Só para manter as coisas em perspectiva. Quando eu tiver um "grande" problema, vou tentar me lembrar que ele não é assim tão grande...
Zoom cósmico
quarta-feira, 21 de abril de 2010Só para manter as coisas em perspectiva. Quando eu tiver um "grande" problema, vou tentar me lembrar que ele não é assim tão grande...
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Anotação aleatória (XLVII)
sábado, 27 de fevereiro de 2010Quanto mais distante do Nirvana, mais sofrida é Samsara. Quanto mais próxima do Nirvana, mais verdadeiramente maravilhosa é Samsara.
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Qual é o Buddha?
sábado, 7 de novembro de 2009Digamos que eu não conheça nenhum dos dois. Ambos estão sentados perfeitamente imóveis, na mesma posição. Não conheço seus pensamentos. Não posso atrapalhar a meditação deles.
Qual dos dois é o Buddha?
Os dois estão exatamente na mesma posição. Os dois estão fazendo exatamente a mesma coisa (apenas sentados, em meditação). Não há absolutamente nada que distingua um do outro naquele momento.
O que resta? Na mente deles, pode haver alguma diferença... Mas qual diferença? Um pode pensar que é um Buddha, outro pode pensar que não é um Buddha (o que não garante nada, pois ambos podem até estar enganados), ou podem até não pensar nada - de qualquer forma eu não sei, e se soubesse, poderia estar até enganado. Será que importa mesmo o que eles estejam pensando ou não estejam pensando?
Não me resta nenhuma alternativa senão aceitar, que naquele momento, para mim, ambos são igualmente e verdadeiramente Buddha.
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Sobre acreditar na Mente
segunda-feira, 26 de outubro de 2009(Japonês: Shinjin-no-mei, Chinês Hsin Hsin Ming)
por Chien-chih Seng-ts'an (Kanchi Sosan), Terceiro Patriarca Zen [falecido em 606]
Baseado na tradução de D.T.Suzuki
O Caminho Perfeito não conhece dificuldades
Exceto que ele se recusa a tomar preferências;
Apenas quando livre de ódio e amor,
Ele se revela plenamente e sem disfarce;
Um décimo de polegada de diferença,
E o céu e a terra são separados;
Se voce quiser ver diante de seus próprios olhos,
Não tenha nenhum pensamento a favor disso ou contra aquilo.
Colocar aquilo que você gosta contra aquilo que você não gosta
Essa é a doença da mente:
Quando o significado profundo (do Caminho) não é compreendido
A paz da mente é perturbada sem necessidade
[O Caminho é] perfeito como um vasto espaço,
Sem nada querendo, nada supérfluo:
É verdadeiramente devido a escolher
Que o seu tal-como-é é perdido.
Não persiga as amarras externas,
Não permaneça no vazio interno;
Seja sereno na unidade das coisas,
E [o dualismo] desaparece por si mesmo.
Quando você luta para obter quietude segurando o movimento,
A quietude assim obtida está sempre em movimento;
Enquanto você perdurar em dualismo,
Como poderá realizar a unicidade?
E quando a unicidade não é profundamente compreendida,
Em duas maneiras o erro é sustentado:
A negação da realidade é a afirmação dela,
A afirmação da vacuidade é a negação dela.
Muitas palavras e intelectualização -
Quanto mais com elas, mais nos desviamos;
Livre-se então de muitas palavras e intelectualização,
E não haverá nenhum lugar onde não possamos passar livremente.
Quando retornamos à raiz, obtemos o significado;
Quando perseguimos objetos externos, perdemos a razão.
O momento em que estivermos iluminados internamente,
Vamos além do vazio de um mundo que nos confronta.
Transformações acontecendo em um mundo vazio que nos confronta
Parecem reais só por causa da Ignorância:
Não tente ir atrás da verdade,
Apenas pare de adorar opiniões.
Não permaneça com dualismo,
Cuidadosamente evite persegui-lo;
Tão logo que você tenha certo e errado,
A confusão segue, e a Mente é perdida.
O dois existe por causa do Um,
Porém não se agarre nem a esse Um;
Quando a mente não é perturbada,
As dez mil coisas não oferecem ofensa.
Nenhuma ofensa oferecida, e nenhuma dez mil coisas;
Nenhuma perturbação acontecendi, e nenhuma mente pronta para trabalhar:
O sujeito é aquietado quando o objeto cessa,
O objeto cessa quando o sujeito é aquietado.
