As ações de outros seres que chegam até nós geram representações daqueles seres em nossa memória.
Essas representações são misturadas e alteradas pela nossas próprias pré-concepções.
É interessante notar que nessas representações, os seres já falecidos podem ter tanto peso quanto os seres vivos.
Ou
seja, dentro do espaço de operação de nossas mentes, os seres mortos
podem parecer vivos, e os seres vivos podem parecer mortos.
Vida e Morte
sábado, 21 de novembro de 2020Postado por Jōken às 08:03 0 comentários
Anotação aleatória (LVII)
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012Os vídeos em geral ensinam algo interessante - que o movimento cria uma ilusão de vida mesmo em coisas não-vivas.
Vida após a morte?
domingo, 4 de julho de 2010Perguntas feitas por mim e respondidas por mim mesmo.
Existe vida após a morte?
Existe sim. Todos os dias milhares de seres morrem, mas também todos os dias milhares de seres nascem e continuam vivendo.
Na verdade eu quis perguntar, a vida de um indivíduo continua após a morte dele?
Se você mesmo disse que ele morreu, como ele poderia continuar vivo? Vida é vida, morte é morte. Sua pergunta não faz sentido.
Postado por Jōken às 00:58 0 comentários
Dia da Impermanência
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010Postado por Jōken às 18:29 0 comentários
Marcadores: Cristo, impermanência, morte
Anotação aleatória (XLIV)
terça-feira, 29 de dezembro de 2009(Veneno por todo o lado)
Você tem certeza que é o mesmo que era há um segundo atrás?
Não-Livre
sábado, 14 de novembro de 2009Postado por Jōken às 00:09 2 comentários
Marcadores: condicionamentos, ego, ilusão, morte, obstáculos
Meditação sobre um campo florido
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Nada importante, infinitamente importante.
Mesmo depois que eu morrer, nada irá mudar.
O sol continuará nascendo, as primaveras virão.
As flores brotarão, os pássaros voarão no céu.
Os filhos de meus amigos brincarão nos gramados.
Certamente, daqui a mil anos, ninguém sentirá a minha falta.
Não sou nada importante.
Quando eu morrer, nada irá mudar. É verdade, pessoas próximas deverão sentir muito a minha falta. Nos separar daqueles que amamos é sofrimento, inevitável. Será muito triste, certamente muito triste.
Pensando bem, acho que eu sentiria falta até mesmo de sentir uma dorzinha no joelho. Até mesmo dos meus espirros.
Pensando melhor, quem haverá para sentir falta dessas coisas?
Só agora sinto falta por antecipação. Depois, não haverá ninguém para sentir falta disso.
É uma pena. É verdadeiramente muito triste. Mas acho que se pudesse, até mesmo da tristeza eu sentiria falta.
Dizer adeus a tudo, parece que será muito difícil. No entanto, também parece que tudo estará no seu devido lugar.
Talvez daqui a mil anos, alguém venha a ler esse exto. Talvez entenda o que eu quero dizer com ele. Talvez não. Mesmo se eu estivesse diante dele, será que ainda assim nos entenderíamos?
Biologicamente vivo ou morto, será que há mesmo muita diferença quando eu falo com alguém?
Quando eu falo com alguém, será que a pessoa me ouve mesmo? Quando alguém fala comigo, será que eu ouço a pessoa mesmo?
Às vezes sim, às vezes não. Às vezes parece que eu só falo comigo mesmo.
Mesmo sem que eu perceba, certamente há mil vozes de mil anos atrás escondidas nesse silêncio de agora.
Será que daqui a mil anos, alguém conseguirá nos ouvir no silêncio de um campo florido?
Mula madhyamaka karika (Versos Fundamentais sobre o Caminho do Meio) - Capítulo 25
domingo, 4 de outubro de 2009Traduzido de http://www.stephenbatchelor.org/verses2.htm
Capítulo 25. Investigação do Nirvana
1. Se tudo fosse vazio, então não haveria originação e cessação. Do abandono de que e da cessação de que alguém poderia referenciar o Nirvana?
[Comentário meu: Nirvana é definido como a cessação de duhkha. Se não houvesse duhkha, tampouco poderia haver Nirvana. O mesmo se aplica a Nirvana e Samsara.]
2. Se tudo não fosse vazio, não haveria originação e cessação. Do abandono de que e da cessação de que alguém poderia referenciar o Nirvana?
