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Anotação aleatória (XLVI)

sábado, 30 de janeiro de 2010

Eu não deveria nunca pensar "as pessoas devem me ajudar de tal forma." Eu deveria sempre pensar "como eu posso ajudar as pessoas?"

Jôshin-san

terça-feira, 9 de junho de 2009

Hoje faz exatamente um ano que eu vi meu amigo Flávio (Jôshin) pela última vez. Foi no dia seguinte ao do meu casamento (na foto acima eu estou à esquerda e ele à direita). Lembro-me bem pois encontrei-o na Comunidade Zen Budista de Florianópolis, um dia antes de eu retornar ao Rio de Janeiro. No mês seguinte ele veio a falecer.

Naquela ocasião por sorte pude agradecê-lo pelo presente que ganhamos dele e de seu irmão Felipe, uma imagem de Buddha, em cor branca, muito bonita, que tenho como o presente mais precioso que ganhei no casamento. Assim que tiver uma oportunidade postarei uma foto dessa estátua de Buddha.

Todas as pessoas que conheceram Jôshin sabem de sua generosidade. Os exemplos dessa generosidade são muitos, certamente a grande maioria desconhecida de mim, mas posso dar meu próprio testemunho com facilidade. Sendo eu muito iniciante, Flávio me ajudou bastante pelo seu exemplo. Sendo sua estatura imensa, era impossível não notar seus movimentos e aprender com eles.

Pude participar com Flávio em dois sesshins (retiros). Apesar do voto de silêncio, nos sesshins as pessoas ficam muito próximas e amigas. Mesmo em silêncio, Flávio era sempre gentil e paciente, indicando o caminho e os passos para os iniciantes. Em uma dessas ocasiões tive a sorte de sentar a seu lado durante o oryoki (refeição formal na tradição zen). Sendo os movimentos da refeição formal muito complicados, Jôshin me ajudava fazendo seus próprios movimentos lentamente para que eu pudesse copiá-los. Ele fazia isso sem fazer eu me sentir mal por não saber realizar os movimentos, nem expressando o menor orgulho por saber realizá-los.

Eu nunca poderei retribuir Flávio pelo que ele me ensinou, e tenho certeza que ele nem esperava nada em troca pela sua generosidade. Eu não terei outra escolha senão tentar retribuir o mundo da melhor forma que eu puder pela oportunidade de ter conhecido Jôshin-san. Se eu conseguir levar adiante um pouco dessa generosidade, uma parte dele continuará sempre viva no mundo. E tenho certeza que ele continua vivo em muitos outros.

Mais alguns medos

quinta-feira, 23 de abril de 2009


Se eu tenho medo de perder, é porque ainda não aprendi a doar.

Se eu tenho medo de errar, é porque ainda não larguei o orgulho de querer ser perfeito.

Se eu temo adoecer, é porque não aceito a impermanência inevitável da saúde.

Se eu temo envelhecer, é porque não aprendi a ser como uma criança todos os dias.

Se eu tenho medo de morrer, é porque ainda não aprendi a viver.

Diáspora Tibetana

domingo, 15 de março de 2009

Cada vez fica mais claro que será muito difícil, senão impossível, que a China ceda qualquer coisa na questão tibetana. Eu mesmo, com um certo ceticismo egoísta, sempre achei a causa perdida, e até achava o Dalai Lama meio inocente e não-esclarecido por achar que havia possibilidade de negociação por uma autonomia significativa junto ao belicoso governo comunista chinês. Depois passei a admirá-lo pelo seu esforço por uma causa quase impossível, certamente com grande compaixão pelo imenso sofrimento dos tibetanos. Agora eu considero que, mesmo que não consiga nada, todos os dias S.S. vence a China, do ponto de vista ético, moral, da generosidade, da sabedoria e até histórico (a posteridade dirá).

Agora, a preservação da tradição tibetana, cada vez mais difícil em sua terra natal - que vem sendo sistematicamente colonizada por chineses, trazendo juntamente, à força, sua (neo-pseudo)cultura - depende em grande parte dos refugiados no exterior. Mais de 1000 refugiados conseguem escapar todos os anos chegando a Dharamsala, na Índia (onde está sediado o Governo Tibetano no exilio), após atravessar com imensa dificuldade as grandiosas montanhas do Himalaia, via Nepal, por poucas e perigosas passagens. Mais de 100 000 tibetanos vivem hoje no exílio. Mas talvez os que mais sofram sejam os tibetanos que continuam no Tibet, prisioneiros em sua própria terra.

Preservar integralmente uma cultura fora de sua terra é um feito dificílimo, do qual só se conhece um exemplo notável na história da humanidade: o dos judeus. No vídeo a seguir (em inglês), Dalai Lama fala da semelhança entre os tibetanos e os judeus, compartilhando do imenso sofrimento que este sofreram ao serem afastados de sua terra natal, das perseguições sistemáticas ao longo dos séculos, culminando na grande tragédia do Holocausto, à semelhança do sofrimento e da tragédia tibetana (estimam-se mais de 1,3 milhão de mortos em decorrência da invasão e repressão chinesa). Mesmo assim, num resultado altamente improvável, eu diria milagroso, os judeus conseguiram preservar sua cultura após quase 2000 anos afastados de sua terra natal. Visivelmente emocionado, Dalai Lama até brinca, pedindo que os líderes judeus com quem se encontrou lhe ensinassem alguma "técnica secreta" que eles guardassem.



Ficam aqui os votos para que a tradição tibetana possa ter longa vida, em sua terra natal ou longe dela, trazendo com ela, apesar da tragédia, benefícios para inúmeros seres.


Nota: O budismo tibetano também é praticado, em meio a culturas diferentes, em outros países, além dos países onde se encontram refugiados e adeptos. Notavelmente: Butão, Mongólia, Rússia e Nepal (que recentemente mudou de governo após anos de guerra civil provocada pelo partido comunista, de influência maoísta, partido este que inspirou um partido de igual caráter e intenções contra o pacífico Reino do Butão).

Anotação aleatória (XII)

quarta-feira, 4 de março de 2009

É mais fácil eu ajudar o mundo a realizar as suas vontades do que querer que o mundo realize as minhas vontades.

Embora ambas possam coincidir.

Divagações possivelmente inúteis

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


Qual a relevância de eu acumular um monte de conhecimento inútil? É totalmente inútil que eu saiba de algo a mais que os outros saibam. Certamente todo esse conhecimento se esvairá quando eu morrer e meu cérebro virar pó. De fato, toda a acumulação de coisas para mim mesmo terá sido inútil, pois a morte é certa e inevitável.

A única maneira de preservar qualquer coisa é usá-la para algo bom ou dá-la a alguém que possa fazer um bom uso dela. A única maneira de preservar um conhecimento é ensiná-lo para alguém. Qualquer coisa além disso é acumular pilhas e pilhas de poeira morta.