O objeto é um objeto para o sujeito,
O sujeito é um sujeito para o objeto:
Saiba que a relatividade desses dois
Descansa no fim das contas em Vacuidade.
Em Vacuidade os dois não são distintos,
E cada um contém em si mesmo todas as dez mil coisas
Quando nenhuma discriminação é feita entre isso e aquilo
Como pode uma visão unilateral e preconceituosa surgir?
O Grande Caminho é calmo e de grande coração,
Para ele, nada é fácil, nada é difícil;
Opiniões simplórias são hesitantes,
Quanto mais apressadas mais demoram a ir.
O apego nunca é mantido sob rédeas curtas,
Certamente ele irá tomar o caminho errado;
Desista dele, e as coisas tomarão seu próprio caminho,
Enquanto a Essência nunca parte nem permanece.
Obedeça a natureza das coisas, e você estará em concordância com o Caminho,
Calmo e tranquilo e livre de perturbação;
Porém quando seus pensamentos estiverem amarrados, você se afasta da verdade,
Eles se tornam mais pesados e tolos e não são de forma alguma seguros.
Quando eles não são seguros, o espírito está perturbado.
Qual então é o uso de ser parcial e unilateral?
Se você quiser trilhar o caminho do Veículo Único,
Não tenha preconceitos contra os objetos dos seis sentidos.
Quando você não tem preconceitos contra os objetos dos seis sentidos,
Então você é um com a Iluminação;
Os sábios são não-ativos,
Enquanto os ignorantes criam amarras para si mesmos;
Enquanto no Dharma em si não há individualização,
Eles ignorantemente se apegam a objetos em particular.
É a sua própria mente que cria ilusões -
Não é essa a maior de todas as autocontradições?
O ignorante adora idéias de tranquilidade e estresse
O iluminado não tem preferências e não-preferências,
Todas as idéias de dualismo
São artificialmente criadas pelos próprios ignorantes.
Elas são como visões e flores no ar;
Porque deveríamos nos preocupar em agarrá-las?
Ganho e perda, certo e errado -
Acabe com eles de uma vez por todas!
Se um olho nunca adormece,
Todos os sonhos cessam por eles mesmos,
Se a Mente mantém-se absoluta,
As dez mil coisas são de um só Tal-como-é.
Quando o profundo mistério de um só Tal-como-é é desvendado,
Subitamente esquecemos de todas as amarras externas;
Quando as dez mil coisas são vistas em sua unicidade,
Retornamos à origem e permanecemos onde sempre estivemos.
Esqueça o porque das coisas,
e atingimos o estado além de analogia;
O movimento é paralisado e não há movimento,
A quietude é colocada em movimento e não há quietude
Quando o dualismo não mais tem vez
A própria Unicidade não permanece.
O fim último das coisas além do qual elas não podem mais ir
Não é limitado por regras e medidas:
Na Mente harmoniosa (com o Caminho) temos o princípio da identidade,
No qual encontramos todas as lutas aquietadas;
Dúvidas e hesitações são completamente eliminadas,
E a fé correta é aprumada;
Não há nada deixado para trás,
Não há nada retido,
Tudo é vazio, lúcido, e auto-iluminante;
Não há esforço, nenhum desperdício de energia
É aí que o pensamento nunca chega
É aí que a imaginação falha em medir.
Na esfera mais alta do verdadeiro Tal-como-é
Não há nem "si mesmo" nem "outro":
Quando a identificação direta é procurada,
Podemos apenas dizer, "Não dois".
Em sendo "não dois" tudo é o mesmo,
Tudo o que é é compreendido nele;
Os sábios nas dez direções
Todos entram nessa Razão Absoluta.
Essa Razão Absoluta é além do apressar [tempo] e estender [espaço],
Para ela um instante é dez mil anos;
A vejamos ou não
Ela se manifesta em todo o lugar em todas as dez direções.
Coisas infinitamente pequenas são tão grandes quanto grandes coisas possam ser,
Pois aqui nenhuma condição externa tem vez;
Coisas infinitamente grandes são tão pequenas quanto pequenas coisas possam ser;
Pois limites objetivos aqui não são considerados.
