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Zazen e o Nobre Caminho Óctuplo (4)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Nota de observação: O texto a seguir, bem como demais textos desse blog, corresponde somente ao entendimento atual do autor. Esse entendimento não é definitivo e absoluto, sendo pelo contrário, relativo, e podendo ser alterado com o tempo. Dessa forma, qualquer coisa aqui escrita não deve ser tomada como certa ou como verdade por ninguém.



Durante o zazen, permanecemos sentados. Poderíamos levantar, mas permanecemos sentados até o final. Assim realiza-se o esforço correto do Nobre Caminho Óctuplo, simplesmente permanecendo em zazen, sem nenhuma intenção ou consideração adicional.

Esforço sem esforço.



"A pessoa faz o esforço para abandonar a linguagem incorreta e penetrar na linguagem correta: Esse é o esforço correto da pessoa [...]
A pessoa faz o esforço para abandonar a ação incorreta e penetrar na ação correta: Esse é o esforço correto da pessoa [...]
" A pessoa faz o esforço para abandonar o modo de vida incorreto e penetrar no modo de vida correto: Esse é o esforço correto da pessoa [...]
MN 117

"o empenho excessivamente estimulado conduz à inquietação, o empenho excessivamente frouxo conduz à preguiça."
AN VI.55

Haiku 5

domingo, 26 de julho de 2009

Um novo dia -
Saúde renovada
Melhor levantar.

Do crescimento das plantas

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Um biólogo pode até tentar explicar por que uma planta cresce, mas para a planta aquilo que ela faz não tem um porquê. Nem dá para dizer que ela faz, ela é aquilo que é e pronto.

Não dá pra dizer que ela cresceu errado (nem certo). Não dá pra dizer que ela cresceu pouco (nem muito). Um agrônomo pode até traçar metas de crescimento para a planta, mas isso será somente o que ele acha que deve ser. A planta cresce do seu próprio jeito.

Observe que a planta, ao mesmo tempo que cresce somente sob certas condições (por exemplo com a presença da luz do sol e de água suficientes), não deixa de crescer livremente. Uma planta que tenha pouco sol pode crescer menos que uma planta com muito sol, mas não se sentirá oprimida com isso, nem inferior (nem superior). Ela cresce aquilo que é capaz de crescer, exatamente aquilo que é capaz, sem preguiça, sem pressa e sem competição. Pode-se dizer que ela cresce plenamente. Livremente.

Não sei se me fiz entender. Acho que eu também não entendi! Provavelmente estou escrevendo mais uma besteira.

Veja que ela cresce, aparentemente, com restrições, mas ao mesmo tempo, aparentemente, sem restrições. Isso é meio esquisito, não? Mas ao mesmo tempo, misteriosamente belo.

Vide também: Chuva e Anotação aleatória (XIV).

Haiku Quatro

quarta-feira, 17 de junho de 2009

dia de inverno -
preguiça de levantar
frio no joelho

A perspectiva de terceira pessoa (Parte IV: Ainda sobre estar sozinho)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

São ainda relevantes sobre esse assunto (estar sozinho e praticar sozinho) dois textos publicados no blog do Monge Genshô:

O primeiro é um texto de Soyen Shaku (1859-1919) Mestre Zen da escola Rinzai - apelidado no blog do Genshô como Modo de Viver. Eu li esse texto pela primeira vez no blog de Michel Seikan, e muito me chamou a atenção. As sugestões desse texto atacam diretamente alguns dos meus principais defeitos: a falta de disciplina, agir na frente de outras pessoas diferentemente de quando eu estou sozinho, falar e não praticar, e excesso de preguiça ao acordar. Especialmente, quando estou na frente de outras pessoas, procuro agir melhor do que quando estou sozinho (o que denota insinceridade da minha parte).

O segundo é um ensinamento que o Monge Genshô gosta muito de passar, sobre o símbolo do pinheiro na escola Soto Zen. "Na Soto Zen o símbolo do monge é uma folha de pinheiro, porque os pinheiros crescem retos se estão juntos com outros, assim, com estes pode se fazer mastros de navios, retos e direitos, os pinheiros que nascem isolados ficam tortos." Daí a importância de praticar numa comunidade, daí a importância fundamental da Sangha.

