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Anotação aleatória (XLVI)

sábado, 30 de janeiro de 2010

Eu não deveria nunca pensar "as pessoas devem me ajudar de tal forma." Eu deveria sempre pensar "como eu posso ajudar as pessoas?"

Anotação aleatória (XXXVI)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Que todas as minhas ações sejam como o gesto de presentear uma flor.


Jôshin-san

terça-feira, 9 de junho de 2009

Hoje faz exatamente um ano que eu vi meu amigo Flávio (Jôshin) pela última vez. Foi no dia seguinte ao do meu casamento (na foto acima eu estou à esquerda e ele à direita). Lembro-me bem pois encontrei-o na Comunidade Zen Budista de Florianópolis, um dia antes de eu retornar ao Rio de Janeiro. No mês seguinte ele veio a falecer.

Naquela ocasião por sorte pude agradecê-lo pelo presente que ganhamos dele e de seu irmão Felipe, uma imagem de Buddha, em cor branca, muito bonita, que tenho como o presente mais precioso que ganhei no casamento. Assim que tiver uma oportunidade postarei uma foto dessa estátua de Buddha.

Todas as pessoas que conheceram Jôshin sabem de sua generosidade. Os exemplos dessa generosidade são muitos, certamente a grande maioria desconhecida de mim, mas posso dar meu próprio testemunho com facilidade. Sendo eu muito iniciante, Flávio me ajudou bastante pelo seu exemplo. Sendo sua estatura imensa, era impossível não notar seus movimentos e aprender com eles.

Pude participar com Flávio em dois sesshins (retiros). Apesar do voto de silêncio, nos sesshins as pessoas ficam muito próximas e amigas. Mesmo em silêncio, Flávio era sempre gentil e paciente, indicando o caminho e os passos para os iniciantes. Em uma dessas ocasiões tive a sorte de sentar a seu lado durante o oryoki (refeição formal na tradição zen). Sendo os movimentos da refeição formal muito complicados, Jôshin me ajudava fazendo seus próprios movimentos lentamente para que eu pudesse copiá-los. Ele fazia isso sem fazer eu me sentir mal por não saber realizar os movimentos, nem expressando o menor orgulho por saber realizá-los.

Eu nunca poderei retribuir Flávio pelo que ele me ensinou, e tenho certeza que ele nem esperava nada em troca pela sua generosidade. Eu não terei outra escolha senão tentar retribuir o mundo da melhor forma que eu puder pela oportunidade de ter conhecido Jôshin-san. Se eu conseguir levar adiante um pouco dessa generosidade, uma parte dele continuará sempre viva no mundo. E tenho certeza que ele continua vivo em muitos outros.

Generosidade sem condições (atualizado)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Entende-se como generosidade não só doações materiais, mas todo tipo de doação, seja a de trabalho voluntário até o próprio ensino do Dharma, considerada por Buddha como a forma de generosidade com maior alcance benéfico para os seres.

A generosidade realizada para obtenção de benefício próprio é considerada incompleta, não só no Buddhismo como também em outras tradições religiosas.

Jesus Cristo (Mateus 6, 1:4) adverte quanto a ser generoso para ser reconhecido por outras pessoas:
"Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; Para que a tua esmola seja dada em secreto"

O texto zen Shodoka - O Canto da Libertação adverte ainda quanto a ser generoso em busca de recompensa divina ou espiritual:
"A caridade feita condicionada a recompensas celestiais
é como atirar flechas no céu.
Quando sua força é gasta, a flecha cai
assim como os seres ascendem e decaem."


O Bhagavad Gita (Capítulo 5 verso 12), a exemplo de diversos ensinamentos Buddhistas, adverte contra qualquer ação feita em busca de recompensas:
"Renunciando ao fruto de suas ações, o karma Yogi atinge um estado sublime de paz mental. Mas aquele que trabalha com o intuito de aproveitar os frutos de suas ações, assim apegado, fica preso no emaranhado da vida profana."
[Observação: no Buddhismo, entende-se como karma somente a ação em si, e não o resultado da ação - chamado de vipaka]
Cristo (Lucas 6:35) também fala sobre fazer o bem sem esperar nada em troca:
"Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus."

O Buddha no Sutra do Diamante afirma a mesma idéia:
"Subhuti, Bodhisattvas que alcançam méritos não devem ser algemados com desejos por recompensas."

É claro que é melhor que eu tente ser generoso, mesmo ainda apegado a alguma idéia de recompensa, do que não ser generoso de forma alguma. Mas é preciso que eu esteja atento para minimizar a possibilidade dessa generosidade se tornar um motivo de orgulho para o ego, fortalencendo-o.

Generosidade

domingo, 30 de novembro de 2008

Dana é um importante conceito buddhista, sendo o nome em Sânscrito e Pali ao que chamamos de generosidade. No Buddhismo, Dana compõe um certo paradoxo: quanto mais doamos, e quanto mais doamos sem buscar algo em troca, mais "ricos" ficamos, num sentido mais amplo.

O Buddha disse (Dana Sutra):
"Se os seres soubessem, como eu sei, os resultados de dar e compartir, eles não comeriam sem antes ter dado, nem permitiriam que a mácula do egoísmo tome conta das suas mentes. Mesmo se fosse o seu último bocado, a sua última mordida, eles não comeriam sem ter compartido, se houvesse alguém com quem compartir. Mas porque os seres não sabem, como eu sei, os resultados de dar e compartir, eles comem sem ter dado. A mácula do egoísmo toma conta das suas mentes."

A generosidade é uma prerrogativa espiritual tão essencial que atravessa facilmente as barreiras entre as religiões. Disse Jesus Cristo (Lucas 12:33):

Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói.

Novamente o Buddha (Addita Sutra):

“Portanto, quando o mundo arde
Com [as chamas] do envelhecimento e morte,
Ele deveria remover [sua riqueza] sendo generoso:
Aquilo que é dado está bem salvo.

Aquilo que é dado produz bons frutos,
Mas não aquilo que não é dado.
Ladrões ou reis roubam-no,
É queimado pelo fogo ou perdido."

Eu deveria cultivar muito mais a generosidade.