O que é é o mesmo que o que não é,
O que não é é o mesmo que o que é.
Quando esse estado de coisas não têm mais vez,
De fato, nenhum atraso ali.
Um é Tudo,
Tudo é Um -
Se apenas isso for percebido,
Nenhuma preocupação sobre não ser perfeito!
Quando a Mente e cada mente que acredita não estão divididas,
E não-divididas são cada mente que acredita e a Mente,
É aí que as palavras falham,
Pois isso não é do passado, do presente e do futuro.
Uma outra tradução (ótima) em: Zhong Dao.
Postado por Jōken às 23:10 0 comentários
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O mercador de Tabriz
terça-feira, 6 de outubro de 2009Um mercador de Tabriz vendia magníficos tapetes persas por 14 peças de ouro, obtendo um lucro de 4 peças de ouro em cada peça. Certo dia um comprador aproximou-se de sua tenda no mercado lhe oferecendo um negócio:
- As'salaam Aleikum, akh. Vejo que o senhor vende esses fomidáveis tapetes por 14 peças de ouro. No entanto, há um novo comerciante na parte baixa do mercado que vende tapetes de qualidade equivalente por somente 13 peças de ouro, uma verdadeira barganha. O senhor não me venderia um de seus tapetes por 12 peças de ouro?
Assim acabaram fechando negócio por 12 peças de ouro.
Caso 1:
Após o comprador ter ido embora com o tapete, o mercador comenta com seu assistente:
- Maldito dia. Esse comprador acaba de me fazer perder 2 peças de ouro.
Caso 2:
Após o comprador ter ido embora com o tapete, o mercador comenta com seu assistente:
- Que dia maravilhoso! Esse comprador acaba de me fazer lucrar 2 peças de ouro!
Caso 3:
Após o comprador ter ido embora com o tapete, o mercador comenta com seu assistente:
- Ouvi falar que poderemos ter ótimas tâmaras na próxima estação de colheita. Insha'Allah!
Caso 4:
Conte o seu caso!
Postado por Jōken às 23:04 1 comentários
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Mula madhyamaka karika (Versos Fundamentais sobre o Caminho do Meio) - Capítulo 25
domingo, 4 de outubro de 2009Traduzido de http://www.stephenbatchelor.org/verses2.htm
Capítulo 25. Investigação do Nirvana
1. Se tudo fosse vazio, então não haveria originação e cessação. Do abandono de que e da cessação de que alguém poderia referenciar o Nirvana?
[Comentário meu: Nirvana é definido como a cessação de duhkha. Se não houvesse duhkha, tampouco poderia haver Nirvana. O mesmo se aplica a Nirvana e Samsara.]
2. Se tudo não fosse vazio, não haveria originação e cessação. Do abandono de que e da cessação de que alguém poderia referenciar o Nirvana?
3. Nenhum abandono, nenhum alcançar, nenhuma aniquilação, nenhuma permanência, nenhuma cessação, nenhum nascimento: assim é dito do nirvana.
4. Nirvana não é uma coisa. Se fosse, teria características de envelhecimento e morte. Não existe nenhuma coisa que seja sem envelhecimento e morte.
5. Se Nirvana fosse uma coisa, Nirvana seria um fenômeno condicionado. Não existe nenhuma coisa em nenhum lugar que não seja um fenômeno condicionado.
6. Se Nirvana fosse uma coisa, como poderia o Nirvana não ser dependente? Não existe absolutamente nenhuma coisa que não seja dependente.
7. Se Nirvana não fosse uma coisa, como poderia possivelmente ser uma não-coisa? Para aquele que o Nirvana não é uma coisa, para ele o Nirvana tampouco é não-coisa.
[Comentário meu: Estou traduzindo thing como coisa e nothing como não-coisa, ao invés de nada. Se Nirvana não for definido como uma coisa, tampouco pode ser definido como uma não-coisa, pois coisa e não-coisa são definidos simultâneamente, e um depende do outro. Estou tentando evitar ao máximo possível a palavra nada pois ela confunde muito a lógica - que de qualquer modo logo vai ficar confusa.]
8. Se Nirvana não fosse não-coisa, como poderia o Nirvana ser possivelmente não-dependente? Não existe nenhuma não-coisa que seja não-dependente.