3. Nenhum abandono, nenhum alcançar, nenhuma aniquilação, nenhuma permanência, nenhuma cessação, nenhum nascimento: assim é dito do nirvana.
4. Nirvana não é uma coisa. Se fosse, teria características de envelhecimento e morte. Não existe nenhuma coisa que seja sem envelhecimento e morte.
5. Se Nirvana fosse uma coisa, Nirvana seria um fenômeno condicionado. Não existe nenhuma coisa em nenhum lugar que não seja um fenômeno condicionado.
6. Se Nirvana fosse uma coisa, como poderia o Nirvana não ser dependente? Não existe absolutamente nenhuma coisa que não seja dependente.
7. Se Nirvana não fosse uma coisa, como poderia possivelmente ser uma não-coisa? Para aquele que o Nirvana não é uma coisa, para ele o Nirvana tampouco é não-coisa.
[Comentário meu: Estou traduzindo thing como coisa e nothing como não-coisa, ao invés de nada. Se Nirvana não for definido como uma coisa, tampouco pode ser definido como uma não-coisa, pois coisa e não-coisa são definidos simultâneamente, e um depende do outro. Estou tentando evitar ao máximo possível a palavra nada pois ela confunde muito a lógica - que de qualquer modo logo vai ficar confusa.]
8. Se Nirvana não fosse não-coisa, como poderia o Nirvana ser possivelmente não-dependente? Não existe nenhuma não-coisa que seja não-dependente.
[Comentário meu: De novo traduzindo nothing como não-coisa, ao invés de nada. Isso para tentar deixar um pouco mais claro no verso que não-coisa não pode independente/não-dependente (se coisa é dependente, não-coisa também é, pois uma é definida a partir da outra.)]
9. Quaisquer coisas que venham ou vão são dependentes ou causadas. Não ser dependente e não ser causado é ensinado como sendo o Nirvana.
10. O professor ensinou [que o Nirvana é] abandonar a originação e a cessação. Assim, é correto dizer que o Nirvana não é uma coisa ou uma não-coisa.
11. Se Nirvana fosse ambas coisa e não-coisa, consequentemente seria uma coisa e não-coisa. Isso é incorreto.
12. Se Nirvana fosse ambas coisa e não-coisa, Nirvana não seria não-dependente, pois dependeria dessas duas.
13. Como poderia o Nirvana ser ambos uma coisa e uma não-coisa? Nirvana é incondicionado; coisas e não-coisas são condicionadas.
14. Como poderia o Nirvana existir como ambas coisa e não-coisa? Essas duas não existem como uma. Elas são como claro e escuro.
15. A apresentação de nem coisa nem não-coisa como sendo o nirvana seria estável apenas se coisa e não-coisa fossem estáveis.
16. Se Nirvana é nem uma coisa nem não-coisa, por quem "nem coisa nem não-coisa" seria percebida?
17. Depois que o Abençoado entra no Nirvana, alguém não pode percebê-lo como "existindo" ou como "não existindo" ou como "ambos existindo e não existindo" ou "nem existindo nem não existindo".
18. Mesmo enquanto o Abençoado está vivo, alguém não pode percebê-lo como "existindo" ou como "não existindo" ou como "ambos existindo e não existindo" ou "nem existindo nem não existindo".
19. Samsara não é minimamente distinto de Nirvana. Nirvana não é minimamente distinto de Samsara.
20. Qualquer que seja o fim do Nirvana, é o fim de Samsara. Não há nem mesmo uma mínima muito sutil distinção entre Nirvana e Samsara.
21. Visões sobre morte, fim, e permanência são contingentes a partir do Nirvana e fins posteriores e fins anteriores.
22. Sendo todas as coisas vazias, o que tem fim? O que não tem fim? O que é simultaneamente com fim e sem fim? O que nem tem fim nem não tem fim?
23. Há isso? Há aquilo? Há permanência? Há simultaneamente permanência e impermanência? Há nem permanência nem impermanência?
24. Pacificar totalmente todos os referenciais e pacificar totalmente todas as fixações é paz. O Buddha em nenhum lugar ensinou nenhum dharma a ninguém.
Postado por Jōken às 19:59 4 comentários
Marcadores: Buddha, duhkha, impermanência, morte, perspectiva, tathata
Princípios da Não-Ação
sábado, 26 de setembro de 2009- Quando você não interfere em algo, você interfere por não interferir.
