difícil de responder. Dela surgem ainda mais perguntas, todas parecidas: Se essa pessoa que aqui escreve não é verdadeiramente eu, então quem sou eu? Se essas mãos e esses dedos que tocam as teclas não são meus, então, de quem são? Se essa face que aparece no espelho não é minha verdadeira face, então onde ela está?

Outras pessoas já se fizeram essa pergunta, e chegaram a respostas interessantes. Além das tradicionais respostas contidas em koans, uma resposta literariamente interessante está no famoso livro Siddharta, de Hermann Hesse, que é certamente um dos melhores livros que eu já li.

Sem entregar nada do livro pra quem não tenha lido, uma resposta resumo: Nada em particular, tudo em geral.

Zazen 2010 e além

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Nós iremos sentar nas praias, nós iremos sentar nos parques, nós iremos sentar nas ruas e no alto de prédios, nós iremos sentar em casas, nós iremos sentar em templos e salas de prática, nós iremos sentar em grupo ou sozinhos, nós nunca desistiremos.

SHU JO MU HEN SEI GAN DO
BON NO MU JIN SEI GAN DAN
HO MON MU RYO SEI GAN GAKU
BUTSO DO MU JO SEI GAN JO

Os seres são inumeráveis, faço voto de libertá-los.
As ilusões são inexauríveis, faço voto de extingui-las.
Os portais do Dharma são incontáveis, faço voto de penetrá-los.
O Caminho de Buda é insuperável, faço voto de realizá-lo.

Não-Livre

sábado, 14 de novembro de 2009

Não-Livre
Condicionado
Prisioneiro de si mesmo
Amarrado a conceitos
Imerso em ilusão
Cheio de pré-concepções

Mini-estudo sobre as possíveis ações de uma pessoa livre das amarras de seu próprio ego

sábado, 7 de novembro de 2009


Uma pessoa que não é amarrada aos desmandos de seu próprio ego dificilmente irá roubar / tomar o que não lhe é dado. Isso porque a ação "roubar" geralmente é causada por uma motivação egóica (eu quero isso, eu quero aquilo, preciso de dinheiro para comprar aquilo para mim, etc.)

Porém, é possível que a pessoa não roube por uma motivação egóica. Por exemplo, ela não rouba para obter alguma vantagem divina.

De fato, tecnicamente para a pessoa livre de amarras, "roubar" não existe, pois esse é um conceito totalmente artificial, baseado em relações de posse virtuais, de egos virtuais. A ação de cometer o roubo, no entanto, é altamente improvável, visto que não há qualquer motivação para a mesma.

Pelo contrário, há a motivação contrária ao roubo: se roubar, outras pessoas poderão sofrer (pois elas são apegadas aos conceitos "roubo, posse"), e além disso a pessoa que rouba com razoável probabilidade irá sofrer punições desnecessárias pelo roubo.

Não sendo amarrada ao próprio ego, a pessoa percebe que ferir outra pessoa é equivalente a ferir a si mesma. Assim, ela evita o que causa sofrimento a si ou aos outros.

Similarmente, uma pessoa que não é amarrada aos desmandos de seu próprio ego dificilmente irá mentir, ou prestar falso testemunho, ou falar algo que cause sofrimento a alguém. Isso porque essas ações geralmente são cometidas visando alguma vantagem para si mesmo, coisa que uma pessoa não amarrada ao ego dificilmente faria.

Também, uma pessoa livre das amarras de seu próprio ego dificilmente irá assassinar outra pessoa ou outro animal. Isso porque na quase totalidade das vezes essa ação é cometida por algum motivo egóico (como vingança, paixão, obtenção de vantagens, livrar-se de um incômido, gana alimentar e até autodefesa).

Estendendo esse raciocínio, quase todas as ações consideradas não-virtuosas pelo budismo e também por outras religiões tem sua origem em motivos egóicos, ou seja, motivos ilusórios.

Ações consideradas virtuosas, também surgem naturalmente da inexistência de amarras ao próprio ego. Por exemplo, a pessoa não amarrada ao próprio ego não têm dificuldade alguma em ser generosa, já que para ela não há diferença alguma se o dinheiro ou qualquer outra coisa estiver com ela ou com outra pessoa.