[Comentário meu: De novo traduzindo nothing como não-coisa, ao invés de nada. Isso para tentar deixar um pouco mais claro no verso que não-coisa não pode independente/não-dependente (se coisa é dependente, não-coisa também é, pois uma é definida a partir da outra.)]
9. Quaisquer coisas que venham ou vão são dependentes ou causadas. Não ser dependente e não ser causado é ensinado como sendo o Nirvana.
10. O professor ensinou [que o Nirvana é] abandonar a originação e a cessação. Assim, é correto dizer que o Nirvana não é uma coisa ou uma não-coisa.
11. Se Nirvana fosse ambas coisa e não-coisa, consequentemente seria uma coisa e não-coisa. Isso é incorreto.
12. Se Nirvana fosse ambas coisa e não-coisa, Nirvana não seria não-dependente, pois dependeria dessas duas.
13. Como poderia o Nirvana ser ambos uma coisa e uma não-coisa? Nirvana é incondicionado; coisas e não-coisas são condicionadas.
14. Como poderia o Nirvana existir como ambas coisa e não-coisa? Essas duas não existem como uma. Elas são como claro e escuro.
15. A apresentação de nem coisa nem não-coisa como sendo o nirvana seria estável apenas se coisa e não-coisa fossem estáveis.
16. Se Nirvana é nem uma coisa nem não-coisa, por quem "nem coisa nem não-coisa" seria percebida?
17. Depois que o Abençoado entra no Nirvana, alguém não pode percebê-lo como "existindo" ou como "não existindo" ou como "ambos existindo e não existindo" ou "nem existindo nem não existindo".
18. Mesmo enquanto o Abençoado está vivo, alguém não pode percebê-lo como "existindo" ou como "não existindo" ou como "ambos existindo e não existindo" ou "nem existindo nem não existindo".
19. Samsara não é minimamente distinto de Nirvana. Nirvana não é minimamente distinto de Samsara.
20. Qualquer que seja o fim do Nirvana, é o fim de Samsara. Não há nem mesmo uma mínima muito sutil distinção entre Nirvana e Samsara.
21. Visões sobre morte, fim, e permanência são contingentes a partir do Nirvana e fins posteriores e fins anteriores.
22. Sendo todas as coisas vazias, o que tem fim? O que não tem fim? O que é simultaneamente com fim e sem fim? O que nem tem fim nem não tem fim?
23. Há isso? Há aquilo? Há permanência? Há simultaneamente permanência e impermanência? Há nem permanência nem impermanência?
24. Pacificar totalmente todos os referenciais e pacificar totalmente todas as fixações é paz. O Buddha em nenhum lugar ensinou nenhum dharma a ninguém.
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A Queda de Adão
domingo, 16 de agosto de 2009(Atenção! O texto a seguir é potencialmente inapropriado, vide algumas ressalvas em Avisos.)
A Queda de Adão, ou A Queda do Homem, ou simplesmente 'a Queda' é talvez o símbolo e o ponto fundamental da Bíblia. Muitos levam a história de Adão e Eva ao pé da letra, outros a descartam como mitologia inventada arbitrariamente, ou pura historinha de criança. Eu já gosto de interpretá-la simbolicamente, o que é somente meu ponto de vista. De um certo modo, todos estão certos. De outro certo modo, todos estão errados.
Minha interpretação particular é de que a Queda do Homem simboliza simplesmente a separação do homem de Deus, ou separação de sua Natureza Original, ou em outras palavras, a dualidade inicial. Na Bíblia isso ocorre quando Adão e Eva comem da fruta da 'Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal'. Mais genericamente, poderia-se dizer que é a Árvore do Conhecimento de todas as dualidades e diferenciações: Bem e Mal, Sujeito e Objeto, Dentro e Fora, Eu e Não-Eu, Grande e Pequeno, Longe e Perto, etc. Poderia-se dizer que essas dualidades, ou separações, são a origem do sofrimento. (Desculpem-me pela fuga da interpretação tradicional de "pecado original", mas no momento estou querendo generalizar o máximo o possível.)
A Árvore é 'do Conhecimento' simplesmente porque essas diferenciações são meramente interpretativas/cogniscíveis, isto é, não são reais de um ponto de vista universal/absoluto, no máximo aparentemente reais de um ponto de vista particular/relativo, ou a partir de definições arbitrárias/axiomáticas.