A perspectiva de terceira pessoa (Parte III: Sozinho)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Estou morando sozinho há algumas semanas, o que claramente teve um efeito catastrófico sobre minha prática. Isso pelos mesmos motivos pelos quais uma criança apronta quando os pais não estão olhando, ou uma pessoa sem temor ou respeito pelo divino (ou referência equivalente) passa a agir somente de acordo com seus próprios interesses.

Não que eu tenha feito nada de terrível, apenas me entreguei um tanto exageradamente a atos preguiçosos, razoavelmente egoístas e não relacionados a prática, como me alimentar inconscientemente, ficar jogado na cama com preguiça, assistir televisão excessivamente e jogar video-games.

Também deixei de realizar ações importantes com uma frequência adequada, como lavar a louça, manter o chão aceitavelmente limpo e praticar zazen. E deixei de fazer coisas possivelmente não tão importantes mas com uma certa pretensão de boa-intenção, como escrever nesse blog.

Também não considero que seja impossível uma pessoa agir equilibradamente sem ter os pais ou alguém vigiando, pelo contrário, acho isso absolutamente formidável e bastante desejável, mas pelo menos pra mim, é algo bastante difícil. Ainda bem que logo minha esposa estará de volta para cuidar de mim e me manter um pouco mais na linha.

Sem desculpas

sábado, 21 de março de 2009

Disse Dogen Zenji no Shobogenzo Zuimonki:

Alguém disse: "Eu sou enfermo e não sou talentoso, e não tenho a força para praticar o Caminho. Porém eu ouvi os ensinamentos essenciais e gostaria de me retirar e viver sozinho, passando o resto da vida cuidando do meu corpo e da minha saúde frágil."

Isso é um grande erro.

Os velhos sábios não necessariamente tinham um saúde excelente. E eram os homens do passado todos dotados de um talento superior? Não faz assim tanto tempo desde a morte do Buddha, e aqueles que o ouviram durante a sua vida não eram todos seres superiores. Entre seus seguidores estavam ambos os bons e os maus. Entre eles haviam alguns cuja conduta era inacreditavelmente ruim, e também pessoas do tipo mais baixo. Porém não havia nenhum que, alegando inferioridade, falhou em despertar uma mente que segue o Caminho. Nem havia nenhum que, dizendo que não tinha talento, se negava a praticar o Caminho. Se você não praticar e estudar nessa vida, em qual vida você espera obter o talento e o bem estar para praticar o Caminho? O essencial para o estudo são simplesmente esses: despertar uma mente que segue o Caminho e praticar como se fosse a última coisa da sua vida.

Dogen Zenji, no Shobogenzo Zuimonki - Capítulo 6, Parte II.


Comentário: Com isso não restam muitas desculpas para não praticar. Eu postei esse texto para me alertar sobre as desculpas recorrentes que crio para não praticar, que são usualmente muito mais esfarrapadas do que as do texto acima, ou seja, menos justificáveis ainda. Uma das mais recorrentes delas é a pura e simples preguiça.

Preguiça

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

As desculpas que crio para não praticar (principalmente Zazen) são inúmeras. A minha criativade para encontrar justificativas para não praticar é digna de investigação. Algumas de minhas desculpas, historicamente recorrentes: "Está muito frio; está muito quente; é muito tarde; é muito cedo; estou com muita fome; estou muito satisfeito." Também: "Estou doente, estou cansado; depois eu pratico; já pratiquei antes; praticar nem é tão importante assim; agora tenho que assistir televisão; agora tenho que fazer outra coisa; agora tenho que descansar."

A raiz de todas essas desculpa é uma só: minha própria preguiça. Não é a toa que a preguiça é considerada um dos principais obtáculos para a prática.

Como as justificativas para não praticar são variadas e criativas, a única alternativa é praticar não importa o que aconteça ou quais forem as circunstâncias. Se estiver um calor insuportável eu tenho que pensar: "está um calor insuportável, que momento ótimo praticar!". Ou melhor ainda, nem penso em nada e apenas pratico. Se estiver um frio insuportável eu tenho que pensar: "está um frio insuportável, que momento ótimo praticar!". Ou melhor ainda, nem penso em nada e apenas pratico. A prática contínua alimenta a disciplina e a disciplina alimenta a prática contínua.

Disse o Buddha:
"Quem diz está muito quente, muito frio, muito tarde,
e deixa as coisas por fazer,
as oportunidades para fazer o bem
passam desapercebidas por tais homens.

Porém aquele que vê no frio ou no calor
menos que um pedaço de capim,
e que faz o que deve ser feito,
não irá perder a felicidade."