- Quando você não faz nada, você age em tudo. Isso porque você poderia ter optado em mexer em várias coisas diferentes. Como você não mexe, está mexendo nas coisas em relação ao que poderia ter sido. Conseqüentemente, quando não mexe em nada, está mexendo em tudo.
- Quando você mexe um objeto para a esquerda, está deixando de mexê-lo para a direita, e está deixando de não-mexer. Quando não mexe, está deixando de mexê-lo para a esquerda e para a direita. Ou melhor, quando não-mexe, está deixando de mexê-lo em todas as direções: esquerda, direita, para cima, para baixo, para frente, para trás. Assim, deixar de mexer também é mexer.
- Quando você levanta o braço, o mundo inteiro se move. Quando você fica imóvel, o mundo inteiro se move.
- A terra composta de pó age por não-agir. Se agisse de outra maneira, modificaria tudo. Porém todos esperam que a terra se comporte não-agindo. Assim ela cumpre seu papel exato por não-agir.
- [Conselho para mim mesmo: Porém não espere que os outros ajam como você quer. Pelo contrário, aja como os outros querem que você aja, ou aja como você gostaria que os outros agissem. Assim estará cumprindo seu papel. Mas não se preocupe demasiadamente com erros ou acertos: entre dois limites pode haver mais de uma possibilidade.]
- Talvez seja por isso que é dito que o sábio vive eternamente. Quando seu corpo virar pó, ele agirá como pó.
Um conto
sexta-feira, 18 de setembro de 2009Eu olho para a pedra,
E a pedra olha para mim.
Eu penso:
"Quão preciosa é a vida."
E a pedra pensa:
"Quão frágil é a vida."
Postado por Jōken às 23:07 0 comentários
Marcadores: impermanência, mente, morte, vida
Sobre aquilo que é meu e aquilo que não é meu
quarta-feira, 26 de agosto de 2009(Esse texto é uma outra forma de dizer: Nada disso sou Eu, ou Nada disso é Meu.)
O que é meu, de fato? O que me pertence? Pensando bem, nada é meu. Assim que eu morrer, tudo aquilo que eu achava que era meu vai pertencer a outro (ou melhor dizendo, alguém vai achar que aquilo lhe pertence, como eu achava antes!).
Alguém pode até achar que algo lhe pertença, ainda que temporariamente, mas até isso é uma ilusão. Digamos que uma pessoa rica tenha dez fazendas. Ela até pode dizer: "Eu tenho dez fazendas, dez fazendas são minhas". Isso pode estar registrado em cartório, em leis, em promulgações reais, seja o que for. Mas as fazendas são realmente dessa pessoa? Enquanto ela está em uma fazenda, nove outras fazendas estão com outras pessoas e animais, que nelas trabalham, vivem, e a usam para diversas coisas. Até na própria fazenda em que a pessoa está, ela não pode tê-la toda ao mesmo tempo. Em um lado da fazenda uma vaca é ordenhada pelo capataz. No outro canto um rio corre vagarosamente, peixes nadam. As árvores crescem, os pássaros cantam. O fazendeiro pode até pensar: "O canto do pássaro também me pertence", enquanto o filho do capataz pensa consigo "Que canto bonito!"
O sentimento de posse ocorre pras mais diversas coisas, desde amores, idéias, até mesmo a própria condição física. Eu posso pensar: esse corpo é meu, essa condição física é minha. Mas nada que eu faça irá evitar que o meu corpo envelheça. Até mesmo o maior atleta do mundo pode ter uma doença que abale sua condição física. Nem o cofre mais seguro do mundo pode impedir que alguém use a "minha" idéia, ou mesmo que tenha a mesma idéia que eu tive!
Em resumo, nada é meu.
Mas nada impede o filho do capataz de dizer: "O mundo todo é meu!" - e, de certa forma, ele não está errado!
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Para um amigo conhecido ou desconhecido
terça-feira, 4 de agosto de 2009
O que eu faria sem você, meu amigo?
Para quem eu escreveria? Com quem eu conversaria?
Quem seria eu, se não tivesse amigos?
Ananda sugeriu a Buddha que bons amigos seriam metade da vida espiritual,
Buddha corrigiu Ananda: Bons amigos são toda a vida espiritual.
Bons amigos caminham juntos,
Bons amigos caminham separados também.
Uma boa amizade começa desde o primeiro momento,
Uma boa amizade não é afetada com a distância.
Uma boa amizade não termina nem mesmo com a morte.
Uma boa amizade não começa nem termina: ela ocorre a todo instante.