Até onde sei, quase todas as religiões falam de algo parecido com a Queda de Adão de uma forma ou de outra.
No Taoísmo, eu diria que a Queda de Adão dá-se a partir da dualidade inicial, ou Yin e Yang. Antes da dualidade, há a Unicidade fundamental, ou Taiji. E antes da Unicidade, há o Nada fundamental ou Wuji.
No Budismo, a dualidade inicial é a Forma-Vazio. Mas diz o Sutra do Coração: forma é vazio, vazio é forma. A forma em si é vazio, o vazio em si é forma. Ou seja, ambos forma e vazio não possuem existência independente/inerente. Quando o Boddhisatva Avalokitesvara "viu" claramente que todos os agregados são vazios de existência independente/inerente, ele se libertou de todo o sofrimento.
O caso 23 da coleção de koans Mumonkan segue assim:
Eno, o Sexto Patriarca do C'han (Zen) Chinês, estava sendo perseguido pelo monge Emyo até Daiyurei. O patriarca, vendo que Emyo estava chegando, soltou o manto e a tigela em uma pedra, e disse a ele:
- Esse manto representa a fé. Por acaso ele deve ser disputado pela força? Você pode tomá-los agora.
Emyo foi até a tigela e o manto porém eles eram tão pesados quanto montanhas. Ele não conseguia movê-los. Hesitando e tremendo, ele perguntou ao Patriarca:
- Eu vim pelo ensinamento, não pelo manto. Por favor, me desperte!
O patriarca lhe perguntou:
- O que é primordialmente Emyo (isto é, sua Face Original), se você não pensar 'isto é o bem' nem pensar 'isto é o mal'?
Naquele momento, Emyo teve um grande despertar.
Meu comentário: O grande despertar de Emyo parece com a Queda de Adão, ao contrário.
P.S.:
Alguém pode dizer que eu estou forçando a barra, querendo dizer que coisas totalmente diferentes são semelhantes. E ele está certo, realmente eu estou forçando a barra, e estou querendo dizer que coisas totalmente diferentes são semelhantes. De qualquer forma é tudo uma questão de simbologia. Ou seja, tanto faz eu dizer que o gato está subindo na mesa, ou o cachorro descendo da mesa. Nesse caso, eu quero dizer que o cachorro é o gato e descer é subir. A mesa é mesa mesmo, para não complicar muito. Ou seja, o importante é estarmos falando da mesma coisa. Ou a mesma lua sendo apontada pelo dedo. Meditadores, programadores e linguistas talvez me entendam mais facilmente.
Postado por Jōken às 18:37 0 comentários
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Sobre o que é possível mudar (Nossas próprias ações)
sábado, 8 de agosto de 2009
Eu tive uma conversa interessante com colegas do trabalho recentemente. Elas estavam reclamando que as pessoas não agiam como elas gostariam que as outras agissem com elas (numa maneira que elas consideravam mais adequada e justa num determinado contexto). Eu disse a elas que, talvez, ao invés de querer que as pessoas agissem como gostaríamos que elas agissem, deveríamos nós mesmos agir como gostaríamos que elas agissem conosco.
A princípio elas não entenderam muito bem o que eu quis dizer, com razão, pois os dois pontos de vista são discursivamente semelhantes o suficiente para causar alguma confusão. Ambos os pontos de vista falam de "como 'gostaríamos' que as pessoas agissem". Mas do ponto de vista prático são totalmente diferentes. No primeiro ponto de vista, queremos que as pessoas ajam de determinada forma. No segundo ponto de vista, agimos (nós mesmos) daquela determinada forma. Eu me expliquei melhor com um exemplo, que foi mais facilmente entendido:
A maioria das pessoas gostam de receber um cumprimento de "bom dia!" ao chegar em algum lugar pela manhã. Logo, 'gostaríamos' que as pessoas nos desejassem sempre um "bom dia". No primeiro ponto de vista (da minhas colegas), queremos que as outras pessoas nos deem um "bom dia", e se não o recebemos, nos decepcionamos. No segundo ponto de vista (que propus), nós mesmos damos imediatamente o "bom dia" que 'gostaríamos' de receber, porém sem necessariamente esperar receber literalmente um "bom dia" em troca.