Uma pessoa sem amarras ao próprio ego não é influenciada por suas próprias preferências, ou até, não tem preferências. Assim, não discrimina uma pessoa da outra, não favorece uma pessoa em relação à outra, seja qual for o motivo: ela ajuda a quem precisa de ajuda, não importando o que possa ter acontecido no passado, ou a aparência da outra pessoa, ou seja o que for.

De alguns desses e de outros exemplos, e examinando minhas ações cotidianas, eu concluo que sou uma pessoa muito amarrada ao meu próprio ego, e portanto um prisioneiro de mim mesmo.

Vide também: Amarras

Tudo é ilusão; tudo é passageiro

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Eclesiastes 1 (Tudo é ilusão)

(1) O autor deste livro é Salomão, rei em Jerusalém, filho do rei David, conhecido como o pregador.

(2) Na minha opinião tudo é ilusão; tudo é passageiro.

(3) O que é que uma pessoa ganha com todo o duro trabalho que tem?

(4) As gerações vão passando, umas após outras, sem que haja alteração nisso.

(5) O Sol nasce, e põe-se, mas volta sempre ao lugar onde nasceu;

(6) o vento sopra ora do sul, ora do norte, duma banda doutra, circulando na atmosfera, mas para não chegar a sítio nenhum.

(7) Os rios correm para o mar, mas este nunca chega a ficar cheio, e essa água por fim retorna aos rios, para correr novamente para o mar.

[...]

(12-13) Eu, o pregador, fui rei de Israel, vivendo em Jerusalém; e apliquei-me a procurar entender tudo no universo.

(14) Descobri então que a sorte do ser humano, que Deus lhe destinou, não é nada boa. É tudo loucura, é tudo andar a correr atrás do vento.

(15) O que está mal não pode ser corrigido; e também não vale a pena reflectir sobre como as coisas poderiam ter sido doutra forma.

(16) Disse assim para comigo: Afinal, sou mais instruído do que qualquer dos reis que me precederam em Jerusalém. Tenho uma melhor bagagem de sabedoria e de conhecimentos.

(17) É porque me esforcei grandemente por ser sábio, e não ignorante; no entanto dou-me conta agora de que até isto foi também como correr atrás de nada.

(18) Porque quanto maior era a minha sabedoria, maiores eram as minhas preocupações; aumentar os conhecimentos apenas traz consigo aumento de aflições.

[...]

Eclesiastes 3 (Tudo tem um tempo próprio)

(1) Existe um tempo próprio para tudo, e há uma época para cada coisa debaixo do céu:

(2) um tempo para nascer e um tempo para morrer; um tempo para plantar e um tempo para colher o que se semeou;

(3) um tempo para matar, um tempo para curar as feridas; um tempo para destruir e outro para reconstruir;

(4) um tempo para chorar e um tempo para rir; um tempo para se lamentar e outro para dançar de alegria;

(5) um tempo para espalhar pedras, um tempo para as juntar; um tempo para abraçar, um tempo para afastar quem se chega a nós;

(6) um tempo para andar à procura e outro para perder; um tempo para armazenar e um para distribuir;

(7) um tempo para rasgar e outro para coser; um tempo para estar calado e outro tempo para falar;

(8) um tempo para amar, um tempo para odiar; um tempo para a guerra, e um tempo para a paz.

(9) O que é que uma pessoa realmente obtém com o seu esforço?

[...]

(19) Pois tanto estes como aqueles, ambos respiram o mesmo ar, ambos morrem. É assim que a humanidade não tem vantagens reais sobre os animais. Eis outra coisa absurda!

(20) Tudo vai ter ao mesmo lugar - todos são pó e ao pó voltarão.

(21) Quem pode provar que o fôlego do homem vai para cima e o dos animais fica no pó da terra?

(22) É dessa forma que eu constatei que não há nada melhor para o homem do que ser feliz no seu trabalho; é esse o seu quinhão na terra; ninguém o fará voltar à vida para ver o que acontecerá depois dele; por isso, que disfrute do presente!