Por que eu iria querer ter inimigos?
Melhor é que todos sejam meus amigos.
Mesmo que não me considerem como amigo, que eu lhes considere como amigos,
Um amigo verdadeiro não pede nada em troca pela sua amizade.
Conhecidos ou desconhecidos, que todos sejam meus amigos.
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Marcadores: amigos, apranihita, Buddha, caminho, morte, tolices
Anotação aleatória (XXXIV)
domingo, 12 de julho de 2009Eu sou feito de pele, ossos, gordura e músculos. Mas eu posso fazer coisas que uma pilha de pele, ossos, gordura e músculos não pode fazer.
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Jôshin-san
terça-feira, 9 de junho de 2009
Hoje faz exatamente um ano que eu vi meu amigo Flávio (Jôshin) pela última vez. Foi no dia seguinte ao do meu casamento (na foto acima eu estou à esquerda e ele à direita). Lembro-me bem pois encontrei-o na Comunidade Zen Budista de Florianópolis, um dia antes de eu retornar ao Rio de Janeiro. No mês seguinte ele veio a falecer.Todas as pessoas que conheceram Jôshin sabem de sua generosidade. Os exemplos dessa generosidade são muitos, certamente a grande maioria desconhecida de mim, mas posso dar meu próprio testemunho com facilidade. Sendo eu muito iniciante, Flávio me ajudou bastante pelo seu exemplo. Sendo sua estatura imensa, era impossível não notar seus movimentos e aprender com eles.
Eu nunca poderei retribuir Flávio pelo que ele me ensinou, e tenho certeza que ele nem esperava nada em troca pela sua generosidade. Eu não terei outra escolha senão tentar retribuir o mundo da melhor forma que eu puder pela oportunidade de ter conhecido Jôshin-san. Se eu conseguir levar adiante um pouco dessa generosidade, uma parte dele continuará sempre viva no mundo. E tenho certeza que ele continua vivo em muitos outros.
Postado por Jōken às 10:48 1 comentários
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Mais alguns medos
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Se eu tenho medo de perder, é porque ainda não aprendi a doar.
Se eu tenho medo de errar, é porque ainda não larguei o orgulho de querer ser perfeito.
Se eu temo adoecer, é porque não aceito a impermanência inevitável da saúde.
Se eu temo envelhecer, é porque não aprendi a ser como uma criança todos os dias.
Se eu tenho medo de morrer, é porque ainda não aprendi a viver.
Postado por Jōken às 23:19 1 comentários
Marcadores: Adversário, caminho, duhkha, generosidade, impermanência, medo, mente, morte, obstáculos, tathata
Anotação aleatória (XVIII)
domingo, 22 de março de 2009Eu deveria pensar diariamente sobre a inevitabilidade da minha morte.
Postado por Jōken às 15:41 0 comentários
Divagações possivelmente inúteis
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
A única maneira de preservar qualquer coisa é usá-la para algo bom ou dá-la a alguém que possa fazer um bom uso dela. A única maneira de preservar um conhecimento é ensiná-lo para alguém. Qualquer coisa além disso é acumular pilhas e pilhas de poeira morta.
Postado por Jōken às 22:56 0 comentários
Marcadores: anatta, ego, generosidade, morte
Vivos e não-vivos
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008O meu pai está vivo. Ele está em outra cidade. Ele me ensinou muitas coisas. Ele está na minha lembrança. Boa parte das ações que tomo tem como base o que ele me ensinou.
O meu avô não está mais vivo. Aonde ele está? Ele me ensinou muitas coisas. Ele está na minha lembrança. Boa parte das ações que tomo tem como base o que ele me ensinou.
O meu amigo não está mais vivo. Aonde ele está? Ele me ensinou muitas coisas. Ele está na minha lembrança. Boa parte das ações que tomo tem como base o que ele me ensinou.
Eu não estou vendo meu pai. Eu não estou vendo minha mãe. Eu não estou vendo meu avô. Eu não estou vendo meu amigo.
Eu não estou ouvindo meu pai. Eu não estou ouvindo minha mãe. Eu não estou ouvindo meu avô. Eu não estou ouvindo meu amigo.
Eu não estou tocando meu pai. Eu não estou tocando minha mãe. Eu não estou tocando meu avô. Eu não estou tocando meu amigo.
Qual a diferença, nesse exato momento, da minha mãe e meu pai para meu avô e meu amigo?