Ao compreender melhor o que eu quis dizer, elas imediatamente concordaram que há diferença entre esses pontos de vista. De fato não temos controle nenhum sobre as ações das outras pessoas. Temos controle (mesmo que limitado) apenas sobre nossas próprias ações. Logo, se quisermos que algo aconteça, nós mesmo temos que fazer algo naquele sentido.
Querer que outras pessoas literalmente ajam de determinada maneira, é um convite certo para muitas vezes nos decepcionarmos. Porém querer "teoricamente" que as pessoas ajam de determinada maneira pode ser um guia para direcionarmos as nossas próprias ações, e somente nossas próprias ações, já que as ações dos outros não podemos controlar.
(...)
Postado por Jōken às 00:03 0 comentários
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Doença
quarta-feira, 22 de julho de 2009É imaturo que eu só valorize a saúde quando estou doente. De fato eu deveria valorizá-la sempre, mesmo estando saudável. E aproveitar quando estou com saúde para fazer o que tem que ser feito, da melhor forma possível. Quando doente tenho menos opções de ações possíveis.
Postado por Jōken às 23:41 0 comentários
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Anotação aleatória (XXX)
terça-feira, 30 de junho de 2009Suspeito que esse assunto seja algo mais importante do que eu consigo compreender.
Postado por Jōken às 20:39 1 comentários
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A perspectiva de terceira pessoa (Parte IV: Ainda sobre estar sozinho)
segunda-feira, 25 de maio de 2009
São ainda relevantes sobre esse assunto (estar sozinho e praticar sozinho) dois textos publicados no blog do Monge Genshô:O primeiro é um texto de Soyen Shaku (1859-1919) Mestre Zen da escola Rinzai - apelidado no blog do Genshô como Modo de Viver. Eu li esse texto pela primeira vez no blog de Michel Seikan, e muito me chamou a atenção. As sugestões desse texto atacam diretamente alguns dos meus principais defeitos: a falta de disciplina, agir na frente de outras pessoas diferentemente de quando eu estou sozinho, falar e não praticar, e excesso de preguiça ao acordar. Especialmente, quando estou na frente de outras pessoas, procuro agir melhor do que quando estou sozinho (o que denota insinceridade da minha parte).
O segundo é um ensinamento que o Monge Genshô gosta muito de passar, sobre o símbolo do pinheiro na escola Soto Zen. "Na Soto Zen o símbolo do monge é uma folha de pinheiro, porque os pinheiros crescem retos se estão juntos com outros, assim, com estes pode se fazer mastros de navios, retos e direitos, os pinheiros que nascem isolados ficam tortos." Daí a importância de praticar numa comunidade, daí a importância fundamental da Sangha.
Postado por Jōken às 21:17 0 comentários
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A perspectiva de terceira pessoa (Parte III: Sozinho)
quinta-feira, 21 de maio de 2009Não que eu tenha feito nada de terrível, apenas me entreguei um tanto exageradamente a atos preguiçosos, razoavelmente egoístas e não relacionados a prática, como me alimentar inconscientemente, ficar jogado na cama com preguiça, assistir televisão excessivamente e jogar video-games.
Também deixei de realizar ações importantes com uma frequência adequada, como lavar a louça, manter o chão aceitavelmente limpo e praticar zazen. E deixei de fazer coisas possivelmente não tão importantes mas com uma certa pretensão de boa-intenção, como escrever nesse blog.
Também não considero que seja impossível uma pessoa agir equilibradamente sem ter os pais ou alguém vigiando, pelo contrário, acho isso absolutamente formidável e bastante desejável, mas pelo menos pra mim, é algo bastante difícil. Ainda bem que logo minha esposa estará de volta para cuidar de mim e me manter um pouco mais na linha.
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Comentário propício e oportuno (ou: Aviso aos incautos)
terça-feira, 14 de abril de 2009Eu quase certamente estou errado sobre tudo o que acho que estou certo.
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A perspectiva de terceira pessoa (Parte II: Deus)
quarta-feira, 8 de abril de 2009Durante o período em que fiquei sem a referência benéfica de orientação dos meus pais, passei por um jejum espiritual bastante temível em que eu tendi para idéias niilistas, duvidando da existência de um significado da vida como um todo. A religião cada vez mais deixava de me satisfazer intelectualmente (e nesse período minha mente foi dominada por uma espécie de extremismo de racionalismo); ao conhecer as idéias de diferentes religiões elas pareciam aparentemente contraditórias, e sendo aparentemente impossível discernir qual delas seria a verdadeira, se é que uma realmente era verdadeira.
Após muitos altos e baixos, uma sede espiritual extremamente intensa naquela época me fez voltar a acreditar em Deus, ou em alguma coisa que eu não sabia bem o que era ou como definir (um princípio transcendente superior), mas que eu sentia como sendo verdadeira e que dava sentido à vida. Não sendo isso atrelado à uma religião específica, e após ter conhecido alguns clássicos de religião comparada, passei a entender as religiões de uma maneira bem diferente e menos contraditória.
Deus passou a ser para mim uma referência externa confiável, um farol, a quem eu deveria obedecer e respeitar, além dos meus próprios desejos e vontade, sendo eu algo infinitamente pequeno em comparação a Deus, mas ainda assim relevante. Isso de certa forma era um conforto espiritual muito grande, sendo muito melhor do que o total egocentrismo pelo qual eu passei.
Mas quem ou o que é Deus? Essa é uma definição bastante complicada, à qual diferentes pessoas irão responder diferentes coisas.
A maioria dos professores buddhistas defendem a posição de que não existe um Deus criador e eterno, em consonância com o argumento de Nagarjuna.
Eu (não sou professor muito menos autoridade, e mesmo se fosse isso seria só minha opinião) pessoalmente acredito que a "existência" ou "não-existência" de Deus independe de argumentos, já que estes só se baseiam em definições nebulosas e arbitrárias, em palavras. "Deus" é só uma Palavra. Mas sinto que a crença em Deus, ou num princípio superior transcendente e absolutamente confiável é muito benéfica e confortante para um imenso número de pessoas, e na minha opinião incomparavelmente melhor que um niilismo ou um egocentrismo exarcebado.
Definições são somente definições, e não são as coisas tais como elas são. Mas se me perguntassem o que eu entendo por Deus eu diria isso: Deus, para mim, é Tudo, e sendo assim, também é Nada.
"Porque és pó, e ao pó tornarás" (Gênesis 3:19)
A perspectiva de terceira pessoa (Parte I: Introdução)
quarta-feira, 25 de março de 2009Esse exame começa por lembranças de minha infância. Eu lembro claramente que quando eu percebia que meus pais estavam me observando, eu me comportava de maneira diferente de quando eu via que meus pais não estavam me observando. Mais precisamente, eu me "comportava melhor" quando meus pais me observavam, e me comportava pior (brigava mais, fazia diversas maldades, agia egoistamente) quando meus pais não estavam me olhando.
Entendo que isso ocorria pelo grande respeito que eu tinha dos meus pais. Alguns poderiam dizer que era por medo, mas pela minha lembrança não. De fato eu sentia uma espécie de vergonha de desrespeitá-los, mas não exatamente isso. E conheço vários exemplos de pais que, tentando impor medo sobre os filhos, obtém exatamente o oposto do que pretendiam: a desobediência. Meus pais não usavam o medo, embora exercessem sua autoridade de forma firme. Mas eu sinto que os respeitava porque eu podia perceber o seu amor por mim, e assim tinha por eles uma saudável devoção.
Mais tarde na adolescência, eu abandonei parte do respeito pelos meus pais, não por qualquer atitude deles, ou qualquer outra justificativa, mas somente por um grande inflação do meu próprio ego. Com isso eu perdi a principal referência externa que eu tinha, e passei a me comportar cada vez pior e mais egoistamente. Também perdi a única outra referência externa de respeito que eu tinha, pois passei a duvidar seriamente da existência de Deus. Com isso tudo girava em torno de mim mesmo e da minha vontade, quando eu era contrariado eu me revoltava e sentia enorme raiva (uma atitude típica dos adolescentes). O meu eu e a minha própria vontade passaram a dominar minha vida completamente (não que ainda não domine, mas talvez não de uma forma tão excessiva). Com isso eu passei por inúmeros momentos de extrema infelicidade. Meu pais me apoiaram incondicionalmente em todos os momentos, e com isso pouco a pouco voltei a sentir o respeito que eu tinha por eles, que nunca deveria ter perdido.
Não por acaso, a maioria das religiões fazem clara referência da importância simbólica e concreta dos pais nas vidas das pessoas.
Postado por Jōken às 21:35 0 comentários
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